Nunca fiz uma Playlist no Spotify #8 - Frank Zappa For President

O maior bigode de todos os tempos. Sem dúvida alguma um dos guitarristas mais importantes para o desenvolvimento, não só de seu instrumento principal, mas da música num contexto geral.

Irreverente, dono de infinitas facetas estéticas e deveras engajado politicamente, Frank Zappa é um ícone da música e sua Gibson, desde que tivesse um cigarro Winston encaixado no headstock, fazia exatamente o que ele queria. 


Suas dezenas de bandas de apoio apresentaram incontáveis músicos brilhantes para o mundo. De Terry Bozzio a Ed Mann, de Steve Vai a Vinnie Colaiuta, passando por Ike Willis e Napoleon Murphy Brock. 

E mesmo quando o cidadão partiu para um campo mais tecnológico para fazer experimentos com um synclavier (sintetizador digital), até ai é perceptível que o oriundo de Baltimore conseguiu o som que queria. 


É exatamente por toda a sua Zappografia e seus incontáveis discos ao vivo, de estúdio, sejam eles simples ou duplos, que hoje, a sétima playlist do Macrocefalia Musical será toda dedicada ao maior sex symbol do The Mothers Of Invention.

Prepare seu bigode, deixe o Winston no esquema e aperte play num set de 30 takes que tenta cumprir uma tarefa dificílima: resumir a carreira de um dos músicos mais prolíficos da história.


Acredito que falhamos miseravelmente, mas por Zappa, nós tentamos, e nele, se ainda fosse possível, votaríamos.

Mr. Z, só Frank, apenas Zappa, ou chamando pelo nome completo, AKA Frank Vincent Zappa, uma coisa é certa: se ele aparecesse na urna com a foto da capa do Joe's Garage, eu não só apertaria o verde, como também confirmava.

Viva a música cerebral.

Para conferir as outras playlists da nossa série semanal, basta clicar nos links abaixo:


1) Groove de alta patente
2) Abraxas
3) Welcome to Jamaica
4) Stevie Ray Vaughan SRV
5) Sexta-feira
6) Lavar a louça
7) Correndo pra chegar no trampo

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Até o Larry Coryell já tentou ser o Jimi Hendrix

Um dos maiores guitarristas de todos os tempos, Larry Coryell foi um daqueles músicos brilhantes que tocou de tudo. Do Funk ao Rock Psicodélico, do Jazz mais careta até o puro e praticamente Heavy/Fusion, durante sua época com a fantástica The Eleventh House. 

Mas o que poucos sabem é da paixão que um dos maiores estudiosos da guitarra nutria por um certo Jimi Hendrix. Sim, aquele meliante blueseiro-psicodélico que, pelo menos em termos estéticos, era completamente diferente e não adepto da cozinha milimetricamente calculada do "Godfather Of Fusion".


Mas até para se entender todo o impacto de Jimi Hendrix na música, existe um disco do próprio Larry Coryell que consegue elucidar como o devasso feeling do cherokee mudou a percepção de todo e qualquer guitarrista que ousasse transcender a guitarra elétrica, tal qual Larry (também) fez.

Line Up:
Larry Coryell (baixo/guitarra/teclado/piano/sintetizadores/vocal)
Mike Mandel (teclado/piano/órgão)
Mervin Bronson (baixo)
Chuck Rainey (baixo/guitarra)
Albert Stinson (baixo)
Ron Carter (baixo)
Bernard Purdie (bateria)
Jim Pepper (flauta/saxofone)



Track List:
"Sex"
''Beautiful Woman"
''The Jam With Albert"
''Elementary Guitar Solo #5"
"No One Really Knows"
''Morning Sickness"
"Ah Wuv Ooh"


Segundo disco do guitarrista como líder de sua própria banda de apoio em carreira solo, "Coryell", lançado em 1969, é um disco completamente contemporâneo aos devaneios Hendrixianos na guitarra.

Com um approach raro em sua discografia e com uma abordagem quase que psicodélica perante os seus padrões no Jazz-Rock, esse disco é a prova de como Hendrix foi capaz de influenciar todos os músicos de sua época, independente das vertentes em voga.

E um exemplo desse fenômeno é que até o Larry Coryell se viu improvisando demencialmente em faixas como a estrondosa "The Jam With Albert".


Além de um disco peculiar na discografia do músico (que infelizmente nos deixou em fevereiro de 2017), "Coryell" pode ser visto como a semente fundamental para trabalhos que só começariam a brotar num futuro próximo.

