2017 em grooves: 50 discos para a música interplanetária

Mais uma rodada anual com lançamentos soberbos. Essa é a frase perfeita para caracterizar o ano de 2017, dentro de suas diversas facetas sonoras. Do Rock ao Jazz, do Rock Progressivo ao Funk, mais uma vez, teve de tudo, o difícil mesmo foi ficar atento no meio desse belíssimo tiroteio sonoro.

A única parte triste é que, se por um lado esse ano reservou grandes discos, por outro, o resenhista que cá vos escreve não teve tempo nem de ir ao banheiro, quanto mais para resenhar todos os trabalhos que aqui serão abordados.


Pra quem já conhece o Macrocefalia Musical, vale ressaltar que esse modelo de listas não é muito apoiado nessa instituição, mas como o caráter informativo desse formato é bastante útil para dar projeção aos grooves, nosso núcleo psicodélico resolveu listar 50 trampos irados que saíram em 2017 e que você não pode deixar de sacar.

Sem seguir ordem alfabética ou segmentar por estilo, a lista vai surgindo conforme os discos foram pipocando nos fones. Apreciem todos, sem moderação alguma. O recomendado é manter os neurônios no banho maria do volume máximo.

1) Ronald Bruner - Triumph




Requisitadíssimo baterista, Ronald Bruner Jr. ficou conhecido no Brasil como o "irmão do baixista Thundercat". Isso vai cair por terra depois que você parar pra sacar o primeiro disco solo do cidadão. 

Ele não só faz miséria nos kits, como ainda canta e convida uma vasta leva de novos músicos (como seu irmão e o Kamasi Washington, por exemplo) para participar da gravação desse Jazz todo trabalhado na modernidade.


2) Siena Root - A Dream Of Lasting Peace



Quinto disco de estúdio de uma das bandas mais azeitadas da Suécia, o Siena Root voltou com uma fórmula sonora diferenciada, após algumas mudanças na formação e chegou com um novo frontman para eternizar o bom gosto de "A Dream Of Lasting Peace".

Agora com Samuel Bjoro no lugar de Jonas Ahlen (que tinha gravado o também muito bom "Pioneers" de 2014), a banda parece ter ligado os amplificadores no 220 e acho que daqui pra frente os intervalos entre as novas gravações tem tudo para serem menores. Haja psicodelia com requintes de Blues.


3) Kiko Dinucci - Cortes Curtos




Primeiro registro solo de um dos guitarristas mais criativos da cena de São Paulo, "Cortes Curtos", do versátil compositor Kiko Dinucci foi, com toda a certeza, um dos maiores lançamentos nacionais de 2017.

Com uma cozinha que mergulha no experimentalismo de arranjos que emulam um caos Punk-Rock repleto de ruídos e nuances demenciais, o trampo teve o envolvimento de músicos que já tinha trabalhado com o guitarrista anterioemente.

Só pra dar uma palinha, o CD conta com a vocalista Juçara Marçal, o saxofonista Thiago França (ambos do Metá Metá) e outros comparsas do músico, como o baixista Marcelo Cabral (Criolo) e o batera Sergio Machado, além do também guitarrista Guilherme Held e tantos outros grandes nomes da cena.

Vale a pena enfiar o pé na jaca nesse cavacasso noize groove.


4) Jaco Pastorius - Truth, Liberty & Soul 



Jaco Pastorius ao vivo com uma Big Band de 22 meliantes, malhando o Jazz como poucas vezes já foi visto, tudo isso com requintes de crueldade já que, se não fosse pela NPR Jazz Alive, essas gravações estariam engavetadas até hoje.

Registrando uma performance estelar de um dos maiores baixistas de todos os tempos, o conteúdo, não só sonoro, mas também visual (graças ao belo box que dá vida a essa edição), mostra um inspiradíssimo Jaco tocando com 2 times de futebol e fazendo todos suarem a tanga pra acompanhar as suas 4 cordas.

É uma apresentação absurda, um registro que saiu debaixo da poeira para comprovar que esse senhor era um monstro, sejam em trio, quarteto, com big band, no seco e até mesmo na chuva. 27 de junho de 1982 fica logo ali, tamanha a qualidade do áudio dessa gravação. Até arrepia só de escrever esse comentário.


5) Funkadelic - Live: Meadowbrook, Rochester, Michigan



Mais um gigantesco live que ganhou projeção após ser relançado, essa apresentação do Funkadelic realizada no dia 12 de setembro de 1971 é o único registro ao vivo da banda em seu auge. 

Tocando com um peso descomunal e ainda numa fase bastante experimental, esse trabalho pega a banda bem no perído do Maggot Brain, clássico que foi lançado em agosto do mesmo ano e que alçaria o grupo ao estrelato.

Numa caótica mistura de L.S.D. + Eddie Hazel + KG's de distorção e muito Funk, essa reedição que resgata o conteúdo que foi lançada na primeira leva (em 1996) é a equação perfeita para um incêndio nos falantes de sua residência.


6) Kamasi Washington - Harmony Of Difference



Foi difícil pensar que o Kamasi Washington poderia suceder o triplex jazzístico "The Epic", mas ele conseguiu, e o mais "engraçado" foi que o saxofonista americano fez isso com um EP.

Para mostrar o seu lado minimalista, mas ainda assim explorar o seu fino trato melódico, o músico explora harmonias com maestria, para esse que foi o seu primeiro lançamento pelo selo The Young Turks. Definitivamente vale o play.


7) Tim Bernardes - Recomeçar 



Primeiro disco solo deste que é um dos principais compositores de sua geração, "Recomeçar" é a intimista e bastante competente estreia solo de Tim Bernardes.

Famoso por ser o front man do trio de sampa, "O Terno", nesse registro, Tim ainda trata das mazelas do sofrimento, mas dessa vez com um caráter completamente diferente, se comparado ao humor com o qual o Terno (as vezes) ameniza a sofrência em suas músicas.

Cheio de bonitos e ricos arranjos, "Recomeçar" definitivamente vale uma atenção especial. É de fato um disco bastante deprê, mas que revela grande sentimento e sutileza.


8) Thundercat - Drunk



Terceiro disco de estúdio de um dos músicos mais dementes que habita o planeta terra nos últimos anos, "Drunk" é o trabalho responsável por colocar Stephen Bruner, bem ali, exatamente onde ele merece: nos maiores palcos do mundo.

No holofote do groove, é exatamente nesse X que o baixista Thundercat precisa estar. Com uma técnica exuberante e um versátil trabalho de vocais, o americano chegou com um disco duplo cheio de nuances e participações de músicos como Kendrick Lamar, Kenny Loggins, Kamasi Washington e Michal McDonald... É mole?!


9) Radio Moscow - New Beginnings



Quinto álbum de estúdio de um dos maiores power trios do momento, "New Beginnings" é a mais recente muqueta que o Radio Moscow dará na sua cara.

Com uma pegada bem parecida com a sensação de colocar a língua na tomada, esse play registra o que uma banda entrosada é capaz de fazer num de seus picos criativos.

Preste atenção no trampo de guitarras do Parker Griggs, mas não pense que é só ele que manja ali não... Paul Marrone (bateria) e Anthony Meier (baixo) também fazem um trabalho insano nessa gravação.


10) Eric Lau - Examples



Quinto disco de estúdio do produtor e DJ britânico Eric Lau, "Examples" é um trabalho bastante sinuoso e que mostra como esse senhor sente o groove de maneira diferenciada.

Recheado com 28 tracks, porém sempre explorando sua veia minimalista, o disco é tão leve que o ouvinte nem percebe. Sr Lau só vai ali, na moral, trabalhando seu approach Funky-Hip-Hop com muita classe no groove.

Ideal para ouvir depois de um dia de trampo, "Examples" merece até um sardola para esfumaçar o ambiente.


11) Frank Zappa - Halloween 77



Quem é fã de Frank Zappa já se ligou que a Zappa Family Trust está lançando vários novos registros do guitarrista com o maior bigode do mundo.

Em sua maioria composta por absurdos ao vivo, essa nova leva desenfreada de Zappa que está saindo pelo ladrão é riquíssima, mas "Halloween 77" foi de longe o maior trampo póstumo que foi liberado em 2017.

Um registro histórico de algumas noites seguidas de Frank no Palladium, essa edição tripla mostra como os gênios funcionam quando estão em seu auge.


12) David Bowie - Cracked Actor



Mais um daqueles discos que definitivamente representam os seus criadores no auge e com grande classe, "Cracked Actor", mostra que durante a "Diamond Dogs" tour de 1974, não tinha pra ninguém. O Bowie estava voando.

