Até o Larry Coryell já tentou ser o Jimi Hendrix

Um dos maiores guitarristas de todos os tempos, Larry Coryell foi um daqueles músicos brilhantes que tocou de tudo. Do Funk ao Rock Psicodélico, do Jazz mais careta até o puro e praticamente Heavy/Fusion, durante sua época com a fantástica The Eleventh House. 

Mas o que poucos sabem é da paixão que um dos maiores estudiosos da guitarra nutria por um certo Jimi Hendrix. Sim, aquele meliante blueseiro-psicodélico que, pelo menos em termos estéticos, era completamente diferente e não adepto da cozinha milimetricamente calculada do "Godfather Of Fusion".


Mas até para se entender todo o impacto de Jimi Hendrix na música, existe um disco do próprio Larry Coryell que consegue elucidar como o devasso feeling do cherokee mudou a percepção de todo e qualquer guitarrista que ousasse transcender a guitarra elétrica, tal qual Larry (também) fez.

Line Up:
Larry Coryell (baixo/guitarra/teclado/piano/sintetizadores/vocal)
Mike Mandel (teclado/piano/órgão)
Mervin Bronson (baixo)
Chuck Rainey (baixo/guitarra)
Albert Stinson (baixo)
Ron Carter (baixo)
Bernard Purdie (bateria)
Jim Pepper (flauta/saxofone)



Track List:
"Sex"
''Beautiful Woman"
''The Jam With Albert"
''Elementary Guitar Solo #5"
"No One Really Knows"
''Morning Sickness"
"Ah Wuv Ooh"


Segundo disco do guitarrista como líder de sua própria banda de apoio em carreira solo, "Coryell", lançado em 1969, é um disco completamente contemporâneo aos devaneios Hendrixianos na guitarra.

Com um approach raro em sua discografia e com uma abordagem quase que psicodélica perante os seus padrões no Jazz-Rock, esse disco é a prova de como Hendrix foi capaz de influenciar todos os músicos de sua época, independente das vertentes em voga.

E um exemplo desse fenômeno é que até o Larry Coryell se viu improvisando demencialmente em faixas como a estrondosa "The Jam With Albert".


Além de um disco peculiar na discografia do músico (que infelizmente nos deixou em fevereiro de 2017), "Coryell" pode ser visto como a semente fundamental para trabalhos que só começariam a brotar num futuro próximo.

Foi durante a década de 70, tocando ao lado de músicos do nível de John McLaughlin, Alphonse Mouzon, Chick Corea e etc, que Larry não só desafiou os padrões do Jazz, mas também colocou a guitarra elétrica num outro patamar criativo.

Por isso que temas selvagens como "Sex" mostram, não só um competente Larry nos vocais, mas evidenciam o que um músico tecnicamente brilhante consegue fazer dentro de um contexto musical livre como esse aqui.

Mais do que 7 takes envoltos por pouco menos de 40 minutos de som, o que fica é o inovador experimento com sintetizadores, solos de guitarra com uma abordagem bastante visceral (como em temas do nível de "Elementary Guitar Solo #5) e as participações de músicos seminais para seus respectivos instrumentos, como o Ron Carter (baixo) e Bernard Purdie (bateria).

É impossível ouvir esse disco e não pensar no que Larry & Jimi poderiam ter feito juntos.

2 comentários: