O saxofunk do Maceo Parker

O SESC Pompéia é um lugar no mínimo diferenciado. Além de ser uma das unidades mais charmosas do Serviço Social do Comércio, o espaço localizado no coração do bairro da Pompéia, na Zona-Oeste de São Paulo, possui, mesmo que não oficialmente, um certo magnetismo quando o assunto é Funk.


A Chopperia do Sesc Pompéia já recebeu homéricas apresentações dos maiores discípulos do groove. Já teve show do Fred Wesley, trombonista/vocalista/arranjador do James Brown (e Parliament-Funkadelic), uma apresentação de mais de 3 horas do também americano, Bootsy Collins (baixista do James Brown e também do Parliament-Funkadelic), além de shows mais recentes do saxofonista Kamasi Washington e do também baixista Thundercat.

Mas parece que ainda faltava alguma coisa... Com uma curadoria desse nível é até difícil afirmar isso, mas é verdade, faltava um show do Maceo Parker. Bom, depois do absurdo de mais de 2 horas que um dos maiores saxofonistas de todos os tempos patrocinou durante a noite de sábado (dia 09 de setembro), agora é oficial: não falta mais nada e a casa já pode ser consagrada como um patrimônio da humanidade.


Com uma banda bastante azeitada e num formato relativamente enxuto, Maceo Parker, do alto de seus 74 verões funkeados, definitivamente surpreendeu todos os presentes. A vitalidade do cidadão é invejável, e ver que além de seguir afiado no sax, o amigo e parceiro de banda do Prince ainda canta com bastante propriedade, só deixou o show ainda mais dançante.

Com 10 segundos de espetáculo tudo que se via eram cabeças se movendo. A banda de 6 músicos do arranjador chefe do P-Funk malhou o groove sem frescura nem massagem, durante mais de 2 horas de puro slap. Teve cover de Ray Charles, medley com Sly & The Family Stone, Parliament-Funkadelic, James Brown, Marvin Gaye e uma versão da clássica "Pass The Peas" que por pouco não rachou o assoalho da casa.


Solo de batera, improviso nos teclados, uma aula de mão na direita na guitarra, muito double thumb no baixo e uma dose vertiginosa de trombone... É disso que o Funk e o Jazz tratam: a liberdade musical como mecanismo de expansão de linguagens tão ricas e importantes para a música.



Até mais do que apresentar uma vertente primordial na educação de toda essa malha de novos Jazzístas da atualidade, como o já citado Thundercat (além do jovem prodígio Jacob Collier), Maceo Parker mostra como o Funk sempre vai estar por ai, destilando classe e o seu apaixonante e inconfundível balanço, ele é só um instrumento, e um dos maiores que já passaram por aqui.

Vida longa ao gênio dos metais.

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