Com uma bandaça no apoio e com uma participação primorosa do brilhante, porém pouco lembrado baixista Douglas Rauch (Santana/Betty Davis/Lenny White), esse disco chega com uma cadência nas 4 cordas que não é brinquedo não.

Infelizmente o americano morreu prematuramente. No dia 23 de abril de 1979 o senhor que empresta seu feeling para eternizar o estupendo "Caravenserai" (72) do Santana, nos deixaria de maneira trágica, em função de uma overdose de heroína.


13) Rodrigo Nassif Quarteto - Rupestre do Futuro



Se tem um cara que vem tomando a cena instrumental de assalto nos últimos tempos. esse meliante é o Rodrigo Nassif. Com discos ricos em termos de abordagens e mescla de estilos, além de propostas amplamente ritmicas, a paleta de sons do gaúcho cresce a cada dia e em 2017 ganhou mais um novo capítulo junto de seu quarteto.

"Rupestre do Futuro" foi o resultado de suas mais recentes experimentações e, mais uma vez, vale muito a pena dar uma orelhada no que o grupo criou dentro de estúdio. Qualidade musical e técnica, sempre a serviço do groove.


14) Sampha - Process



Primeiro e aguardado disco solo do britânico Sampha, "Process" é o resultado de alguns anos matutando uma ideia que estava na mente do compositor desde 2010, com o lançamento do EP "Sundanza" e em 2013 com outro EP, dessa vez o também competente "Dual".

Com grande tato para a elaboração de arranjos, o músico bolou uma mistura de Soul/R&B que é tudo, menos retrô. Com um olhar clínico para o futuro e as possibilidades que ele pode nos brindar através da música, "Process" é um disco que precisa ser assimilado durante algum tempo. Acredite, a profundidade dessas notas carrega grande carga emocional.

 


15) Elder - Reflections Of a Floating World



Uma das bandas mais interessantes pra quem curte aquelas composições épicas que, mais até do que o tempo, extrapolam o caráter sensorial do som, o combo Elder, grupo radicado em Massachusets, chegou, novamente, com um belo disco debaixo do braço em 2017.

"Reflections Of a Floating World" teve uma missão difícil, suceder o excelente "Lore", lançado em 2015. Um de seus feitos foi justamente conseguir manter um nível tão alto, algo que é praticamente de praxe para a banda, que desde 2009, segue, disco após disco, alçando voos cada vez mais vertiginosos frente a uma autêntica mistura de Prog, Sludge, Stoner e muita, mas muito improvisação.


16) - Hermeto Pascoal & Grupo - No mundo dos Sons



Primeiro disco do Hermeto Pascoal & Grupo em 12 anos, "No Mundo dos Sons", é um disco duplex que saiu através do Selo SESC, e, pra variar, trata-se de um excelente trabalho no hall das Hermetagens.

Hermeto, aos 81 anos está acompanhado de uma bandaça, inspiradíssimo em termos de composição e fez de 2017 um de seus anos mais produtivos, totalizando 3 lançamentos: um pelo selo Natura Musical e outra gravação-resgate da Far Out Recordings (além desse registro é claro).

Fique tranquilo que o Homem de Gelo vai aparecer mais duas vezes nessa lista e mais detalhes serão dados sobre os mais recentes baiões Herméticos. É um prazer ver esse cidadão fazendo música.


17) Aminoácido - Meticuloso



Um dos grandes trabalhos nacionais do ano veio de Londrina. Aliás, vale (e muito) sacar a cena de lá, pois em termos de riqueza sonora, acredito que poucas capitais estejam fazendo frente, não só pela quantidade de bandas, mas também qualidade de suas produções.

Formada por 4 meliantes que gostam de Zappa, King Crimson, groove e aquelas doses de Jazz bem tortas e obscuras, Aminoácido é um combo (quase) instrumental formado por Thiago Frazim (guitarras), Douglas Labigalini (bateria), Cristiano Ramos (guitarra) e Lugue Henriques (baixo)

A banda que inclusive está confirmada no Psicodália 2018 já gravou seu segundo trabalho, então saque o primeiro antes que 2018 entre com o pé no seu peito, graças ao segundo play desses criativos senhores... Logo mais está na praça.

 


18) Ezra Collective - Juan Pablo The Philosopher



Uma das grandes bandas de Jazz da safra de UK, o Ezra Collective é mais um grupo da terra da rainha que desponta graças a uma sonoridade de balanço fácil e diversas influências com sotaque afro-caribenho.

O EP "Juan Pablo The Philosopher", chega mais uma vez com essa filosofia de trabalho, compilando 6 faixas num pano de fundo harmonicamente muito bem explorado e repleto de melodias cheias de marra. 

O entrosamento do quarteto é fino, vale a pena colocar um terno antes do play... As vezes penso que nem possui um pano tão classe pra sacar tamanha grooveria.


19) Nubya Garcia - Nubya's 5ive



Primeiro disco de uma das musicistas mais interessantes e criativas de sua geração, "Nubya's 5ive" é o primeiro full lengh de Nubya Garcia. Mais um destaque do cast da Jazz Re:freshed, Nubya possui filiações com o já citado Ezra Collective e o também interessante Moses Boyd.

Olho vivo nessa cena de UK. São diversos músicos bastante técnicos, todos envolvidos em diversos projetos que se confundem nas line ups de cada grupo entre si, sendo que o foco é apenas um só: expandir o Jazz, seja ele Funk, Fusion ou Prog... E é exatamente isso que essa senhora faz aqui, tudo com um gosto de "Afro", caliente, meio Dizze Gillespie.


20) As Bahias e a Cozinha Mineira - Bixa



Segundo disco de estúdio (após "Mulher" - 2015) de uma das bandas mais azeitadas na cena paulista, "Bixa", é o resultado que se encontra depois que você joga um pouco de Funk com raspas de música eletrônica no liquidificador.

Formada pelas vozes de Assucena e Raquel Virgínia + as guitarras de Rafael Acerbi, o combo ainda conta com Rob Ashtoffen (Chaiss), Carlos Eduardo Samuel, Danilo Moura e Vitor Coimbra. 

Com uma pegada mais Pop dançante, "Bixa" chega com uma pegada radiofônica bastante contundente e impressiona pelo arrojo dos arranjos e composições, com produção assinada por Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral (Sabotage/Criolo).

Se liga no bass do Rob Ashtffen!


21) Macaco Bong - Deixa quieto



Sexto disco de estúdio de um dos pilares da música instrumental brasuca, "Deixa Quieto" talvez seja um dos trabalhos mais surpreendentes do Macaco Bong.

Com uma proposta nada fácil de propor releituras para as faixas do "Nevermind" do Nirvana, esse disco pega as composições dos meliantes mulambentos de Seattle e mostra dezenas de novas possibilidades para um som que, apesar de parecer simples, só ficou rico dessa maneira em função da preciosidade no minimalismo dos americanos.

Vale a pesa ouvir com bastante atenção. O trampo de guitarra barítona é classudo, o bass monta estruturas muito interessantes em termos harmônicos e a batera emula um Jazz que nem cachorro come.


22) Gov't Mule - Revolution Gone... Revolution Go



Décimo primeiro disco de estúdio de uma das bandas com maior longevidade e respectiva solidez em seus lançamentos, "Revolution Gone... Revolution Go" é, pra variar, mais um discão libera pelo Gov't Mule.

Com composições sinuosas, repletas de feeling e um entrosamento praticamente telepático, é desnecessário dizer que trata-se de mais um registro acima da média do combo liderado por Warren Haynes.

Gov't Mule é foda, saiu disco novo, tem que comprar.


23) P.P. Arnold - The Turning Tide



Mais uma gravação que graças ao deus Jimi Hendrix não ficou engavetada, "The Turning Tide" é o póstumo primeiro disco solo de PP Arnold. Para você que leu essa primeira oração e se perguntou: "tá, mas e ai?!", vale levar que essa senhora foi vocalista de apoio da banda de Ike Turner, aquele lá que dava umas bofetadas na Tina.

Com produção de Clapton Is God e do saudoso Barry Gib, esse trampo ficou incógnito durante mais de 50 anos e só saiu depois de muito processo e bateção de martelinho na corte. Com músicas de Barry & Maurice Gibb (Bee Gees), Steve Winwood e participações de diversos mestres da música globalizada, esse trampo precisava ver a luz do dia, pena que demorou tanto, mas pelo menos saiu rs.


24) Hermeto Pascoal & Grupo Vice Versa - Viajando com o Som



Outra gravação que quase ficou esquecida, "Viajando com o Som" foi resgatado pela Far Out Recordings, logo ali, no ano de 1976. 

