O Anderson .Paak faz um Funk cretino

O Funk é pura questão de se manter no ritmo. No one two and groove. No tempo do slap. Hoje a principal questão que envolve essa mística talvez nem mesmo seja como, mas sim em quais termos o condutor vai manter o lado sexy da lua andando pela passarela do Groove.

O swing é uma coqueluche num copo de elixir. As vezes a onda beira o magnetismo, basta apenas ser dançada. As influencias moldam o tempo, mas os seus ouvidos testam o Pedegree desse novo som só pra garantir que os quadris do mundo todo não vão rebolar para jams medíocres.


O swing pode ser doce, azedo, ácido. Aos sábados ele pega a gastrite daquele jeito, mas ai é só tomar um Omeprazol e duas vitaminas C pra dar uma sustância antes que algum R&B canalha adentre a sua session de improviso com seu parceiro no baixo, no marfim ou riffando as guitarras.

Em qualquer momento a sequencia surge e quando notamos a casa está no embalo. O Funk se apossou dos meliantes e agora já era: você vai ter que comprar uma cópia do ''Malibu'', o quarto e tinhoso disco do Anderson .Paak And The Free Nationals. Relaxa, aconteceu comigo também.

Line Up:
Anderson .Paak (vocal/bateria)
Sam Barsh (teclados)
Daniel Seeff (guitarra/baixo)
Vicky Farewell Nguyen (guitarra/vocal)
Jose Rios (guitarra)
Marlon Bills (vocal)
Julian Lee (arranjo de cordas)
Ron Jerome Avant (piano)
Cameron Brown (guitarra)
Ronald Timan (vocal)
Emile Martinez (trompete)
Pino Palladino (baixo)
Jason Johnson (vocal)
Isaiah Sharkey (guitarra)
Brasstracks (metais)
Milan Timan (vocal)
Brian Cockerham (baixo)
Robert Glasper (teclados)
Deja Timan (vocal)
Kelsey Gonzalez (baixo)
Paris Timan (vocal)



Track List:
''The Bird''
''Heart Don't Stand A Chance''
''The Waters''
''The Season / Carry Me''
''Put Me Thru''
''Am I Wrong''
''Without You''
''Parking Lot''
''Lite Weight''
''Room In Here''
''Water Fall (interluuube)''
''Your Prime''
''Come Down''
''Silicon Valley''
''Celebrate''
''The Dreamer''


Atualize o software do seu Funk, misture com um grande repertório de R&B e uma produção que mistura beats advindos do Hip-Hop e samples dos grandes mestres do Jazz, que você chegará no Anderson .Paak como resultado.

Dono de uma técnica bateirística acima da média, .Paak impressiona pela facilidade com que toca e domina os kits, sempre muito bem acompanhado pelo preciso combo que faz o seu background sonoro, o cirúrgico The Free Nationals.


Só que o que pouca gente conhece é a versatilidade de seu trabalho. Dono de um requinte que não fica restrito apenas ao groove, Paak, além de um grande músico, é também Rapper e produtor, algo que ajuda o ouvinte a entender o motivo de suas elementares samples, inclusive, para ver o lado mestre de cerimônias do cidadão recomendo uma orelhada em "Venice", terceiro disco do multi instrumentista que saiu em 2014.

Numa discografia formada por 5 discos de estúdio e 4 EP's, confesso que não foi fácil escolher o que resenhar, mas selecionei "Malibu" em função da importância que essa gravação teve na vida do artista, além, é claro de seu riquíssimo material.

Desde a abertura do CD com a "The Bird" nota-se uma produção bastante lapidada, o que será a tônica de todo o registro. Demonstrando muito feeling (sem dizer o talento nato para baladas) .Paak
chega sereno com "The Bird", e vai aquecendo a cadência da bateria, tema após tema. Com "Heart Don't Stand a Chance" o groove já chega na bandidagem, enganando os desavisados com uma entrada mais lenta, e daí pra frente é um abraço.


Com "The Waters' o americano já está em casa. Com uma sessão rítmica azeitadíssima, belos arranjos, beats entrelaçados no balanço do Funk e um quê jazzístico sempre genuíno, ele vai emplacando os hits. Com "The Season/Carry Me" o negrão mostra feeling nas letras e segue quicando nos kits enquanto mantém a regência das baquetas com muita naturalidade.

O disco passa rápido. Com riffs ácidos gravados na Gibson de "Put Me Thru", nota-se a atenção aos detalhes. Backing vocals bem orquestrados abrilhantam passagens que exaltam ainda mais o swing do som, enquanto o cidadão trata de mostrar que um bom músico sempre está junto das melhores bandas.

"Am I Wrong" poderia liderar as paradas de qualquer país de primeiro mundo. Já em "Without You" o clima das baladas retorna, mas é notável como em nenhum momento os movimentos de .Paak e banda são previsíveis. Cantar e tocar já é algo muito difícil, agora tocar bateria e cantar é ainda mais complexo. Os tempos se alteram, é praticamente outra legislação (!) e temas como "Parking Lot" e "Lite Weight", são a prova de como as ideias desse cara merecem atenção.


Se for pra tocar na rádio, chame o .Paak e diga pra mandar "Room Is Here". Se quiser chegar nas festas da galera cult chame o cara novamente e dessa vez convoque sua banda, os "Free Nationals", para entoar "Water Fall (Interluude)", e se for pela zuera só fale para o DJ montar as bases que da (viciante) "Come Down" pra frente o público explode. Que linha de baixo é essa?!

Sentimento é um lance foda. Muitos não tem e outros tocam temas como "Silicon Valley". Preste atenção no baixo, na timbragem atual de todos os instrumentos... É aquele lance, criatividade é uma dádiva, e o Anderson ainda destila a dele e a de seus Free Nationals enquanto toca bateria e ajuda você a conquistar aquela senhora ao som "The Dreamer".

Coisa fina, meliante, finíssima: Y'all niggass got me hot!

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