Halloween 77 comprova: o mundo era melhor com o Frank Zappa

Eu não sou contemporâneo do Frank Zappa. Nasci em 1990 e quatro, enquanto o homem do bigode já estava aqui desde 1940. Nunca vi Frank ao vivo e essa sempre será uma das maiores frustrações da minha vida, mesmo sabendo que isso seria inviável, afinal de contas o guitarrista nos deixou quase 1 ano antes do meu nascimento.

Caso os meus pais tivessem sido mais rápidos, ainda assim seria muito difícil encontrar o meliante, mas meu pai fez o possível para nos apresentar. Com 12 anos eu já sabia quem era o maluco de voz grave que acendia um cigarro e deixava sua SG dando umas tragadas no headstock.


Ouvi sua música com bastante estranhamento, mas fui pra escola com a melodia de "Montana" na cabeça e nunca mais fui o mesmo. Desde então escuto Frank e a cada novo disco que compro, ouço de joelhos, maravilhado com todo o colosso que esse visionário compositor criava dentro de sua mente.

Os arranjos, o sentimento, o bom humor, os demenciais improvisos e as melhores bandas que alguém poderia ter. Frank Zappa era tudo isso e muito mais. Nenhum show era igual, nenhuma discografia comporta tantos discos, sejam eles de estúdio ou delirantes apresentações ao vivo e, mais do que isso, nenhum estilo consegue categorizar esse verdadeiro experimento sonoro que representa sua lírica grooveada.

É estranho sentir falta de quem nunca se conheceu, mas quanto mais leio sobre Zappa, mais quero ouvir de sua música, compreender suas ácidas letras e viajar em incontáveis passagens instrumentais ou cantadas. E mesmo que seu corpo não esteja mais presente neste plano em formato de matéria, sua música segue vazando pelo ladrão e em 2017 atingiu novos graus de insanidade com o box "Halloween 77"

Line Up:
Frank Zappa (guitarra/vocal)
Adrian Belew (guitarra/vocal)
Tommy Mars (teclados/vocal)
Peter Wolf (teclados)
Ed Mann (percussão)
Patrick O'Hearn (baixo/vocal)
Terry Bozzio (bateria/vocal)



Track List CD1:
"Halloween 77 Show start/Introductions"
"Peaches En Regalia"
"The Torture Never Stops"
"Tryin' To Grow A Chin"
"City Of Tiny Lites"
"Pound For A Brown"
"The Demise Of The Important Rubber Goods Mask"
"Bobby Brown Goes Down"
"Conehead" - (Instrumental)
"Flakes"
"Big Leg Emma"



Track List CD2:
"Envelopes"
"Terry's Halloween Solo"
"Disco Boy"
"Lather"
"Wild Love"
"Titties 'N Beer"
"Halloween Audience Paticipation"
"The Black Page #2"
"Jones Crusher"
"Broken Hearts Are For Assholes"


Track List CD3:
"Punky's Whips"
"Halloween Encore Audience"
"Dinah-Moe Humm"
"Camarillo Brillo"
"Muffin Man"
"San Ber'dino"
"Black Napkins"


Bônus:
"King Kong"
"A Halloween Treat With Thomas Nordegg"
"Audience Participation #5"
"The Black Page #2"


Lançado no dia 17 de outubro de 2017, "Halloween 77" é o resultado dos 4 dias de residência e os 6 respectivos shows que Zappa & banda fizeram no icônico New York Palladium em 1977. Começando no dia 28 de outubro, até o derradeiro e bruxólico 31, o que temos aqui é um dos sets mais pedidos da carreira de Frank e que, através da Zappa Records/UMe, teve seu lançamento bem a tempo do aniversário de 40 anos desses gloriosos eventos.

Com uma banda relativamente compacta, ainda mais frente a complexidade do som criado nessas noites, esse box representa não só uma das maiores provas da grandeza do gênio Frank Vincent, mas evidencia o nível estelar que os mestres atingem em seu auge, mesmo depois de (à época), virar o mundo de cabeça pra baixo com seu Jazz Fusion Progressivo e seu lunático modelo de Ópera Rock.

Frank era imparável. Sempre bastante prolífico e criativo em toneladas, experimentou dezenas de formatos com milhares de músicos, todos sempre brilhantes tecnicamente falando, tal qual o homem que os regeu durante uma das carreiras mais longevas, ricas e desafiadores da história da música oriental e ocidental. Até os seus lançamentos póstumos comprovam como sua música, dia após dia, segue seu perpétuo caminho rumo a dominação global.


Antes de continuar, vale ressaltar que esse lançamento veio em 3 formatos:

1) CD triplo
2) Pen drive com o conteúdo de todos os shows (156 faixas) + fantasia de Zappa (!)
3) Shows do box triplo (vendidos separadamente em formato digital)



O box completo contempla muitos setlists com alguns sons repetidos. A versão da caixa tripla que saiu em CD, pega o show do dia 31 de outubro, bem no fuzuê do Halloween, junto com outras faixas selecionadas do show da noite anterior.

Com uma performance inspiradíssima do guitarrista, vocalista e autodidata Andrew Belew, além de um impossível Terry Bozzio nas baterias, Zappa brinda a plateia com um de seus melhores e mais inspirados momentos. Apresentando temas variadas fases, esse registro não pode faltar na Zappografia de qualquer fã, desse que foi um dos maiores da história da música.

Quando acaba o show é praticamente um desrespeito não se levantar para aplaudir os falantes. São mais de 3 horas do mais alto nível musical e com passagens como "Wild Love", que perduram por 30 minutos, "Pound For A Brown" que chega com quase 14, enquanto "The Torture Never Stops" ganha uma de suas melhores versões, com quase 15 minutos de pura fluência musical.

Poucos atingiram esse nível. Sinto muita saudades de Frank.

O box completo está disponível no Spotify. Escute sem chorar se for capaz:

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Quer saber como seria se o Beatles tocasse chorinho? Escute Beatles N Choro

Sempre tive dificuldade com os Beatles. Meu pai tem tudo que eles gravaram, então acabei ouvindo o som dos quatro meliantes de cabelo tigelinha com certa regularidade durante a minha infância. 

Quando digo que tive dificuldades as pessoas costumam esbravejar que isso é um absurdo, mas isso não significa (necessariamente) que eu não goste deles. Respeito e vejo muito feeling nos trabalhos quarteto, assim como observo o impacto de suas composições na história da música com grande facilidade.


Ignorar isso seria uma demonstração de ignorância bastante acentuada e eu de fato tentei entrar no mundo dos oriundo de Liverpool, apenas não consegui. Depois de um intervalo de alguns anos fui ouvir a carreira solo de cada um deles e encontrei nos discos solo de Paul & Wings, além de Lennon Ringo e George Harrison - esse último me deixou estupefato quando ouvi "Wonderwall Music" - 1968) um interessante universo paralelo.

De tempos em tempos ainda rola Beatles aqui em casa, mas de outras maneiras. Gosto bastante do disco do "McLemore Avenue", LP (lançado em 1970) com que o Booker T. & The MG's fez com releituras cheias de Soul & Groove para o Rock britânico da gangue de besouros.


O George Benson também fez uma releitura magnífica, dessa vez esbanjando Jazz em sua semi acústica com "The Other Side Of Abbey Road" (também lançado em 1970). Ouvi mais Beatles do que se imagina, mas sempre com referências diferentes, um exercício que nunca me deixou duvidar da profundidade e da relevância deles para o cenário interplanetário do groove, nem mesmo por um minuto.

Mas existe um trabalho de releituras com a obra do "Fab Four" que é o mais bonito, singelo e brasileiro que já ouvi, pena que pouca gente conhece. Falo sobre o Box de 4 CD's chamado de "Beatles-'N'-Choro", um projeto que pega o brilhantismo do chá das 16:00 do Beatles e mistura com o Chorinho brasileiro. Parece coisa de maluco né? Duvido que você não ficou intrigado.