Foi durante a década de 70, tocando ao lado de músicos do nível de John McLaughlin, Alphonse Mouzon, Chick Corea e etc, que Larry não só desafiou os padrões do Jazz, mas também colocou a guitarra elétrica num outro patamar criativo.

Por isso que temas selvagens como "Sex" mostram, não só um competente Larry nos vocais, mas evidenciam o que um músico tecnicamente brilhante consegue fazer dentro de um contexto musical livre como esse aqui.

Mais do que 7 takes envoltos por pouco menos de 40 minutos de som, o que fica é o inovador experimento com sintetizadores, solos de guitarra com uma abordagem bastante visceral (como em temas do nível de "Elementary Guitar Solo #5) e as participações de músicos seminais para seus respectivos instrumentos, como o Ron Carter (baixo) e Bernard Purdie (bateria).

É impossível ouvir esse disco e não pensar no que Larry & Jimi poderiam ter feito juntos.

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Nunca fiz uma playlist no Spotify #7 - Correndo pra chegar no trampo

Todo mundo já acordou do nada, no susto e quando percebeu já estava correndo pela casa catando cavaco, contando moeda e procurando o pé esquerdo de um tênis que talvez nem seja do mesmo par desse que está no seu pé direito.

São nesses momentos que a humanidade brilha. Justamente quando estamos no limbo, mostramos que o chamado "preparo físico" é um termo claramente inventado pela globo e corremos muito. Como se a nossa vida dependesse disso, chegar no trabalho, nem que seja sem ar, é questão de honra.


Por isso, para auxiliar os maratonistas do desespero, tomei a liberdade de fazer uma playlist que promete fazer qualquer fumante correr mais do que ambulante quando se liga no rapa. De Cactus à Deep Purple, esse set de 30 takes mostra que não existem distâncias quando você tem uma reunião as 9:00 e acordou 8:45.

Se ligue nas outras playlists e não se esqueça: não importa se tu vai chegar na hora certa, na errada ou em nenhum momento, o lance é apertar o play.

1) Groove de alta patente
2) Abraxas
3) Welcome to Jamaica
4) Stevie Ray Vaughan SRV
5) Sexta-feira
6) Lavar a louça

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Jazz Funk com Charas - Saque o groove do novo disco do Chaiss

A música é um DNA engraçado. É interessante perceber as variações, como os formatos influenciam na dinâmica do som e como até mesmo as referências podem se manter as mesmas, apenas aparando arestas rumo a uma expressão artística cada vez mais exata.

Lapidar o som é um processo longo e muitas pessoas pensam que encontrar uma fórmula está intimamente ligado ao fator entrosamento. Tocar com as mesmas pessoas facilita, mas conseguir novas perspectivas é algo que também enriquece bastante o lado criativo.

Ficou difícil de compreender? Imagine então que você tem uma banda de Jazz e que gravou um disco em quinteto, logo depois de ter passado por diversos formatos, incluindo, duo, trio e quarteto. Fica claro como os referenciais mudam, como a música se enquadra a esses conceitos e como tudo é uma questão de distribuir os recursos.

Foto: Welder Rodrigues

A identidade de uma banda vai ser sempre o que ela busca para si. Para tangibilizar essa pensamento, basta pegar os paulistas do Chaiss na Mala, por exemplo. Projeto criado em 2009, esse combo de meliantes já passou por diversos padrões de formação, começando inicialmente em duo (com o baterista Fábio Albuquerque e o bass man Rob Ashtoffen), depois migrando pra trio, quarteto, quinteto... O lance é justamente esse: desafiar o Jazz.

Expandir panoramas musicais é necessário e abraçar a mudança talvez seja o principal fator que contribua na caminhada de uma das bandas mais interessantes que habitam esse meando Jazzístico. Com uma proposta Fusion, Prog, Funk, bastante ácida e que fomenta a criatividade com bastante propriedade e variação, o Chaiss chegou no segundo CD  de estúdio tinindo.

E já que entre o debutante do grupo (o interessantíssimo "Afrodisia", lançado em 2015) e o lançamento do "Charas", liberado no dia 06 de agosto de 2017, existem praticamente 2 anos de muito trabalho, nada mais justo que do que atualizar o software do Funk. Com um trabalho que consegue captar o atual momento da banda com um approach ainda mais orgânico que o anterior, dessa vez também em quarteto para novos experimentos mais uma vez 100% instrumentais, o Chaiss é de longe um dos grupos instrumentais mais originais da cena.