Numa sessão que durou 2 dias de viagem no Estúdio Vice Versa, de Rogério Duprat, esse registro contou com Zé Eduardo Nazário (bateria), Zéca Assumpção (baixo), Lelo Nazário (piano), Mauro Senize, Raul Mascarenhas e Nivaldo Ornelas (todos no sax), Aleuda Chaves na voz e Toninho Horta na guitarra... Tiração, diz aí?!

Foram quase 40 anos no limbo, mas eis que essa jam com conexão praticamente espiritual saiu e mostra um dos maiores gênios da música em estado de pura elevação.


25) Red Mess - Red Mess



Primeiro e aguardadíssimo trampo de estúdio do Red Mess, "Into The Mess" é o que acontece com os seus ouvidos depois que esse trio de Londrina apertou o "REC" nos estúdios.

Com composições muito bem trabalhadas, além de uma gravação que privilegia a qualidade de cada um dos músicos do trio, sempre com linhas plenamente audíveis, esse disco é a prova de que se lá atrás, com os EP's "Crimson" (2014) e "Drowning In Red" (2015), esses caras eram uma promessa da cena, acredito que depois do fim do disco até você vai considerar que essa promessa já virou realidade faz tempo.


26) Chaiss - Charas



Terceiro disco de estúdio do projeto de Jazz-Fusion/Prog/Funk, Chaiss, "Charas" é um ótimo registro e a sua principal mensagem é que a mudança é um dos maiores bens para a oxigenação da música.

Com um line up renovado e com uma dinâmica sonora reconstruída, esse disco chega com um brilho diferente dos outros trabalhos do grupo e aposta na sutileza e no feeling para consolidar uma brisa fortíssima que é chefiado pelo Rob Ashtoffen (bass) e o senhor Fábio de Albuquerque (bateria), além de Eder Hendrix nas guitas e Vinicius Chagas na flauta/sax.

*Nós resenhas o disco e trocamos uma ideia com a banda. Pra conferir, basta só chegar junto nesse link.


27) Sharon Jones & The Dap-Kings - Soul of a Woman



Nos últimos anos o mundo da música se acostumou a torcer pela volta de Sharon Jones. Quando tudo parecia próximo do fim, ela venceu um câncer, mas ele voltou e levou a diva do Soul no dia 18 de novembro de 2016.

Deve ter sido difícil para os Dap-Kings... Finalizar um disco tão forte quanto esse, logo após tantos anos de drama com certeza foi pesado, mas depois de colocar "Soul Of A Woman" nos falantes, sorrir é inegável: Sharon sentia e valoriza a música como poucos. Sua partida será sentida, mas seus grooves seguirão no play. Pode acreditar.


28) Curtis Harding - Face Your Fear



Segundo disco solo de um dos mais competentes Soul men de sua geração, "Face Your Fear" é a prova de que um raio pode sim cair duas vezes no mesmo lugar.

Depois que apareceu na cena com o interessante, "Soul Power", 2 anos trás, muita gente achou que era um lance retrô com data de validade, mas ai o negrão chegou junto e jogou mais um tijolo na praça. E aí, quem é o seu deus agora?!

Pra curte Leon Bridges e até mesmo um lance mais na pegada do Benjamin Clementine, é só apertar o play sem nem pestanejar.


29) Christian Scott - Ruler Rebel



Continuando o legado deixando em "Stretch Music", lançado em 2015, com "Ruler Rebel", Christian Scott continua lapidando seu pouco ortodoxo fraseado em prol do Jazz.

Esse disco faz parte uma trilogia "The Centennial Trilogy", que visa comemorar o lançamento da primeira gravação de Jazz da história, trata-se de "Livery Staple Blues" da Original Dixeland Jass Band, que foi liberado em 1917.


O esquema é o aquele de sempre, reinvenções repletas de grooves, com texturas de sintetizadores e loops embriagantes.


30) Yazz Ahmed - La Saboteuse



Segundo disco de estúdio de uma das mulheres que prometem fazer barulho no futuro Jazzístico, "La Saboteuse" é um impressionante full lengh, fruto da psicodélica cabeça de Yazz Ahmed.

Figura carimbada nos cast de bandas como Radiohead e até mesmo algumas produções de Lee Scratch Perry, a trompetista britânica faz um som que precisa ser ouvido, a descrição não é o suficiente.