*Desculpe pela qualidade da foto, o Googlee não ajudou

Projeto idealizado por Renato Russo, aquele mesmo do Legião Urbana, Beatles 'N' choro é um box de 4 exuberantes gravações, contendo um repertório Beatlemaníaco escolhido a dedo e tocado a moda do Choro carioca apenas pelos maiores instrumentistas brasileiros.

Um disco de rara beleza e que dificilmente entra numa roda de discussão, o trabalho produzido por Henrique Cazes (cavaquinho) e lançado pela Deckdisc abrange o Maxixe, seu brother Choro-Canção, seu fornecedor Choro, o vizinho de quebrada Valsa e o temperamental Samba com grande classe, originalidade e um sotaque brasuca que de longe até lembra o Paul McCartney bêbado.

Trocadilhos infames a parte, o projeto que saiu da mente de Renato Russo não pode ser feito com ele em terra já que o compositor nos deixou em 1996, porém, depois que o diretor artístico da mesma gravadora de Renato (João Augusto) conseguiu a autorização da família para tirar a ideia do chão ao lado de Henrique Cazes, que gerenciou todo o time de craques que aqui fazem miséria.


Se liga nos track lists e nos músicos envolvidos... De Carlos Malta, passando por Hamilton de Holanda, Henrique Cazes, Rildo Hora, Marcello Gonçalves, Paulo Sérgio Santos e Quarteto Maogani, meu caro, aqui só tem a nata dos solistas.

PS: hoje a caixinha com as 4 gravações vale uma grana considerável. A Deckdisc lançou os discos separados, fora do box, com o mesmo conteúdo claro, mas ainda assim os trabalhos são difíceis de baixar, mas fiquem calmos, todos os trampos estão disponíveis no Spotify.

A música brasileira é um presente e olha que eu nem gosto de Beatles rs. Que repertório!

Beatles-'N'-Choro


01 - Carlos Malta - Help!
02 - Hamilton de Holanda - Something
03 - Paulo Sérgio Santos - The Fool On The Hill
04 - Henrique Cazes - Day Tripper
05 - Rildo Hora - Here, There and Everywhere
06 - Henrique Cazes e Marcello Gonçalves - Blackbird
07 - Quarteto Maogani - While My Guitar Gently Weeps
08 - Paulo Sérgio Santos - When I'm Sixty-four
09 - Henrique Cazes - With A Little Help From My Friends
10 - Hildo Hora - For No One
11 - Hamilton de Holanda - Eleanor Rigby
12 - Carlos Malta - The Long And Winding Road


Beatles-'N'-Choro 2


01 - Carlos Malta - You're Going To Lose That Girl
02 - Henrique Cazes - In My Life
03 - Rild Hora - A Hard Day's Night
04 - Hamilton de Holanda - Yesterday
05 - Paulo Sérgio Santos - Martha My Dear
06 - Hamilton de Holanda - I Want To Hold Your Hand
07 - Marcello Gonçalves - She's Leaving Home
08 - Rildo Hora - If I Fell
09 - Henrique Cazes - You Won't See Me
10 - Paulo Sérgio Santos - Michelle
11 - Hamilton de Holanda - Here Comes The Sun
12 - Carlos Malta - Come Together


Beatles-'N'-Choro 3

01 - Carlos Malta - I Feel Fine
02 - Hey Jude - Hamilton de Holanda
03 - Paulo Sérgio Santos - Honey Pie
04 - Henrique Cazes - Got To Get You Into My Life
05 - Rildo Hora - Do You Want To Know A Secret
06 - Marcello Gonçalves - We Can Work It Out
07 - Henrique Cazes - All My Loving
08 - Paulo Sérgio Santos - Wait
09 - Henrique Cazes - Girl
10 - Rildo Hora - Hello Goodbye
11 - Hamilton de Holanda - Mother Nature's Son
12 - Carlos Malta - Penny Lane


Beatles-'N'-Choro 4


01 - Carlos Malta - The Night Before
02 - Hamilton de Holanda - Ticket To Ride
03 - Rildo Hora - Let It Be
04 - Henrique Cazes - And I Love Her
05 - Paulo Sérgio Santos - I Will
06 - Marcello Gonçalves e Henrique Cazes - Because
07 - Hamilton de Holanda - You Never Give Me Your Money
08 - Rildo Hora - She Loves You
09 - Paulo Sérgio Santos - Maxwell's Silver Hammer
10 - Hamilton de Holanda - Ob-la-di, Ob-la-da
11 - Henrique Cazes - Nowhere Man
12 - Carlos Malta - The Inner Light


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Nunca fiz uma Playlist no Spotify #13 - Foi mal, tava doidão

Tudo começou com uma cerveja e acabou num sofá, acordando com o barulho do celular tocando, sem ter a mínima noção do que aconteceu num raio de 8 horas (antes).

O telefone atende e a pergunta que abre a ligação é (obviamente) a que você menos tem ideia da resposta: "Onde você está?". Você, exalando álcool e confiança, responde: "Posso responder daqui 5 minutos?"


Agora vem a parte fácil. Basta levantar do sofá com as dores de quem parece ter dormido ao lado do Floyd Mayweather, e começar a colher pistas com base numa tampinha de Heineken que estava no seu bolso, um isqueiro sem gás e um flyer de uma festa à fantasia.

Pode acontecer não necessariamente nessa ordem, mas acredito que vocês entenderam o recado. Nenhuma história marcante começa com: "Ontem eu comi uma salada", por isso, para chegar na playlist de número 13 aqui no Macrocefalia Musical, nada mais justo do que fazer uma trilha sonora alternativa para preencher a sua cabeça quando você não lembra de nada.


O tema? Músicas que abordam justamente o que você deve ter feito na noite passada pra ter acordado só com o pé esquerdo do seu sapato. Seja enchendo a cara a base de litrões de cerva, até pedir um Uber enquanto seu amigo tenta acender um cigarro ao contrário com um fósforo (na chuva).

Esqueça a neura e aperta play. Na pior das hipóteses você vai achar a sua carteira.

Mentira.

Para sacar os sets anteriores, basta clicar nos links abaixo:


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Curte um som doido? Se liga na Guruguru Brain Records

Você já ouviu falar da banda japonesa de Rock Progressivo, Kikagaku Moyo? Se você nunca sacou a interessante visão de Prog que essa japorongada anda explorando/experimentando, acredito que seus ouvidos estejam perdendo muitas coisas interessantes, ainda mais em termos de mesclas de gênero.

O grupo trabalha com climas, elementos de Rock Psicodélico, Jazz Fusion e até mesmo de Folk, com bastante propriedade, e desde 2012 o quarteto de Tóquio chama bastante atenção da crítica.


Por que o resenhista falou dessa banda antes de entrar no assunto desse post, que é justamente a Guruguru Brain Records? Bom, além dos caras formarem um grupo bastante singular e que compreende uma sólida discografia, formada pela estréia homônima de 2013, além de "Forest Of Lost Children" (2014) e "House In Tall Glass" (2016), e os EP's "Mammatus Clouds" (2014) e "Stone Garden", lançado em 2017, o grupo ainda teve tempo de idealizar um selo.

É o bendito Guruguru Brain Records, um nome levemente sugestivo em função da seminal banda de Progressivo alemão Guru Guru, mas enfim. O que é interesse de saber é que o selo foi fundado em 2014 e o foco está na difusão da música underground asiática.


Em 2017 o projeto levou uma parte de suas operações para Amsterdam, pensando até mesmo em termos mercadológicos, em função da facilidade de acesso e a visibilidade dos países europeus que de fato consomem muita música.  

Desde então o selo já liberou 15 lançamentos, entre EP's e full lengs, além de contar com todo o cast de 9 bandas (10 se você contar o próprio Kikagaku Moyo). Composto apenas por bandas japonesas, a não ser por um projeto de Acid Folk/Rock Psicodélico do Vietnã e outro do Paquistão, os sons ofertados são bastante diferentes entre si, com apenas uma característica em comum: a psicodelia que, de banda para bandas, possui um papel bastante peculiar.