Line Up:
Rob Ashtoffen (baixo)
Fábio de Albuquerque (bateria/percussão)
Eder Hendrix (guitarra)
Vinicius Chagas (saxofone/flauta)


Arte: Thiago Amarante: AKA - "Mantega"

Track List:
"Jornada Transcendental"
"Gemini Taurus Vênus en Aires"
"Futuristic Beat"
"Mandrake"
"Somebody Love"


Em termos práticos, "Charas" foi um disco muito rápido. No meio de todos os meandros do processo de pré produção, produção, ensaio, gravação, mixagem, captação e edição do clipe, toda a cadeia foi finalizada em 3 meses de trabalho.

Um disco minimalista em termos de duração, o segundo trabalho de estúdio do grupo possui pouco mais de 22 minutos de duração, algo que apesar de parecer "fugir" dos padrões Jazzísticos em termos de improvisação e longa duração de temas, foi pensando justamente em função do objetivo de alcançar um linguagem cada vez mais exata, absoluta.

Isso não significa que a banda toque com pressa, muito pelo contrário. As linhas de sax em "Jornada Transcendental" possuem apenas 3 minutos e meio, porém sua classe é encantadora. O sax surge flutuante, numa daquelas linhas em que o ouvinte é obrigado a assoviar durante um mês, mas aí logo depois o Fábio aumenta a velocidade na bateria e aí o Jazz Rock já esquenta caldeirão.


É notável como a relação a entre duração dos temas e sua riqueza não é necessariamente proporcional. Em pouco mais de 5 cinco minutos, "Gemini Taurus Vênus en Aires", mostra uma profundidade belíssima. Detalhes de percussão, passagens de flauta... O minimalismo foi a saída para a riqueza sonora!

Uma proposta que surpreende o ouvinte e mostra uma visão sempre mutável de músicos com um toque claramente diferenciado. Vinicius Chagas mostra uma fluência impressionante no sax, além de uma abordagem muito pessoal no feeling de sua flauta. Rob sustenta o groove com um frescor tremendo (como em "Futuristic Beat") enquanto Martins (guitarra) e  Fábio (bateria) equilibram seus respectivos instintos mais viscerais em detrimento do colosso espiritual que é o Jazz.

Foto: Welder Rodrigues

Ao ouvir temas como "Mandrake", única faixa composta durante a gravação de "Charas", ou "Somebody Love" e a sedutora guitarra de Eder, fica claro como  missão desses caras é expandir o repertório do Jazz. É alavancar novos experimentos, abrir novas portas estéticas e tocar com ainda mais liberdade.

É claro que eles tocam de tudo. É bastante nítido como existem dezenas de elementos advindos de outras cozinhas, porém o ponto chave aqui é entender o processo de conversão de todas essas referências para dentro do mesmo ambiente, o Feng Shui do Jazz com assinatura do Thiago Amarante na capa.  Bravo!

Entrevista:

1) Como foi o processo de criar os temas sem tocá-los com a amplitude que o Jazz esse acostumado a ouvir?


Fábio de Albuquerque - Esse álbum foi pensado para ter uma gravação com temas mais enxutos. Ao tocar esses temas do Charas ao vivo perseguimos uma liberdade maior de expressão e compensamos com solos e improvisos mais longos. É até uma forma bacana de testar a amplitude das novas harmonias e das possibilidade de expandir cada uma das novas músicas.


Rob Ashtoffen - Cada trabalho, cada disco nos faz mudar a perspectiva. Se é um outro disco, está em outra época, então ele vai representar outra coisa que o anterior fez. Esse disco nasceu desse conceito e a mutabilidade é importante, essencial para o Chaiss. O conceito desse disco é de ser um gatilho. A gravação é uma mostra do que ao vivo acontece, pois assim é o jazz, presentificação.


Não temos pretensão de fazer CD, pois considero que essa mídia já está em vias de obsolescência e nos custa muito. Já tínhamos pensado nisso, em como as pessoas ouvem música hoje, e esse modo de playlists, etc, nos fizeram pensar na duração das músicas. Estamos experimentando, temos esse poder. Somos uma banda independente, não precisamos de números. Necessitamos expressar a nossa sinceridade na música, nas composições. Flertamos com o pop, com melodias mais soul, assoviáveis, ou também coisas mais progressivas, estranhas, tá tudo no mesmo disco.

Quando estávamos pra fazer a pré-produção, cheguei no Vinícius (saxofone) e pedi pra ele escolher umas composições dele mais pop nights. Ele riu e colocamos Futuristic Beat e Somebody love no disco. Ele gosta de compor umas coisas assim, fora do fusion quebradeira, bruxaria. 

2) Dentro desse esquema em quarteto, quais foram as principais alterações com relação a dinâmica sonora que a banda precisou absorver?


