O Progressivo alucinógeno do Claypool Lennon Delirium

Um dos chamados "supergrupos" que de fato justificam todo o mimimi que a crítica especializada costuma bancar em projetos que envolvem nomes badalados, o "super duo", The Claypool Lennon Delirium, é, sem dúvida alguma, uma das mais sonoras surpresas do cenário mainstream em tempos recentes.

Fruto da união do criativíssimo-workaholic Les Claypool, junto, dessa vez, do não menos inventivo Sean Lennon, a estética por trás da sonoridade desse projeto é no mínimo surpreendente e o papel do Sean Lennon está longe de ser secundário... O Les Claypool então, bom, esse aí dispensa comentários.


E depois que a dupla chegou na cena como quem não quer nada, mas com um dos melhores discos de 2016 debaixo do braço ("Monolith Of Phobos", lançado no dia 03 de julho de 2016), que todo mundo se ligou que esse projeto é muito mais do que um simples passatempo.

Com isso em mente, e depois das boas críticas recebidas graças a excêntrica, porém genuína abordagem do grupo com seu primeiro registro, que o lançamento especial elaborado pela dupla, focando no Record Store Day, causou tanta expectativa.

E para mostrar que a questão aqui vai muito além do famigerado "muito barulho por nada", que os americanos lançaram o EP "Lime and Limpid Green" (liberado no dia 04 de agosto de 2017). Segundo trabalho da história de uma união que versaz Rock Progressivo com o Psicodélico com muita astúcia, esse EP de covers merece atenção.


Line Up:
Les Claypool (baixo/vocal)
Sean Lennon (guitarra/vocal)
Paulo Baldi (bateria)
Pete Drungle (teclado)



Track List:
"Astronomy Domine" - Pink Floyd
''Boris The Spider" - The Who
"The Court Of The Crimson King" - King Crimson
"Satori" - Flower Travellin' Band


São apenas 4 faixas e pouco menos de 20 minutos de som, mas o que sai dos falantes é um grande sopro de ar fresco. Até mais do que isso, o conteúdo desse EP mostra, além da parte técnica, muito feeling e coragem por parte dos envolvidos, afinal de contas tocar Pink Floyd, The Who, King Crimson e Flower Travellin' Band, tudo no mesmo trabalho e com uma originalidade que consegue propor novos caminhos para os originais, é algo louvável.

Aperte play no LSD sonoro de "Astronomy Domine" e veja como a composição do Syd Barrett fica décadas mais jovem com essa nova roupagem. As vozes de Sean e Les trabalham muito bem apesar dos tons contrastantes e o som do EP é bastante cristalino, é possível escutar todo os instrumentos que tecem esse Progressivo delirante.



E a paleta de faixas selecionadas não é fácil. Não, nem de longe. Se bem que se for pra tocar "Boris The Spider", um dos poucos baixistas aptos a fazê-lo é o Les Calypool. A soberania e a classe de John Entwistle são muito bem lembradas no cover The Who, e os vocais são particularmente atraentes.

Mas é tocando King Crimson que a dupla se supera. O arranjo cósmico para uma das composições mais vibrantes da história do Rock Progressivo ("In The Court Of The Crimson King"), é de fato primoroso, e o solo de baixo, juntamente com o trabalho de teclados de Pete Drungle, deixariam o Robert Fripp orgulhoso.

Pra finalizar, a banda ainda promove uma senhora imersão nos confins do Prog ao desenterrar uma sinuosa faixa dos nipônicos da Flower Travellin' Band, uma banda interessantíssima, e que aqui, graças aos devaneios de "Satori", também ganha um belo tributo, capitaneado pela bateria de Paulo Baldi.

É muito bom ouvir trabalhos desse porte e ver como, mesmo com covers, é possível criar sem amarras, experimentar sem receio e, mais do que isso, fazer música com liberdade. O terceiro disso desses meliantes promete.    

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