Não só em termos de geografia, mas de sonoridade, é bastante interessante parar pra ouvir essas bandas. Em termos de novas sonoridades, fica claro como o principal norte do selo é essa questão de criar coisas novas e não só isso, a posição estratégica do projeto, com duas bases, uma no Japão e outra na Holanda, demonstram como eles pensaram na cena.

O próprio Kikagaku Moyo já lançou 2 trampos pelo selo, o último full ("House In Tall Glass" de 2016) e também o último EP da banda ("Stone Garden") que foi liberado ano passado.

A própria projeção crescente do grupo trabalha como um gatilho para que as outras bandas ganhem notoriedade conforme os projetos decolam. Aliás, essa é a tônica global em termos de desenvolvimento de projetos dessa natureza: o dinamismo da "nova indústria fonográfica", que já foi descentralizada pelos serviços de streaming faz tempo.


Mais do que uma forma de pulverizar novas sons, esse selo é destaque pelas bandas interessantes que o formam, mas também demonstra o quanto o lance de fazer música precisa de planejamento.

É necessário entender mercados, sacar as ligações geográficas para os fluxos de vendas/interesse e saber como tirar proveito de situações que, infelizmente, não dizem respeito apenas a chegar e tocar.

Para acessar o cast direto, clique aqui e boa fritação.

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Um passeio pelo Rock classudo do Hummingbird

Gosta de Jeff Beck solo? Viaja muito ouvindo Jeff Beck Group? Então meu caro, você definitivamente precisa conhecer o Hummingbird. Uma ácida mistura de Jazz Fusion, Groove, Funk e Jeff Beck Group (a segunda encarnação), numa sexta-feira sem o chefe na firma... Ah papai, esse som é classe demais.

Formada em 1974 pelo britânico Bobby Tench, o grupo foi uma mescla de membros do Sreetwalkeers, uma banda de Rock/Blues Rock que contava com o próprio vocalista/guitarrista Bobby Tench, além do tecladista Max Middleton, dentre outros grandes nomes da riquíssima cena que tomou conta da terra da rainha nos '60 & '70.


O projeto teve vida curta. O som só ficou plugado durante 3 anos (1974-77) e compreendeu 3 belas gravações no período, todas lançadas pelo selo americano A&M Records. Outro fato interessante é que todos os registros contaram com a produção do conceituado músico, compositor e produtor inglês, Ian Samwell (Frank Zappa/Joni Mitchell/John Mayall).

Só que o mais "engraçado" (pra não dizer trágico) é que, além da banda ter alcançado sucesso com essas gravações, alçando voos audaciosos não só no mercado norte americano, mas também no europeu e japonês, o projeto chegou ao fim e hoje foi completamente esquecido pela crítica.


Uma das maiores formações do Rock britânico, o Hummingbird definitivamente merecia mais, por isso, nada mais justo do que dar uma pincelada em toda a discografia da banda. Acredite, você vai querer ir atrás disso depois de apertar o play. 

 

1) Hummingbird - "Hummingbird" - 1974 (US)/1975 (UK)


Line Up:
Bobby Tench (guitarra/vocal)
Bernie Holland (guitarra)
Clive Chaman (baixo)
Max Middleton (teclados)
Conrad Isidore (bateria)
Linda Lewis (backing vocal)



Track List:
"Music Flowing"
"You Can Keep The Money"
''Such a Long Ways"
''Horrors"
''I Don't Know Why I Love You"
"Maybe"
"For The Children's Sake"
"Ocean Blues"
"Island Of Dreams"


Primeiro disco do grupo, esse debutante começou a ser gravado no meio de julho de 1973. Ainda sem gravadora, o conteúdo do LP chegou a gerar interesse por parte da CBS e da Apple Records, mas acabou indo parar na mão da A&M Records.

Depois de formalizar os contratos com a A&M, os músicos migraram para o Island Studios, visando concluir o trabalho, o que foi feito durante o mês de setembro e outubro do ano seguinte. Contando com uma formação mais compacta, o LP homônimo estabeleceu a rica sonoridade do grupo, com um som, bem cremoso, cheio de feeling e balanço. 


2) Hummingbird - "We Can't Go On Meeting Like This" - 1976


Line Up:
Bobby Tench (guitara/vocal)
Max Middleton (teclados)
Joanne Williams (backing vocal)
Bernie Holland (guitarra)
Clive Chaman (baixo)
Robert Ahwai (guitarra)
Madeline Bell (backing vocal)
Bernard "Pretty" Purdie (bateria)
Liza Strike (backing vocal)



Track List:
"Fire and Briamstone"
"Gypsy Skys"
''Trouble Maker"
"Scorpio"
"We Can't Go On Meeting Like This"
''Thee City Mouse"
''A Friend Forever"
''Heaven Knows"
''Snake Shack"
"Let It Burn"


Com uma sonoridade muito mais Funkeada, esse trabalho chega com um teor ainda mais etílico do que o anterior. Com Bobby Tench mostrando sua pegada garanhão-Soulman, um trio de calientes backing vocals e um inspiradíssimo Bernard Purdie na batera... Que isso, palhaçada pura! Coloque um terno pra ouvir por que esse é fino demais.

Se liga na cozinha, agora contando com o Purdie nos kits. Pouco estrago é bobagem. Ele ainda tomava conta dos arranjos enquanto Max Middleton & cia emulavam melodias com a classe da cavalaria do Blues britânico. 


3) Hummingbird - "Diamond Nights" - 1977


Line Up:
Bobby Tench (guitarra/vocal)
Lisa Freeman Roberts (backing vocal)
Bernie Holland (guitarra)
Paulette McWilliams (backing vocal)
Clive Chaman (baixo)
Vanetta Fields (backing vocal)
Max Middleton (teclados/sintetizadores)
Stephanie Spruill (backing vocal)
Bernard Purdie (bateria/arranjo)
Julia Tillman Waters (backing vocal)
Pancho Morales (percussão)
Maxine Willard Waters (backing vocal)
Airto Moreira (percussão)
Quitman Dennis (arranjo - metais)
Jim Horn (arranjo - metais)
Chuck Findley (arranjo - metais)
Horace Ott (condutor - arranjos)



Track List:
"Got My Led Boots On"
''Spirit"
''Cryin' For My Love"
''She Is My Lady"
''You Can't Hide Love"
''Anaconda"
"Madatcha"
"Losing You"
''Spread Your Wings"
"Anna's Song"


Agora é hora de chorar. Esse disco é pra ouvir ajoelhado enquanto você reclama que a vida não é justa. 

Um trabalho que beira a perfeição, "Diamond Nights" é a pérola mor na carreira desse projeto. Com faixas instrumentais exuberantes, uma aula de timbres cristalinos e uma performance maravilhosa do lord das teclas, Max Middleton, esse trampo chega com um moog que faz até o mais brutamontes chorar.

Repleto de convidados do nível de Airto Moreira, esse trabalho é o mais audaciosa da banda. "Diamond Nights" é um clássico perdido no tempo. Seus climas, a pegada praticamente erótica do Funk e a beleza de seus sutis arranjos, merecem horas e horas de apreciação sem fim. 

"Got My Lead Boots" é um clássico que o genial Jeff Beck poderia ter feito uma versão com vocais para o "Wired" (1976).

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Nunca fiz uma playlist no Spotify #12 - Em 2018 a meta é groovar

Aproximadamente 10 segundos antes da transposição de data entre 2017 e 2018, todo mundo começou a matutar as resoluções para o novo ciclo que se iniciou depois que o seu padrinho chegou derrubando Sidra Cereser de maçã verde no seu pisante. 

Agora já em 2000 e dezoito, você precisa pelo menos enrolar até março pra jogar suas promessas para o ano que vem, o único problema é que pelo menos uma delas você precisa cumprir: manter o slap.


O groove não vai esperar você entrar na academia. Não espere que ele ajude você a fazer dieta também ou que tampouco deixe a sua sogra mais tranquila. Apesar disso tudo você tem um compromisso nesse novo ciclo: continuar groovando.

É com esse pensamento que o Macrocefalia Musical ligou as turbinas para essa nova aurora. Os conteúdos já estão rolando, mas sem a ressaca da lista de melhores discos de 2017. Não, agora é hora de olhar pra frente, mas groovando, no passinho, nem que seja emulando um air guitar no metrô.

Por isso, para não perder o costume, se liga no set que acabou de sair da fornalha. Com 30 faixas cheias daquele balanço cremoso, a nossa primeira playlist do ano chega com quase duas e horas e meia de muita malemolência. Cola na grade.

Para sacar as outras playlists, basta clicar nos links abaixo:


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Manja de Cumbia peruana? Se liga na compilação The Roots of Chicha Vol. 1 & 2

A Cumbia é um ritmo da escola colombiana de grooves. Nessa cozinha, o elemento principal é o groove, o balanço dos tambores com DNA africano + o approach de instrumentos locais, já que apesar do gênero ter começado na Colômbia, ele também se espalhou por outros outros países da América Latina.

E a prova disso é a "Chicha", a cumbia Peruana que pegou o que era feito na Colômbia e misturou com a Surf Music e com toda a efervescência cultural do fim dos '60 & começo dos '70. Sintetizadores, guitarras, órgãos... Música para as pistas de dança com nome de licor Inca. Não tinha como dar errado!

O problema é que como o estilo acabou ficando preso à falta de projeção, apesar do sucesso local, coube a Barbes Records a difícil tarefa de reviver esse legado. Inclusive o trabalho desse selo é riquíssimo nesse sentido e, além dessas duas compilações, vale ressaltar que eles ainda lançam novos materiais com foco nesse som mais swingadão, a chamada "Cumbia Amazônica".

A primeira compilação saiu em 2007. "The Roots Of Chicha" foi a primeira coletânea focada na produção peruana que foi lançada fora do país. Como era de se esperar, o trabalho de curadoria e todo o esforço pra reunir essas gravações (que compreendem o período de 1968-1978) deu mais do que certo, o que nos leva para a segunda edição.


Track List:
Los Mirlos - "Sonido Amazonico"
Juaneco Y Su Combo - "Linda Nena"
Los Hijos Del Sol - "Cariñito"
Los Destellos - "A Patricia"
Los Diablos Rojos - "Sacalo Sacalo"
Juaneco Y Su Combo - "Ya Se Ha Muerto Mi Abuelo"
Los Mirlos - "El Milagro Verde"
Los Destellos - "Para Elisa"
Los Hijos Del Sol - "Linda Muñequita"
Los Mirlos - "Muchachita Del Oriente"
Los Destellos - "Elsa"
Juaneco Y Su Combo - "Vacilando Con Ayahuesca"
Los Diablos Rojos - "El Guapo"
Eusebio Y Su Banjo - "Mi Morena Rebelde"
Los Hijos Del Sol - Si Me Quieres
Juaneco Y Su Combo - "Me Robaron Mi Runa Mula"
Los Mirlos - "La Danza De Los Mirlos"



Em 2011, ao som de "The Roots Of Chicha Vol. 2", os ritmos do Sonido Amazônico continuaram a sair, algo que mostra também a profundidade e a importância dessa cozinha para a própria cultura do Peru.

O resultado mais uma vez foi bem recebido e conta com composições gravadas entre 1968 e 1981. Em ambos os registros é bem interessante perceber como o som evolui, até em termos de experimentação mesmo. Dá pra sacar que os caras estavam explorando e ao sacar os 2 registros dá pra ver o quanto a música conversa entre si com uma fluência universal.


Track List:
Los Destellos - "Constelación"
Compay Quinto - "El Diablo"
Los Ribereños - "Sibando"
Los Ilusionistas - "Colegiala"
Los Destellos - "La Pastorcita"
Los Wemblers - "Lamento Del Yacuruna"
Grupo Celeste - "Como Un Ave"
Manzanita y su conjunto - "El Hueleguiso"
Chacalón y la Nueva Crema - "A Trabajar"
Los Destellos - "Cumbia Del Desierto"
Ranil y su conjunto - "Mala Mujer"
Manzanita Y Su Conjunto - "Agua"
Los Shapis - "El Aguajal"
Manzanita Y Su Conjunto - "Paga La Cuenta Sinvergüenza"
Los Walkers - "Siboney"
Los Wembler's De Iquitos - "La Danza Del Petrolero"


Vai fundo gafanhoto. Aperta esse play ai que eu sei que tu quer! Vou até mandar um shot de Chicha.

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2017 em grooves: 50 discos para a música interplanetária

Mais uma rodada anual com lançamentos soberbos. Essa é a frase perfeita para caracterizar o ano de 2017, dentro de suas diversas facetas sonoras. Do Rock ao Jazz, do Rock Progressivo ao Funk, mais uma vez, teve de tudo, o difícil mesmo foi ficar atento no meio desse belíssimo tiroteio sonoro.

A única parte triste é que, se por um lado esse ano reservou grandes discos, por outro, o resenhista que cá vos escreve não teve tempo nem de ir ao banheiro, quanto mais para resenhar todos os trabalhos que aqui serão abordados.


Pra quem já conhece o Macrocefalia Musical, vale ressaltar que esse modelo de listas não é muito apoiado nessa instituição, mas como o caráter informativo desse formato é bastante útil para dar projeção aos grooves, nosso núcleo psicodélico resolveu listar 50 trampos irados que saíram em 2017 e que você não pode deixar de sacar.

Sem seguir ordem alfabética ou segmentar por estilo, a lista vai surgindo conforme os discos foram pipocando nos fones. Apreciem todos, sem moderação alguma. O recomendado é manter os neurônios no banho maria do volume máximo.

1) Ronald Bruner - Triumph




Requisitadíssimo baterista, Ronald Bruner Jr. ficou conhecido no Brasil como o "irmão do baixista Thundercat". Isso vai cair por terra depois que você parar pra sacar o primeiro disco solo do cidadão. 

Ele não só faz miséria nos kits, como ainda canta e convida uma vasta leva de novos músicos (como seu irmão e o Kamasi Washington, por exemplo) para participar da gravação desse Jazz todo trabalhado na modernidade.


2) Siena Root - A Dream Of Lasting Peace



Quinto disco de estúdio de uma das bandas mais azeitadas da Suécia, o Siena Root voltou com uma fórmula sonora diferenciada, após algumas mudanças na formação e chegou com um novo frontman para eternizar o bom gosto de "A Dream Of Lasting Peace".

Agora com Samuel Bjoro no lugar de Jonas Ahlen (que tinha gravado o também muito bom "Pioneers" de 2014), a banda parece ter ligado os amplificadores no 220 e acho que daqui pra frente os intervalos entre as novas gravações tem tudo para serem menores. Haja psicodelia com requintes de Blues.


3) Kiko Dinucci - Cortes Curtos




Primeiro registro solo de um dos guitarristas mais criativos da cena de São Paulo, "Cortes Curtos", do versátil compositor Kiko Dinucci foi, com toda a certeza, um dos maiores lançamentos nacionais de 2017.

Com uma cozinha que mergulha no experimentalismo de arranjos que emulam um caos Punk-Rock repleto de ruídos e nuances demenciais, o trampo teve o envolvimento de músicos que já tinha trabalhado com o guitarrista anterioemente.

Só pra dar uma palinha, o CD conta com a vocalista Juçara Marçal, o saxofonista Thiago França (ambos do Metá Metá) e outros comparsas do músico, como o baixista Marcelo Cabral (Criolo) e o batera Sergio Machado, além do também guitarrista Guilherme Held e tantos outros grandes nomes da cena.

Vale a pena enfiar o pé na jaca nesse cavacasso noize groove.


4) Jaco Pastorius - Truth, Liberty & Soul 



Jaco Pastorius ao vivo com uma Big Band de 22 meliantes, malhando o Jazz como poucas vezes já foi visto, tudo isso com requintes de crueldade já que, se não fosse pela NPR Jazz Alive, essas gravações estariam engavetadas até hoje.

Registrando uma performance estelar de um dos maiores baixistas de todos os tempos, o conteúdo, não só sonoro, mas também visual (graças ao belo box que dá vida a essa edição), mostra um inspiradíssimo Jaco tocando com 2 times de futebol e fazendo todos suarem a tanga pra acompanhar as suas 4 cordas.

É uma apresentação absurda, um registro que saiu debaixo da poeira para comprovar que esse senhor era um monstro, sejam em trio, quarteto, com big band, no seco e até mesmo na chuva. 27 de junho de 1982 fica logo ali, tamanha a qualidade do áudio dessa gravação. Até arrepia só de escrever esse comentário.


5) Funkadelic - Live: Meadowbrook, Rochester, Michigan



Mais um gigantesco live que ganhou projeção após ser relançado, essa apresentação do Funkadelic realizada no dia 12 de setembro de 1971 é o único registro ao vivo da banda em seu auge. 

Tocando com um peso descomunal e ainda numa fase bastante experimental, esse trabalho pega a banda bem no perído do Maggot Brain, clássico que foi lançado em agosto do mesmo ano e que alçaria o grupo ao estrelato.

Numa caótica mistura de L.S.D. + Eddie Hazel + KG's de distorção e muito Funk, essa reedição que resgata o conteúdo que foi lançada na primeira leva (em 1996) é a equação perfeita para um incêndio nos falantes de sua residência.


6) Kamasi Washington - Harmony Of Difference



Foi difícil pensar que o Kamasi Washington poderia suceder o triplex jazzístico "The Epic", mas ele conseguiu, e o mais "engraçado" foi que o saxofonista americano fez isso com um EP.

Para mostrar o seu lado minimalista, mas ainda assim explorar o seu fino trato melódico, o músico explora harmonias com maestria, para esse que foi o seu primeiro lançamento pelo selo The Young Turks. Definitivamente vale o play.


7) Tim Bernardes - Recomeçar 



Primeiro disco solo deste que é um dos principais compositores de sua geração, "Recomeçar" é a intimista e bastante competente estreia solo de Tim Bernardes.

Famoso por ser o front man do trio de sampa, "O Terno", nesse registro, Tim ainda trata das mazelas do sofrimento, mas dessa vez com um caráter completamente diferente, se comparado ao humor com o qual o Terno (as vezes) ameniza a sofrência em suas músicas.

Cheio de bonitos e ricos arranjos, "Recomeçar" definitivamente vale uma atenção especial. É de fato um disco bastante deprê, mas que revela grande sentimento e sutileza.


8) Thundercat - Drunk



Terceiro disco de estúdio de um dos músicos mais dementes que habita o planeta terra nos últimos anos, "Drunk" é o trabalho responsável por colocar Stephen Bruner, bem ali, exatamente onde ele merece: nos maiores palcos do mundo.

No holofote do groove, é exatamente nesse X que o baixista Thundercat precisa estar. Com uma técnica exuberante e um versátil trabalho de vocais, o americano chegou com um disco duplo cheio de nuances e participações de músicos como Kendrick Lamar, Kenny Loggins, Kamasi Washington e Michal McDonald... É mole?!


9) Radio Moscow - New Beginnings



Quinto álbum de estúdio de um dos maiores power trios do momento, "New Beginnings" é a mais recente muqueta que o Radio Moscow dará na sua cara.

Com uma pegada bem parecida com a sensação de colocar a língua na tomada, esse play registra o que uma banda entrosada é capaz de fazer num de seus picos criativos.

Preste atenção no trampo de guitarras do Parker Griggs, mas não pense que é só ele que manja ali não... Paul Marrone (bateria) e Anthony Meier (baixo) também fazem um trabalho insano nessa gravação.


10) Eric Lau - Examples



Quinto disco de estúdio do produtor e DJ britânico Eric Lau, "Examples" é um trabalho bastante sinuoso e que mostra como esse senhor sente o groove de maneira diferenciada.

Recheado com 28 tracks, porém sempre explorando sua veia minimalista, o disco é tão leve que o ouvinte nem percebe. Sr Lau só vai ali, na moral, trabalhando seu approach Funky-Hip-Hop com muita classe no groove.

Ideal para ouvir depois de um dia de trampo, "Examples" merece até um sardola para esfumaçar o ambiente.


11) Frank Zappa - Halloween 77



Quem é fã de Frank Zappa já se ligou que a Zappa Family Trust está lançando vários novos registros do guitarrista com o maior bigode do mundo.

Em sua maioria composta por absurdos ao vivo, essa nova leva desenfreada de Zappa que está saindo pelo ladrão é riquíssima, mas "Halloween 77" foi de longe o maior trampo póstumo que foi liberado em 2017.

Um registro histórico de algumas noites seguidas de Frank no Palladium, essa edição tripla mostra como os gênios funcionam quando estão em seu auge.


12) David Bowie - Cracked Actor



Mais um daqueles discos que definitivamente representam os seus criadores no auge e com grande classe, "Cracked Actor", mostra que durante a "Diamond Dogs" tour de 1974, não tinha pra ninguém. O Bowie estava voando.

Com uma bandaça no apoio e com uma participação primorosa do brilhante, porém pouco lembrado baixista Douglas Rauch (Santana/Betty Davis/Lenny White), esse disco chega com uma cadência nas 4 cordas que não é brinquedo não.

Infelizmente o americano morreu prematuramente. No dia 23 de abril de 1979 o senhor que empresta seu feeling para eternizar o estupendo "Caravenserai" (72) do Santana, nos deixaria de maneira trágica, em função de uma overdose de heroína.


13) Rodrigo Nassif Quarteto - Rupestre do Futuro



Se tem um cara que vem tomando a cena instrumental de assalto nos últimos tempos. esse meliante é o Rodrigo Nassif. Com discos ricos em termos de abordagens e mescla de estilos, além de propostas amplamente ritmicas, a paleta de sons do gaúcho cresce a cada dia e em 2017 ganhou mais um novo capítulo junto de seu quarteto.

"Rupestre do Futuro" foi o resultado de suas mais recentes experimentações e, mais uma vez, vale muito a pena dar uma orelhada no que o grupo criou dentro de estúdio. Qualidade musical e técnica, sempre a serviço do groove.


14) Sampha - Process



Primeiro e aguardado disco solo do britânico Sampha, "Process" é o resultado de alguns anos matutando uma ideia que estava na mente do compositor desde 2010, com o lançamento do EP "Sundanza" e em 2013 com outro EP, dessa vez o também competente "Dual".

Com grande tato para a elaboração de arranjos, o músico bolou uma mistura de Soul/R&B que é tudo, menos retrô. Com um olhar clínico para o futuro e as possibilidades que ele pode nos brindar através da música, "Process" é um disco que precisa ser assimilado durante algum tempo. Acredite, a profundidade dessas notas carrega grande carga emocional.

 


15) Elder - Reflections Of a Floating World



Uma das bandas mais interessantes pra quem curte aquelas composições épicas que, mais até do que o tempo, extrapolam o caráter sensorial do som, o combo Elder, grupo radicado em Massachusets, chegou, novamente, com um belo disco debaixo do braço em 2017.

"Reflections Of a Floating World" teve uma missão difícil, suceder o excelente "Lore", lançado em 2015. Um de seus feitos foi justamente conseguir manter um nível tão alto, algo que é praticamente de praxe para a banda, que desde 2009, segue, disco após disco, alçando voos cada vez mais vertiginosos frente a uma autêntica mistura de Prog, Sludge, Stoner e muita, mas muito improvisação.