Fábio de Albuquerque - As alterações foram absorvidas tranquilamente. É uma das características do Chaiss ter esses perreios de mudanças e adaptações no som. Uma coisa que sinto um pouco falta é o recurso de naipe dos sopros, mas o Vinícius consegue lidar bem sozinho com o trabalho da linha de frente. Acredito que ficou até mais rentável para a banda dividir o cachê em 4 integrantes apenas. jaejaejaejeajjae

Rob Ashtoffen - A real é que um quarteto se basta. A administração de uma banda independente não é fácil. Tocamos jazz autoral em diversos lugares, festivais, casas de show, eventos, etc. Vivemos de música, precisamos de uma grana mesmo, pra pagar aluguel, pra pagar o próprio disco, para por comida na mesa. Tamo no corre todo dia. E no momento atual o quarteto se resolve. Agora na visão artística, acho que cada disco do Chaiss vai ter uma formação diferente. Deixamos o destino mandar.


3) A história do Chaiss mostra que o grupo passou por diversos formatos. Como é o recomeço depois de cada reencarnação na formação da banda?


Fábio de Albuquerque - Pelo aspecto prático de manutenção de banda é algo meio ruim, atrasa até um lado. Mas o Chaiss foi se formando nesse movimento interessante de tocar com muitas pessoas diferentes e posso assumir que isso só nos faz crescer musicalmente com esse intercâmbio todo. Mantivemos essa ideia de termos formações como algo que estará lá sempre no DNA do Chaiss. Mas quero deixar claro que o Eder e o Vinícius são nossos grandes amigos e esperamos tocar muito juntos ainda.

Rob Ashtoffen - No jazz, o intercâmbio de músicos e formações é uma coisa comum. A figura do 'sub' é bem comum. Como a gente trampa com isso, às vezes surge uma oportunidade massa e não dá pra negar show marcado. Contamos com uma galera que já tocou e ainda toca no Chaiss. E temos muita sorte de contar com músicos extraordinários, mestres mesmo que fazem os shows. Jackson Silva, um dos maiores baixistas da cena do jazz atual é o meu sub no baixo, por exemplo, hahah. Dá pra acreditar? Fernando Amaro, Wagner Vasconcelos do Hammond Grooves, Adalto Dias, Sintia Piccin, Richard Fermino, só pra citar alguns. Esperamos gravar com essa galera aí em breve. É uma relação de humildade, amor pela música mesmo, empatia pela proposta, pelo som e pela honestidade que temos em aprender com eles sempre.


4) Sempre vi o Chaiss com uma malandragem musical muito característica de quem toca na rua, como vocês fazem costumeiramente. Vocês acham que a facilidade em compreender novas dinâmicas com muita rapidez vem de toda essa experiência também?


Fábio de Albuquerque - Sem dúvida. Tocar na rua nos trouxe um lance de termos que assumir uma postura como banda, tanto de som quanto política.

Rob Ashtoffen - Ah certeza. Esse lance vem da nossa origem, da nossa vivência e só se estendeu pra música. A gente faz pesquisa de som, estuda sempre. Maturar-se como músico e como banda é importante. O Chaiss ainda terá uma longa vida, porque levamos tudo com calma, sem pretensão de estourar, ansiedades, etc. É na construção do caminho que a gente vai colhendo os frutos. Com calma e proceder hahaha


5) Confesso que depois do "Afrodisia" fique muito surpreso com o esse disco, mas visto que o objetivo de vocês é seguir com esse processo de desconstrução, é possível prever algo para um próximo trabalho?


Fábio de Albuquerque - Ideias de som e experimentações não faltam para um próximo trabalho. O que falta mesmo é o ca$caio e tempo para colocar isso em prática.

Rob Ashtoffen - Cara, o Fábio e eu conversamos um pouco sobre isso. Talvez o próximo tenha 18 músicas de 24 minutos ahahahah.


6) Gostaria de agradecer pela atenção, é muito prazeroso entender os referencias dos músicos, mas pra finalizar, gostaria de algumas indicações sonoras relacionadas ao que vocês ouviram durante a concepção desse disco, bem como algumas indicações de bandas brasucas que estão fazendo o corre na cena!



Fábio de Albuquerque - Como o processo todo desse álbum foi rápido e feito em paralelo com muitas outras coisas da vida prática não dediquei um momento específico para absorver referências para a composição. Colocamos no álbum uma honestidade do que gostamos de tocar. O que eu ouvi no período foi um mix de hip hop mais atual, rock no espectro mais amplo do gênero e jazz mais moderno. De bateria eu estava numa fase de ouvir coisas do Mark Guiliana e o Brian Blade.

Das bandas brasileiras que estão tocando eu tenho visto mais de perto um pequeno pessoal de SP: o Pizza Punk, QN Quarteto, o trabalho do quarteto do Vinícius Chagas, Noneto de Casa e o Vapor que é a banda de nossos irmãos e que estamos trabalhando na produção do próximo álbum deles. Mas tem uma porção de bandas boas no Brasil fazendo um som bacana, só está faltando tempo para garimpar melhor.

Rob Ashtoffen - Nas concepções pensamos no progressivo. Não só em composição, mas para a sonoridade da mixagem e masterização. A gente gravou tudo em 6 horas e demoramos quase dois meses para mixar tudo com o mestre da paciência e do trabalho Zeca Leme (BTG Studio). Foi um processo de aprendizado magnífico que vamos levar para a vida. Eu particularmente entrei de cabeça nesse mundo da concepção sonora de mixagem. As referências que usamos foi American Football, Mars Volta, Banda Black Rio (pro baixo), e uns sons hi-fi que a gente gosta. Do rock ao fusion. Usamos sintetizadores, efeitos no saxofone, distorção. A mixagem deu a cara pro disco. Foi uma ótima experiência.

Sobre bandas novas, tem um monte de coisa muito boa por ai. Tem o Fernando TRZ, tecladista da Liniker que tem um projeto próprio maravilhoso, tem o Chabad que é demais, logo lançam coisa nova. Recomendo muito para quem gosta de rock, ouvir o selo Howlin' Records que tem muitas bandas boas surgindo.

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Life In 12 Bars: veja o trailer do documentário do Eric Clapton

Um dos nomes mais citados quando o assunto é guitarra, Eric Clapton é um dos maiores ases, não só de seu instrumento, mas também da música de forma geral. O "Slowhand" (para os íntimos), tem uma carreira repleta de discos fundamentais e sua contribuição na música é homérica, para dizer o mínimo.

E mesmo que o britânico esteja se aproximando da aposentadoria, o interesse em sua vida e obra só aumentam, e a prova disso é o documentário "Life In 12 Bars", uma desculpa cinematográfica para ver os solos do mestre ganhando as telonas.


Trocadilhos a parte, o documentário está previsto para estrear no dia 17 de setembro, durante o próximo Festival Internacional de Cinema de Toronto. Além das telonas, o canal norte-americano Showtime já anunciou que comprou os direitos da filmagem e exibirá o aguardado lançamento nas televisões americanas no dia 10 de fevereiro de 2018.

Dirigido por Fini Lini Zanuck, o filme narra a história do "Clapton In God" e conta com muito material advindo dos acervos pessoais do próprio músico.

Confira o trailer logo abaixo:

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Nunca fiz uma playlist no Spotify #6 - lavar a louça

Lavar a louça talvez seja a única tarefa do lar que não seja 100% insuportável. Muito disso também acontece em função da possibilidade de realizar esse infortúnio com os fones de ouvidos sempre, é claro, no último volume.


É claro que só pelo fato de criar uma playlist sobre lavar a louça não significa que eu costumo fazer isso, mas como a música é viável em praticamente todas as circunstâncias, o Macrocefalia Musical não poderia perder essa oportunidade de criar um set pra você poder quebrar todas as taças da sua avó.


Agora vá na fé, espere aquela louça da lasanha de domingo e já aperte play na playlist sem se preocupar com o tempo, por que se você demorar mais que 2 horas e meia pra acabar, ai já quer dizer que os tempos do escravismo estão de volta.

E se surgirem outras louças, lembrem-se: nós ainda temos 5 playlists além dessa... É prato que não acaba mais (de dançar).

1) Groove de alta patente

2) Abraxas
3) Welcome to Jamaica
4) Stevie Ray Vaughan SRV
5) Sexta-feira

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Toda a discografia do Sun Ra está no Bandcamp e você não sabia

O Jazz possui 2 lados:

O lado A de quem gosta daquela música com cara de lounge de bar de hotel

O lado B patrocinado apenas pela nata do Fusion, do Spiritual Jazz dos tempos da IMPULSE! e uma conexão cósmica chamada Free-Jazz.

Se você já conhece esse espaço minimamente, saiba que aqui no Macrocefalia Musical nós gostamos (e até preferimos) aqueles artistas meio amalucados. 


Não é uma questão de puro apoio ao lado musicalmente excêntrico da força, só pra botar banca de alternativo, mas sim uma filosofia de apreciação (acabamos de inventar esse termo de merda), para elucidar a existência de dezenas de artistas deveras inovadores, mas que infelizmente já nos deixaram e ainda estão a margem, mesmo com discografias brilhantes na praça.

