Snarky Puppy e os absurdos instrumentais de We Like It Here

A vida é tão corrida que as vezes um mimo se faz necessário. Planejamos cada centímetro de nossa rotina. Sabemos que quando o despertador toca de manhã, não pode existir uma fagulha de atraso, afinal de contas precisamos nos arrumar, tomar café e ainda correr para o carro, ou para o ponto de ônibus, sabendo que chegar na hora nunca depende 100% de você. O fator trânsito é sempre uma incógnita, e o pior, não serve só para quem faz uso de nossa ótima malha de transportes coletivos.

Suponde que você chegou no seu trabalho na hora, saiba que a labuta apenas começou, chegar é sua obrigação, mas só nessa primeira etapa o porte físico do trabalhador já é bem testado. São horas de sofrimento até um almoço que parece nunca chegar e, que quando surge, passa lentamente tal qual uma Ferrari numa reta. 


Do momento que você levanta, até a hora que chega em casa (ou que chega na faculdade para os estagiários desafortunados), sua vida segue um cronograma digno de berçário infantil, mas quando tudo termina a liberdade se faz presente, e eu como muitas pessoas recorro à fuga sonora, o descanso da música. 

E para fazê-lo de uma forma que além de diversificar gêneros, visa também reafirmar para tudo e todos que aquele tempo é MEU, sempre escolho um novo groove. O segredo é conseguir achar um som que traduza a libertinagem, sempre regado a uma cozinha que demonstre pura liberdade, por isso, para elucidar este dia que passa perante vossos olhos, escolhi o Snarky Puppy e a energia incontestável de ''We Like It Here'', o oitavo disco de uma das maiores e melhores bandas de Jazz que nasceram na última década.  

Line Up:
Michael League (teclados/baixo)
Shaun Martin (teclados/talk box)
Bill Laurence (teclados)
Cory Henry (órgão)
Justin Stanton (piano)
Mark Lettieri (guitarra)
Bob Lanzetti (guitarra)
Chris McQuinn (guitarra)
Nate Werth (percussão)
Larnell Lewis (bateria)
Mike Maher (trompete)
Chris Bullock (saxofone)
Bob Reynolds (saxofone)
Jay Jennings (trompete)



Track List:
''Shofukan''
''What About Me''
''Sleeper''
''Jambone''
''Kite''
''Outelier''
''Tio Macao''
''Lingus''


O Snarky Puppy é uma numerosa trupe que produz um som impressionante. Essa verdadeira orquestra mistura o melhor do Jazz clássico com a força do Fusion, deixa o Funk em banho maria, tempera com uma percussão e ainda tira onda no Rock 'N' Roll e brinca com a música clássica. Parece meio confuso mas não é, o som dos caras possui influências diversas, mas é justamente a forma como eles destilam tudo junto e misturado que é o grande barato.

A riqueza sonora é impressionante e o sentimento se faz sempre presente. É tão bom que PRECISAVA ser instrumental. Existem coisas que não podem ser descritas, bastam na áurea da música sem vocais, e a desses caras é de altíssimo nível e está descabelando os críticos com uma cozinha inovadora e muita criatividade.


Escolhi esse trabalho por que ele é síntese do que essa banda representa e é capaz de fazer, fora que foi lançado no melhor momento da história dos caras. ''We Like It Here'' é um disco ao vivo que saiu no dia 25 de fevereiro de 2014 e que sacramenta  a forma grandiosa com que este projeto segue se desenrolando, sempre no tempo do slap, fazendo uma rotação de músicos enorme e atualizando o portfólio de grandes discos anualmente.

E nesta performance registrada no meio da Tour holandesa, o som atinge um apogeu de força e qualidade sonora que beira o impossível. Temos quase exatos e cronometrados 60 minutos de som e o que sai dos fones é de uma exatidão e prudência faraônica.


A percussão mostra sua notoriedade em ''Shofukan'', oxigenação jazzística em ''What About Me''... É a bendita liberdade criativa! Só tenha cuidado para não viajar demais na linha do bass do Michael League, tampouco nas teclas do Cory Henry.

Amanhã tu precisa acordar cedo, e se tudo der certo, de noite tem mais Snarky Puppy outra vez com Larnell Lewis e suas linhas que mal se acompanham com o dedo e todo o requinte com DNA de Stevie Wonder da talkbox do Shaun Martin .

Mal posso esperar pelo furacão eletrificado de ''Sleeper'', os traços made in Africa com ''Tio Macao'' ou pelo swing incontestável de ''What About Me''. 


Puta merda, já são 9:30. HAHAHA

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