16) - Hermeto Pascoal & Grupo - No mundo dos Sons



Primeiro disco do Hermeto Pascoal & Grupo em 12 anos, "No Mundo dos Sons", é um disco duplex que saiu através do Selo SESC, e, pra variar, trata-se de um excelente trabalho no hall das Hermetagens.

Hermeto, aos 81 anos está acompanhado de uma bandaça, inspiradíssimo em termos de composição e fez de 2017 um de seus anos mais produtivos, totalizando 3 lançamentos: um pelo selo Natura Musical e outra gravação-resgate da Far Out Recordings (além desse registro é claro).

Fique tranquilo que o Homem de Gelo vai aparecer mais duas vezes nessa lista e mais detalhes serão dados sobre os mais recentes baiões Herméticos. É um prazer ver esse cidadão fazendo música.


17) Aminoácido - Meticuloso



Um dos grandes trabalhos nacionais do ano veio de Londrina. Aliás, vale (e muito) sacar a cena de lá, pois em termos de riqueza sonora, acredito que poucas capitais estejam fazendo frente, não só pela quantidade de bandas, mas também qualidade de suas produções.

Formada por 4 meliantes que gostam de Zappa, King Crimson, groove e aquelas doses de Jazz bem tortas e obscuras, Aminoácido é um combo (quase) instrumental formado por Thiago Frazim (guitarras), Douglas Labigalini (bateria), Cristiano Ramos (guitarra) e Lugue Henriques (baixo)

A banda que inclusive está confirmada no Psicodália 2018 já gravou seu segundo trabalho, então saque o primeiro antes que 2018 entre com o pé no seu peito, graças ao segundo play desses criativos senhores... Logo mais está na praça.

 


18) Ezra Collective - Juan Pablo The Philosopher



Uma das grandes bandas de Jazz da safra de UK, o Ezra Collective é mais um grupo da terra da rainha que desponta graças a uma sonoridade de balanço fácil e diversas influências com sotaque afro-caribenho.

O EP "Juan Pablo The Philosopher", chega mais uma vez com essa filosofia de trabalho, compilando 6 faixas num pano de fundo harmonicamente muito bem explorado e repleto de melodias cheias de marra. 

O entrosamento do quarteto é fino, vale a pena colocar um terno antes do play... As vezes penso que nem possui um pano tão classe pra sacar tamanha grooveria.


19) Nubya Garcia - Nubya's 5ive



Primeiro disco de uma das musicistas mais interessantes e criativas de sua geração, "Nubya's 5ive" é o primeiro full lengh de Nubya Garcia. Mais um destaque do cast da Jazz Re:freshed, Nubya possui filiações com o já citado Ezra Collective e o também interessante Moses Boyd.

Olho vivo nessa cena de UK. São diversos músicos bastante técnicos, todos envolvidos em diversos projetos que se confundem nas line ups de cada grupo entre si, sendo que o foco é apenas um só: expandir o Jazz, seja ele Funk, Fusion ou Prog... E é exatamente isso que essa senhora faz aqui, tudo com um gosto de "Afro", caliente, meio Dizze Gillespie.


20) As Bahias e a Cozinha Mineira - Bixa



Segundo disco de estúdio (após "Mulher" - 2015) de uma das bandas mais azeitadas na cena paulista, "Bixa", é o resultado que se encontra depois que você joga um pouco de Funk com raspas de música eletrônica no liquidificador.

Formada pelas vozes de Assucena e Raquel Virgínia + as guitarras de Rafael Acerbi, o combo ainda conta com Rob Ashtoffen (Chaiss), Carlos Eduardo Samuel, Danilo Moura e Vitor Coimbra. 

Com uma pegada mais Pop dançante, "Bixa" chega com uma pegada radiofônica bastante contundente e impressiona pelo arrojo dos arranjos e composições, com produção assinada por Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral (Sabotage/Criolo).

Se liga no bass do Rob Ashtffen!


21) Macaco Bong - Deixa quieto



Sexto disco de estúdio de um dos pilares da música instrumental brasuca, "Deixa Quieto" talvez seja um dos trabalhos mais surpreendentes do Macaco Bong.

Com uma proposta nada fácil de propor releituras para as faixas do "Nevermind" do Nirvana, esse disco pega as composições dos meliantes mulambentos de Seattle e mostra dezenas de novas possibilidades para um som que, apesar de parecer simples, só ficou rico dessa maneira em função da preciosidade no minimalismo dos americanos.

Vale a pesa ouvir com bastante atenção. O trampo de guitarra barítona é classudo, o bass monta estruturas muito interessantes em termos harmônicos e a batera emula um Jazz que nem cachorro come.


22) Gov't Mule - Revolution Gone... Revolution Go



Décimo primeiro disco de estúdio de uma das bandas com maior longevidade e respectiva solidez em seus lançamentos, "Revolution Gone... Revolution Go" é, pra variar, mais um discão libera pelo Gov't Mule.

Com composições sinuosas, repletas de feeling e um entrosamento praticamente telepático, é desnecessário dizer que trata-se de mais um registro acima da média do combo liderado por Warren Haynes.

Gov't Mule é foda, saiu disco novo, tem que comprar.


23) P.P. Arnold - The Turning Tide



Mais uma gravação que graças ao deus Jimi Hendrix não ficou engavetada, "The Turning Tide" é o póstumo primeiro disco solo de PP Arnold. Para você que leu essa primeira oração e se perguntou: "tá, mas e ai?!", vale levar que essa senhora foi vocalista de apoio da banda de Ike Turner, aquele lá que dava umas bofetadas na Tina.

Com produção de Clapton Is God e do saudoso Barry Gib, esse trampo ficou incógnito durante mais de 50 anos e só saiu depois de muito processo e bateção de martelinho na corte. Com músicas de Barry & Maurice Gibb (Bee Gees), Steve Winwood e participações de diversos mestres da música globalizada, esse trampo precisava ver a luz do dia, pena que demorou tanto, mas pelo menos saiu rs.


24) Hermeto Pascoal & Grupo Vice Versa - Viajando com o Som



Outra gravação que quase ficou esquecida, "Viajando com o Som" foi resgatado pela Far Out Recordings, logo ali, no ano de 1976. 

Numa sessão que durou 2 dias de viagem no Estúdio Vice Versa, de Rogério Duprat, esse registro contou com Zé Eduardo Nazário (bateria), Zéca Assumpção (baixo), Lelo Nazário (piano), Mauro Senize, Raul Mascarenhas e Nivaldo Ornelas (todos no sax), Aleuda Chaves na voz e Toninho Horta na guitarra... Tiração, diz aí?!

Foram quase 40 anos no limbo, mas eis que essa jam com conexão praticamente espiritual saiu e mostra um dos maiores gênios da música em estado de pura elevação.


25) Red Mess - Red Mess



Primeiro e aguardadíssimo trampo de estúdio do Red Mess, "Into The Mess" é o que acontece com os seus ouvidos depois que esse trio de Londrina apertou o "REC" nos estúdios.

Com composições muito bem trabalhadas, além de uma gravação que privilegia a qualidade de cada um dos músicos do trio, sempre com linhas plenamente audíveis, esse disco é a prova de que se lá atrás, com os EP's "Crimson" (2014) e "Drowning In Red" (2015), esses caras eram uma promessa da cena, acredito que depois do fim do disco até você vai considerar que essa promessa já virou realidade faz tempo.


26) Chaiss - Charas



Terceiro disco de estúdio do projeto de Jazz-Fusion/Prog/Funk, Chaiss, "Charas" é um ótimo registro e a sua principal mensagem é que a mudança é um dos maiores bens para a oxigenação da música.

Com um line up renovado e com uma dinâmica sonora reconstruída, esse disco chega com um brilho diferente dos outros trabalhos do grupo e aposta na sutileza e no feeling para consolidar uma brisa fortíssima que é chefiado pelo Rob Ashtoffen (bass) e o senhor Fábio de Albuquerque (bateria), além de Eder Hendrix nas guitas e Vinicius Chagas na flauta/sax.