E um desses grandes gênios é o Sun Ra, nome artístico-cósmico de Herman Poole Bount, ou ainda Le Sony'r Ra, para os íntimos. Esse cidadão norte-americano é de longe um dos maiores músicos que já pisaram neste plano, além de ser o criador de uma das sonoridades mais originais que você ouvirá em sua vida.


A grande questão com o Sun Ra, no entanto, sempre foi a dificuldade de encontrar seus discos. Se no formato físico já é deveras complicado, pra baixar então é sempre uma dificuldade, até por que os repositórios de download nem sempre respeitam ou seguem alguma ordem para subir os discos, algo que numa discografia que só em estúdio compreende quase 50 discos, acaba sendo mais um empecilho.

Mas eis que que a crew da Sun Ra LLC, grupo responsável pelo direito das obras do músico, resolveu subir toda a sua discografia no Bandcamp, assim, como quem não quer nada. Então, nada mais justo do que divulgar essa informação e passar adiante a cultura afro-futurista de uma mente que sempre fez música com um único propósito: quebrar as barreiras estéticas e promover a expansão sonora como uma revolução universal.

Prepare-se para algo grandioso. Para acessar a discografia no Bandcamp, basta clicar aqui.

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O saxofunk do Maceo Parker

O SESC Pompéia é um lugar no mínimo diferenciado. Além de ser uma das unidades mais charmosas do Serviço Social do Comércio, o espaço localizado no coração do bairro da Pompéia, na Zona-Oeste de São Paulo, possui, mesmo que não oficialmente, um certo magnetismo quando o assunto é Funk.


A Chopperia do Sesc Pompéia já recebeu homéricas apresentações dos maiores discípulos do groove. Já teve show do Fred Wesley, trombonista/vocalista/arranjador do James Brown (e Parliament-Funkadelic), uma apresentação de mais de 3 horas do também americano, Bootsy Collins (baixista do James Brown e também do Parliament-Funkadelic), além de shows mais recentes do saxofonista Kamasi Washington e do também baixista Thundercat.

Mas parece que ainda faltava alguma coisa... Com uma curadoria desse nível é até difícil afirmar isso, mas é verdade, faltava um show do Maceo Parker. Bom, depois do absurdo de mais de 2 horas que um dos maiores saxofonistas de todos os tempos patrocinou durante a noite de sábado (dia 09 de setembro), agora é oficial: não falta mais nada e a casa já pode ser consagrada como um patrimônio da humanidade.


Com uma banda bastante azeitada e num formato relativamente enxuto, Maceo Parker, do alto de seus 74 verões funkeados, definitivamente surpreendeu todos os presentes. A vitalidade do cidadão é invejável, e ver que além de seguir afiado no sax, o amigo e parceiro de banda do Prince ainda canta com bastante propriedade, só deixou o show ainda mais dançante.

Com 10 segundos de espetáculo tudo que se via eram cabeças se movendo. A banda de 6 músicos do arranjador chefe do P-Funk malhou o groove sem frescura nem massagem, durante mais de 2 horas de puro slap. Teve cover de Ray Charles, medley com Sly & The Family Stone, Parliament-Funkadelic, James Brown, Marvin Gaye e uma versão da clássica "Pass The Peas" que por pouco não rachou o assoalho da casa.


Solo de batera, improviso nos teclados, uma aula de mão na direita na guitarra, muito double thumb no baixo e uma dose vertiginosa de trombone... É disso que o Funk e o Jazz tratam: a liberdade musical como mecanismo de expansão de linguagens tão ricas e importantes para a música.



Até mais do que apresentar uma vertente primordial na educação de toda essa malha de novos Jazzístas da atualidade, como o já citado Thundercat (além do jovem prodígio Jacob Collier), Maceo Parker mostra como o Funk sempre vai estar por ai, destilando classe e o seu apaixonante e inconfundível balanço, ele é só um instrumento, e um dos maiores que já passaram por aqui.

Vida longa ao gênio dos metais.

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O Progressivo alucinógeno do Claypool Lennon Delirium

Um dos chamados "supergrupos" que de fato justificam todo o mimimi que a crítica especializada costuma bancar em projetos que envolvem nomes badalados, o "super duo", The Claypool Lennon Delirium, é, sem dúvida alguma, uma das mais sonoras surpresas do cenário mainstream em tempos recentes.

Fruto da união do criativíssimo-workaholic Les Claypool, junto, dessa vez, do não menos inventivo Sean Lennon, a estética por trás da sonoridade desse projeto é no mínimo surpreendente e o papel do Sean Lennon está longe de ser secundário... O Les Claypool então, bom, esse aí dispensa comentários.


