O Royal Blood virou moda praia-hipster 2017

Foi tudo muito rápido para os britânicos da Royal Blood. Tão logo Jimmy Page manifestou seu interesse no som da dupla, ressaltando a sonoridade distinta da banda - mesmo que imersos num conceito de garagem já bastante experimentado nos '60 & '70 - que o baterista Ben Thatcher e o baixista e vocalista Mike Kerr, estouraram no mainstream com um dos grades debutantes do anos de 2014.

Junto com ele, surgiram diversas aparições nos maiores festivais do mundo e a banda chegou até a passar pelo Brasil em 2015 durante o Rock In Rio. Só que é aquela história, depois de gravar um disco tão singular e exato dentro do que a gravação se propunha a fazer, os fãs e a crítica ficaram na bota dos caras durante praticamente 3 anos até que a sequência desse trabalho surgisse.


E foi no dia 16 de junho de 2017 com "How Did We Get So Dark'' que a banda lançou o segundo disco de estúdio. Com uma sonoridade esteticamente platinada e com uma produção que deixou o lado mais cru da banda completamente domesticado, "How Did We Get So Dard'', lançado pela Warner, tem tudo para ser um dos grandes discos do ano em termos de quantidade de cópias vendidas, porém, em termos musicais, considerar esse disco melhor que o primeiro é... Bom, é uma palhaçada.

Line Up:
Ben Thatcher (bateria/percussão)
Mike Kerr (teclados/baixo/vocal)



Track List:
''How Did We Get So Dark''
''Lights Out''
''I Only Lie When I Love You''
''She's Creeping''
''Look Like You Know''
''Where Are You Now''
''Don't Tell''
''Hook, Lines & Sinker"
''Hole In Your Heart''
''Sleep''


Talvez o maior ponto para ressaltar o marasmo sintético desse trabalho seja a falta de criatividade que ambos, tanto Ben Thatcher, quanto Mike Kerr, tiveram na hora de registrar as 10 faixas que formam esse trabalho. Apostando na mesma tática de "tiro curto" do primeiro disco, esse lançamento termina antes dos 35 minutos de quebradeira, mas dessa vez o tempo custa a passar.

Essa dinâmica de baixo-batera é muito interessante, mas ao mesmo tempo pode ser uma cilada. É muito fácil cair na rotina e ficar num lugar comum que (verdade seja dita) é muito perigoso na hora de gravar, já que as composições podem passar uma dinâmica muito repetitiva, algo que definitivamente acontece aqui, desde a abertura com a faixa título do trampo.


Apostando em timbragens mais lights e botando muita fé em climas bastante parecidos entre si, as faixas que formam "How We Get So Dark" caminham de maneira friamente calculada rumo ao topo das paradas, mas de forma barata, plagiando a si mesmo, faixa após faixa.

Nota-se desde os backing vocals meio anos 80 da primeira faixa que eles não buscaram manter a escrita do debutante, mas como essa é a identidade do som, ainda é possível escutar ecos do primeiro trabalho, como na segunda faixa do registro, a (pra variar) radiofônica "Lights Out".


Mais um dos 4 singles de "How Did We Get So Dark'', ''I Only Lie When I Love You'', mostra como a bateria repetitiva de Ben Thatcher deixou o híbrido de baixo-guitarra de Mike Kerr chover no molhado.

E em termos de dinâmica musical essa gravação é a pior rica da discografia dos britânicos até o momento. Durante temas como "She's Creeping", é possível cortar o entrosamento da dupla com uma faca, mas é visível como as mudanças de peso e densidade de timbragens não tiveram a mesma ousadia de outrora.

Tem som pra ficar no repeat durante semanas nas paradas Pop's, como é o caso de "Look Like You Know" e "Where Are You No'', dois grandes exemplos para se entender como um disco comum ganha status de clássico, apenas pela levada que faz apologia às FM's .


E mesmo quando a banda aposta num clima mais down com a introspecção de "Don't Tell'', ou até mesmo tenta inovar com um boogie de teclados (em "Hook, Lines & Sinker"), fica bem claro como esse disco tem pouco a oferecer, ainda mais se comparado ao debutante..

O Royal Blood é uma banda interessante. O primeiro disco dos caras é um belo trabalho, mas essa gravação só mostra o quanto o mundo precisava abaixar a bola na hora de exaltar bandas dessa maneira.

Existem muitos grupos tão competentes (ou até mais) do que esse aqui, mas a questão no final do dia parece muito mais relacionada com o encurtamento das distâncias entre as bandas e as paradas de sucesso, do que uma busca por novas perspectivas em relação aos objetivos criativos de 2 músicos claramente competentes e criativos, mas que pelo menos aqui resolveram jogar com o livro de regras debaixo do braço só por comodidade, justamente num momento onde eles (muito provavelmente) tiveram mais dinheiro, tempo e recursos para ousar ainda mais... Vai entender uma merda dessas...

Vamos esperar que eles voltem para as origens no próximo disco, por que esse aí ficou manso demais.

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