*Nós resenhas o disco e trocamos uma ideia com a banda. Pra conferir, basta só chegar junto nesse link.


27) Sharon Jones & The Dap-Kings - Soul of a Woman



Nos últimos anos o mundo da música se acostumou a torcer pela volta de Sharon Jones. Quando tudo parecia próximo do fim, ela venceu um câncer, mas ele voltou e levou a diva do Soul no dia 18 de novembro de 2016.

Deve ter sido difícil para os Dap-Kings... Finalizar um disco tão forte quanto esse, logo após tantos anos de drama com certeza foi pesado, mas depois de colocar "Soul Of A Woman" nos falantes, sorrir é inegável: Sharon sentia e valoriza a música como poucos. Sua partida será sentida, mas seus grooves seguirão no play. Pode acreditar.


28) Curtis Harding - Face Your Fear



Segundo disco solo de um dos mais competentes Soul men de sua geração, "Face Your Fear" é a prova de que um raio pode sim cair duas vezes no mesmo lugar.

Depois que apareceu na cena com o interessante, "Soul Power", 2 anos trás, muita gente achou que era um lance retrô com data de validade, mas ai o negrão chegou junto e jogou mais um tijolo na praça. E aí, quem é o seu deus agora?!

Pra curte Leon Bridges e até mesmo um lance mais na pegada do Benjamin Clementine, é só apertar o play sem nem pestanejar.


29) Christian Scott - Ruler Rebel



Continuando o legado deixando em "Stretch Music", lançado em 2015, com "Ruler Rebel", Christian Scott continua lapidando seu pouco ortodoxo fraseado em prol do Jazz.

Esse disco faz parte uma trilogia "The Centennial Trilogy", que visa comemorar o lançamento da primeira gravação de Jazz da história, trata-se de "Livery Staple Blues" da Original Dixeland Jass Band, que foi liberado em 1917.


O esquema é o aquele de sempre, reinvenções repletas de grooves, com texturas de sintetizadores e loops embriagantes.


30) Yazz Ahmed - La Saboteuse



Segundo disco de estúdio de uma das mulheres que prometem fazer barulho no futuro Jazzístico, "La Saboteuse" é um impressionante full lengh, fruto da psicodélica cabeça de Yazz Ahmed.

Figura carimbada nos cast de bandas como Radiohead e até mesmo algumas produções de Lee Scratch Perry, a trompetista britânica faz um som que precisa ser ouvido, a descrição não é o suficiente.

Rola uns lances de Fusion, mas ai do nada o tempo do som quebra, fica mais groovy, dai rola um loop e parece que estamos falando árabe. É loucura. É novo. Um respiro de ar fresco. A música ainda empolga e muito.


31) Les Amazones d'Afrique - République Amazone



Um dos discos que me fez realmente ficar impressionado foi esse debutante de um grupo de mulheres do Mali. "République Amazone", é um disco primoroso, uma carta aberta ao sexismo em forma de bass music.

Com arranjos surpreendentes e influências que parecem cruzar a música local com um show ao ar livre em pleno Sound System jamaicano dos anos 60/70, esse disco bate com força. Quero ver segurar a mulherada, se elas conseguiram sair do Mali depois de tanto perrengue desde a fundação do grupo em 2015... Agora que o trampo chegou até no Brasil então. Vish.


32) Binker & Moses - Journey To The Mountain Of Forever



O pessoal da Inglaterra deve ter colocado alguma coisa na água, por que sinceramente, só isso explica o motivo de tantas bandas estarem pipocando na terra do Twinnings... Os grupos estão chegando igual conta na casa de pobre. É algo impressionante.

O Binker & Moses é mais um deles. Dessa vez com uma sonoridade e uma dinâmica que exploram o improviso do Spiritual Jazz, o duo faz miséria num dos discos mais profundos lançando em 2017. O batera toca no Moses Boyd e o Binker Moses (Sax) anda ouvindo muito John Coltrane.

Escuta ai e pode comentar... O que é esse tal (duplex) "Journey To The Mountain Of Forever"?!


33) Hermeto Pascoal & Big Band - Natureza Universal



Prometo que essa será a última vez que Hermeto será citado (nessa lista em particular). Pois bem, seu segundo registro de estúdio em 20017 conta com o mago fazendo o que ele mais gosta: arranjando.

Pensando a música em suas mais de bilhões de possibilidades e com nomes de gabarito que possam executar o que ele imagina. Esse é o plano de fundo de Natureza Universal, disco que saiu através do selo Natura Musical e que conta com a orquestra de Tatuí tocando Hermetagens.

Coisa finíssima. 81 anos e fôlego criativo quem nem moleque de 20 consegue manter.


34) Hammerhead Blues - Caravan Of Light



Primeiro disco de uma das bandas mais inflamáveis de sampa, "Caravan Of Light" é o último prego no caixão dos céticos quanto ao nível de excelência que um Blues-Rock em formato power trio pode atingir em pleno 2017.

Depois  de aparecer em 2014 com o EP homônio, o trio formado por Luiz Felipe Cardim (guitarras), Otavio Cintra (baixo/vocais) e William Paiva (bateria) chega com "Caravan Of Light", mais um discaço no cast da Abraxas Records.


35) Trevor Lawrence Jr - Relationships



Mão vocalista dos The Supremes, pai saxofonista e membro da Wonderlove, banda de apoio do Stevie Wonder nos anos 70. O mínimo que dava pra prever disso aí é que o filho que resultaria desses 2 ai seria músico.

Baterista, e dos (muito) bons, Trevor Lawrence Jr. é um dos caras mais concorridos da cena Jazz/Hip-Hop americana, ainda mais quando o assunto é sessão de estúdio. Tendo tocado com caras como Quincy Jones, Herbie Hancock e Dr. Dre, esse cidadão mostra uma técnica grandiosa e muita versatilidade a serviço do groove.

Com participações dos saxofonistas Kamasi Washington e Maurice Brown (isso só pra citar alguns), o meliante gravou seu primeiro projeto solo ("Relationships") e o resultado dessa Jazz com pinta de Soul não poderia ser melhor.


36) Christian Scott - Diaspora



Segundo disco da trilogia "The Centennial Trilogy", "Diaspora", que saiu em junho de 2017, chega com um som diferente de seu antecessor (o já citado "Ruler Rebel", que pega um pouco da fase "Stretch Music").

Aqui a pegada é puxada pra um trap e o resultado encontra um fit com a música eletrônica que é o maior barato. Ah se essa moda de expansão Jazzística resolve pegar... E bateu.



37) Maurice Brown - The Mood



O Maurice Brown faz um dos coquetéis jazzísticos mais deslumbrantes da cena atual. Tratado a pão de ló pela crítica (com extrema justiça), o trompetista arranja e produz com uma facilidade (quase) irritante e, quando está gravando solo, pega o Jazz e bate com Hip-Hop aí quem escuta até pensa que é fácil.

Em "The Mood", sua saga continua e eu não digo nada se ele agarrar mais um Grammy com esse trampo. Mais um disco para se torrar um na paz de Miles Davis.


38) Itiberê Zwarg & Universal Music Orchestra - Universal Music



Fruto do convite do produtor Thomas Noreila, Itiberê Zwarg elaborou um concerto com algumas de suas composições e arranjos para a Universal Music Orchestra, da Finlândia (!)

O registro foi feito em 2015, mas só saiu em 2017, cortesia do pessoal da Biscoito Fino. Vale ressaltar que o trabalha ainda conta com a participação do Bruxo, Hermeto Pascoal, seu companheiro há mais de 40 anos.


39) Christian Scott - The Emancipation Procrastination



Pra fechar um dos projetos mais ousados do ano, o disco que fecha a trilogia do excêntrico Christian Scott, é o maior ponto de ruptura do projeto: trata-se de "The Emancipation Procrastination", que saiu em outubro.