E depois que a dupla chegou na cena como quem não quer nada, mas com um dos melhores discos de 2016 debaixo do braço ("Monolith Of Phobos", lançado no dia 03 de julho de 2016), que todo mundo se ligou que esse projeto é muito mais do que um simples passatempo.

Com isso em mente, e depois das boas críticas recebidas graças a excêntrica, porém genuína abordagem do grupo com seu primeiro registro, que o lançamento especial elaborado pela dupla, focando no Record Store Day, causou tanta expectativa.

E para mostrar que a questão aqui vai muito além do famigerado "muito barulho por nada", que os americanos lançaram o EP "Lime and Limpid Green" (liberado no dia 04 de agosto de 2017). Segundo trabalho da história de uma união que versaz Rock Progressivo com o Psicodélico com muita astúcia, esse EP de covers merece atenção.


Line Up:
Les Claypool (baixo/vocal)
Sean Lennon (guitarra/vocal)
Paulo Baldi (bateria)
Pete Drungle (teclado)



Track List:
"Astronomy Domine" - Pink Floyd
''Boris The Spider" - The Who
"The Court Of The Crimson King" - King Crimson
"Satori" - Flower Travellin' Band


São apenas 4 faixas e pouco menos de 20 minutos de som, mas o que sai dos falantes é um grande sopro de ar fresco. Até mais do que isso, o conteúdo desse EP mostra, além da parte técnica, muito feeling e coragem por parte dos envolvidos, afinal de contas tocar Pink Floyd, The Who, King Crimson e Flower Travellin' Band, tudo no mesmo trabalho e com uma originalidade que consegue propor novos caminhos para os originais, é algo louvável.

Aperte play no LSD sonoro de "Astronomy Domine" e veja como a composição do Syd Barrett fica décadas mais jovem com essa nova roupagem. As vozes de Sean e Les trabalham muito bem apesar dos tons contrastantes e o som do EP é bastante cristalino, é possível escutar todo os instrumentos que tecem esse Progressivo delirante.



E a paleta de faixas selecionadas não é fácil. Não, nem de longe. Se bem que se for pra tocar "Boris The Spider", um dos poucos baixistas aptos a fazê-lo é o Les Calypool. A soberania e a classe de John Entwistle são muito bem lembradas no cover The Who, e os vocais são particularmente atraentes.

Mas é tocando King Crimson que a dupla se supera. O arranjo cósmico para uma das composições mais vibrantes da história do Rock Progressivo ("In The Court Of The Crimson King"), é de fato primoroso, e o solo de baixo, juntamente com o trabalho de teclados de Pete Drungle, deixariam o Robert Fripp orgulhoso.

Pra finalizar, a banda ainda promove uma senhora imersão nos confins do Prog ao desenterrar uma sinuosa faixa dos nipônicos da Flower Travellin' Band, uma banda interessantíssima, e que aqui, graças aos devaneios de "Satori", também ganha um belo tributo, capitaneado pela bateria de Paulo Baldi.

É muito bom ouvir trabalhos desse porte e ver como, mesmo com covers, é possível criar sem amarras, experimentar sem receio e, mais do que isso, fazer música com liberdade. O terceiro disso desses meliantes promete.    

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Nunca fiz uma playlist no Spotify #5 - Sexta-feira

Dia de mandar e-mail sem anexo, pular a catraca no ônibus ou até mesmo entregar atestado de invalidez por ressaca, a sexta-feira é sim um glorioso dia para mostrar para o mundo que a ousadia é o que nos mantém vivos.

E apostando na máxima de que nenhuma boa história começa com "ontem eu comi uma salada", nada mais justo do que homenagear a série de playlists do Macrocefalia Musical com um set de 30 faixas que tenta fazer jus a essa sensação indescritível de fazer merda, natural do ser humano e que é acentuada logo depois das 23:59 da quinta-feira.


Funk, Blues, Jazz, Hard, Heavy, Psych... Desconsidere padrões estéticos. O foco aqui é apenas elevar a glicose e dar uma forcinha para que depois do fim do expediente, você já saia com tudo rumo ao sul de lugar nenhum.


Para sacar as outras playlist, basta clicar nos links abaixo:

1) Groove de alta patente
2) Abraxas
3) Welcome to Jamaica
4) Stevie Ray Vaughan SRV


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Carta aberta de um fã de Steely Dan

A música é facilmente uma das minhas maiores fontes de felicidade. Para quem realmente aprecia a arte das notas, ouvir um bom disco pode mudar uma vida, e foi isso que o Steely Dan fez com a minha depois que escutei o "Aja" (1977), sexto disco de estúdio de uma das bandas mais perfeitas que já passaram pela Terra.