Esse disco é o fechamento, a cerimônia de encerramento de um projeto que pega o Jazz tradicional e explode suas raizes nas mais variadas ramificações contemporâneas, mostrando que o estilo é o passado, o presente e o futuro.


40) Gragoatá - Gragoatá


Arte: Rodrigo Toscano

Com uma pegada MPBista meio bucólica, o Gragoatá foi uma das gratas surpresas nacionais de 2017 nessa cena. Com arranjos leves, letras criativas e bastante diversificadas, o som dos cariocas está conquistando um público grande e bastante heterogêneo.

O disco vai do baião ao Tropicalismo e carrega uma beleza sinuosa, de quem sente o que está tocando. Formado por Rebeca Sauwen, Fanner Horta e Renato Cortes, o grupo de Niterói mostra bastante maturidade logo de cara, em seu debutante de estúdio.


41) Steely Dan - Live In The Studio: The Record Plant 1974



Estava eu ouvindo Steely Dan no Spotify uns 3 meses atrás, quando me deparo com esse lançamento. Agora o trampo sumiu do aplicativo, mas é possível encontrar esse live no mítico Record Plant (gravado em 74), no meu, no seu, no nosso Youtube.

Se bem que se você escrever exatamente o que está escrito no título do disco (logo acima), ele aparece no Spotify, mas não sei por qual motivo, razão ou circunstância, ele não aparece listado junto com os outros trabalhos da banda.

Mais louco que isso só o fato desse trampo ter saído assim, do nada e o pior: sem formato físico. Até agora nenhuma novidade surgiu e acredito que os últimos processos envolvendo o nome do Steely Dan podem ter alguma relação com esse chá de sumiço.

Mas não desistam! Procurem com afinco, essa gravação ao vivo mostra o Dan voando baixo, bem na fase "Pretzel Logic"e com um peso na batera que ficou o mais puro veneno.


42) Janis Joplin - Live In The Netherlands 1969: The Rare Amsterdam TV Broadcast



Outro músico que me fez perder o sono esse ano foi, no caso, uma senhora. A dona Janis Joplin lançou 4 trabalhos esse ano e nenhum deles saiu em formato físico.

3 deles são broadcasts para a TV e  1 é uma compilação que pega um pouco de tudo + um sons no programa do Dick Cavett. Se liga:

Amsterdam - Holanda (1969)
Frankfurt - Alemanha (1969)
Estocolmo - Suécia (1969)
The Television Broadcast Sessions 1968-1970

Os set lists são bem parelhos em todos os trabalhos, mas só quem já ouviu essa senhora ao vivo sabe: cada show era um show. Taloco. Em Amsterdam, certeza que ela deu um tapa antes do show rs.


43) Pedro Salvador - Pedro Salvador 


Arte: Julia Danesi

Primeiro disco solo de um dos músicos mais requisitados e originais de Maceió, o workaholic Pedro Salvador enfim gravou seu primeiro disco solo.

Sim, depois de alguns anos de estrado com a Necro, Messias Elétrico e outros projetos locais, o cidadão resolveu gravar sozinho e o resultado não poderia  ser melhor.

Cheio de swing e influências regionais, Pedro toca todos os instrumentos do disco e ainda emula diversas cozinhas, do Blues ao Ragga Roots. Vale a pena orelhar.


44) Nate Smith - Postcards from Everywhere



Debutante de um dos bateristas mais badalados dos últimos tempos, "Postcards From Everywhere" é o tipo de disco que paga qualquer fã de boa música com juros e correção.

Repleto de convidados do calibre de Chris Potter e Dave Holland, por exemplo (só pra citar alguns), esse disco não é nada cansativo com pegada mecânica, muito pelo contrário.

Além de contar com belas doses de Jazz e uns puta groove muito louco, uma das maiores qualidades desse disco é como o nome principal deixa sua banda de apoio brilhar. Essa galera da Kinfolk é tinhosa, papai.


45) Agusa - Agusa



Terceiro disco de estúdio de mais um grupo suéco que anda deixando muito velho Prog impressionado, "Agusa" é mais um capítulo na curta, porém nobre obra da banda que carrega o mesmo nome.

Desde 2014, quando os caras surgiram na cena com "Hogtid" e, até mesmo depois, já em 2015 ao som de "Agusa 2", esses caras vem ganhando notoriedade na cena e com um som bastante próprio, muito técnico, porém leve e sereno, repleto de paixão, sentimento e climas arrebatodores.


46) Flare Voyant - Flare Voyant


Arte: Gian Paolo La Barbera

Primeiro EP de um combo com mínimo muito bom gosto, o auto intitulado da Flare Voyant é uma surpresa, não só em termos sonoros, mas também no que tange a formação do grupo, a produção desse EP e outras coisas que você só vai sacar ouvindo as 4 faixas desse sinuoso trabalho.

Com uma pegada sexy, mesclando Funk com um Rock 'N' Roll competente o suficiente para não soar datado, o groove do grupo radicado na Inglaterra entra com classe, emanando um Jazz... Deixando dúvidas no ar, tamanho a sorte de influências e a qualidade da produção de ficou a cargo de nada mais nada menos que Chris Kimsey (Rolling Stones/Peter Frampton/Spooky Tooth).

Com 2 brasileiros num dos combos mais globalizados que o senhor terá notícias no meio do groove contemporâneo, é no mínimo válido ressaltar o trabalho das baterias de Lucas Roxo e das guitarras de Rodrigo Bourganos (Bombay Groovy) que ainda fez os backing vocals e algumas teclas.

Coisa finíssima, nem vou falar muito pra não perder a graça.


47) The Claypool Lennon Delirium - Lime and Limpid Green



Depois de lançar "Monolith Of Phobos" no dia 03 de julho de 2016, o duo The Claypool Lennon Delirium gozou de merecida notoriedade na cena psicodélica mundial.

Com uma sonoridade lisérgica e com uma química bastante peculiar entre Les Claypool e Sean Lennon, os americanos conseguiram criar uma atmosfera grandiosa em seu primeiro play, o que fez com que a crítica estivesse bem ligada para a sequência desse projeto.

E com o EP "Lime and Limpid Green", lançado em 2017 como um especial do Record Store Day, os caras vieram com menos material é verdade, mas o projeto com 4 covers de alguns dos gigantes do Rock Progressivo não deixou de manter a audácia  do trampo anterior.

Vale dar uma pirada com as versões de Floyd, Satori, King Crimson, The Who e Flower Travellin' Band que os caras criaram.


48) Quarto Ácido - Paisagens e delírios



Primeiro full lengh do combo instrumental Quarto Ácido, "Paisagens e Delírios" é um belo blend entre os timbres repletos de Fuzz dos '70 com uma pegada psicodélica altamente classuda.

Seguindo a linha criativa dos EP's que sucederam esse projeto, mas agora com mais tempo para explorar climas e dinâmicas, esse disco (lançado no dia 22 de setembro de 2017) impressiona pela exatidão e feeling do músicos envolvidos em mais um lançamento da Abraxas.


49) Michael Pipoquinha - Lua



Disco solo do extraterrestre baixista Michael Pipoquinha, "Lua" é uma das obras mais contundentes do cenário nacional em 2017.

Com um approach técnico e uma musicalidade exuberante, esse disco mostra que nas mãos desse senhor, o baixão continua evoluindo. Feeling, groove, timbres... Prepare-se para ficar impressionado com esse Jazz.


50) Collocutor - The Search 



Segundo disco de uma das bandas de Jazz mais doidas da cena de UK, "The Search" é um petardo conceitual, Jazzístico-psicodélico-Spiritual-Ocidental.

Uma viagem oblíqua e instrumentalmente guiada pela saxofonista Tamar Osborn, líder e principal compositora do projeto, esse trampo brinca com texturas num som com guias experimentais bastante profundas.

Expansão Jazzística mode on. Lóki demais.

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