Lembro até hoje de como tudo aconteceu. Estava ouvindo algum som com meu pai, quando ele, como num insight praticamente espiritual, abriu um de seus olhos (interrompendo seu cochilo) e me chamou: "Guilherme, você tem que ouvir Steely Dan".

Tão logo a frase tinha chegado ao fim, acredito que o cidadão já estava roncando novamente, mas eu fui, com a rapidez de um gato sob efeito de glicose, procurar os discos do Steely Dan, logo ali, na temida prateleira da letra "S".


Entre tantas opções, duas capas me chamaram a atenção, e confesso quase acordei meu pai outra vez pra perguntar qual delas escolher... É como diz o tio do homem-aranha: "Com grandes poderes surgem grandes responsabilidades", e depois que eu escolhi o "Aja", logo após ficar entre ele e o "Royal Scam" (quinto disco do grupo, lançado em 1976 e o meu preferido), confesso que eu nunca mais vi a música da mesma maneira.

Por isso que depois de ficar sabendo da morte do genial Walter Becker, parceiríssimo do Donald Fagen dentro desse colosso musical que é o Pop perfeito do Steely Dan.... Nossa, me faltam palavras para expressar o que gostaria.

A música da dupla viverá para sempre. Enquanto batuco essas teclas tenho certeza que alguém está ouvindo o Dan pela primeira vez e já está embasbacado, mas foi um baque descobrir isso e, mais do que qualquer coisa, perceber que nunca terei a oportunidade de ver 2 dos mais brilhantes e perfeccionistas músicos de todos os tempos tocando juntos novamente.


Com Walter aprendi como a música pode ser rica, minuciosa e beirar a perfeição. Aprendi a importância de ouvir uma gravação que me mostre os detalhes de todos os instrumentos, e confesso que infelizmente adquiri o hábito de ser chato pra cacete também. Nesse ponto a culpa não é minha, mas sim do alto padrão estabelecido por todas as gravação do mestre Becker. Ele me acostumou mal. 

Acho que nunca vou ouvir nada tão preciso e exato esteticamente outra vez. É triste perder um ídolo sem ao menos ter tido a oportunidade de vê-lo ao vivo, mas é uma dádiva saber que ele tocou tantas pessoas da mesma forma que tocou a mim.

Profissionalmente falando, Walter alcançou tudo que poderia. Não vou dizer que ele conseguiu tudo o que gostaria, por que com uma mente musical tão complexa como a dele a e de Donald, acredito que tenham limites sonoros que ele não conseguiu quebrar, mas espero que ele tenha transcendido com a mesma classe de sua guitarra, o mesmo brilho de seu timbre e a mesma precisão cirúrgica do solo de "Pretzel Logic" (74).

Muito obrigado Walt, você e o Sr. Fagen mudaram a minha vida.

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Nunca fiz uma playlist no Spotify #4 - Stevie Ray Vaughan SRV

O Spotify é um grande aliado na busca por sons quando não estou em casa. Quando adentro a residência, selecionar alguns discos para ouvir de imediato é praticamente um ato automático, fora que ainda é completamente inviável pensar em não fazer isso, ainda mais por que apesar do grande acervo, certas raridades ainda não chegaram na terra do streaming de Daniel Ek (CEO da empresa).


Mas para quem se desvincilhou da coleção de CDS & Discos (um crime), resolvi fazer uma playlist exclusiva sobre um dos caras que mais me fez colocar os óculos para procurar os registros na estante da letra "S", de SRV.

E como o mundo decretou 27 anos sem o fervor elétrico da Fender do senhor Dr. Stevie Ray Vaughan (morto num acidente de helicóptero em 1990), nada mais lógico do que criar uma playlist para homenagear um dos maiores mestres do Blues e a sua eterna "Number One", a Stratocaster '63 do maior meliante da história do Texas.
Coloque seu chapéu, sirva-se de um cowboy e segure o rojão desse set. Seguindo o formato estabelecido pelas outras 3 playlists liberadas pelo Macrocefalia Musical (Groove, Abraxas e Reggae), eis que temos 30 takes para que o mundo compreenda a grandeza do mestre que fazia bends com uma corda 0.13, sempre apropriando-se da mesma naturalidade com a qual minha avó vai buscar água durante a madrugada.

Segure-se na bancada do bar e se ligue nos sets anteriores:

1) Groove de alta patente
2) Abraxas
3) Welcome to Jamaica

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