Rola uns lances de Fusion, mas ai do nada o tempo do som quebra, fica mais groovy, dai rola um loop e parece que estamos falando árabe. É loucura. É novo. Um respiro de ar fresco. A música ainda empolga e muito.


31) Les Amazones d'Afrique - République Amazone



Um dos discos que me fez realmente ficar impressionado foi esse debutante de um grupo de mulheres do Mali. "République Amazone", é um disco primoroso, uma carta aberta ao sexismo em forma de bass music.

Com arranjos surpreendentes e influências que parecem cruzar a música local com um show ao ar livre em pleno Sound System jamaicano dos anos 60/70, esse disco bate com força. Quero ver segurar a mulherada, se elas conseguiram sair do Mali depois de tanto perrengue desde a fundação do grupo em 2015... Agora que o trampo chegou até no Brasil então. Vish.


32) Binker & Moses - Journey To The Mountain Of Forever



O pessoal da Inglaterra deve ter colocado alguma coisa na água, por que sinceramente, só isso explica o motivo de tantas bandas estarem pipocando na terra do Twinnings... Os grupos estão chegando igual conta na casa de pobre. É algo impressionante.

O Binker & Moses é mais um deles. Dessa vez com uma sonoridade e uma dinâmica que exploram o improviso do Spiritual Jazz, o duo faz miséria num dos discos mais profundos lançando em 2017. O batera toca no Moses Boyd e o Binker Moses (Sax) anda ouvindo muito John Coltrane.

Escuta ai e pode comentar... O que é esse tal (duplex) "Journey To The Mountain Of Forever"?!


33) Hermeto Pascoal & Big Band - Natureza Universal



Prometo que essa será a última vez que Hermeto será citado (nessa lista em particular). Pois bem, seu segundo registro de estúdio em 20017 conta com o mago fazendo o que ele mais gosta: arranjando.

Pensando a música em suas mais de bilhões de possibilidades e com nomes de gabarito que possam executar o que ele imagina. Esse é o plano de fundo de Natureza Universal, disco que saiu através do selo Natura Musical e que conta com a orquestra de Tatuí tocando Hermetagens.

Coisa finíssima. 81 anos e fôlego criativo quem nem moleque de 20 consegue manter.


34) Hammerhead Blues - Caravan Of Light



Primeiro disco de uma das bandas mais inflamáveis de sampa, "Caravan Of Light" é o último prego no caixão dos céticos quanto ao nível de excelência que um Blues-Rock em formato power trio pode atingir em pleno 2017.

Depois  de aparecer em 2014 com o EP homônio, o trio formado por Luiz Felipe Cardim (guitarras), Otavio Cintra (baixo/vocais) e William Paiva (bateria) chega com "Caravan Of Light", mais um discaço no cast da Abraxas Records.


35) Trevor Lawrence Jr - Relationships



Mão vocalista dos The Supremes, pai saxofonista e membro da Wonderlove, banda de apoio do Stevie Wonder nos anos 70. O mínimo que dava pra prever disso aí é que o filho que resultaria desses 2 ai seria músico.

Baterista, e dos (muito) bons, Trevor Lawrence Jr. é um dos caras mais concorridos da cena Jazz/Hip-Hop americana, ainda mais quando o assunto é sessão de estúdio. Tendo tocado com caras como Quincy Jones, Herbie Hancock e Dr. Dre, esse cidadão mostra uma técnica grandiosa e muita versatilidade a serviço do groove.

Com participações dos saxofonistas Kamasi Washington e Maurice Brown (isso só pra citar alguns), o meliante gravou seu primeiro projeto solo ("Relationships") e o resultado dessa Jazz com pinta de Soul não poderia ser melhor.


36) Christian Scott - Diaspora



Segundo disco da trilogia "The Centennial Trilogy", "Diaspora", que saiu em junho de 2017, chega com um som diferente de seu antecessor (o já citado "Ruler Rebel", que pega um pouco da fase "Stretch Music").

Aqui a pegada é puxada pra um trap e o resultado encontra um fit com a música eletrônica que é o maior barato. Ah se essa moda de expansão Jazzística resolve pegar... E bateu.



37) Maurice Brown - The Mood



O Maurice Brown faz um dos coquetéis jazzísticos mais deslumbrantes da cena atual. Tratado a pão de ló pela crítica (com extrema justiça), o trompetista arranja e produz com uma facilidade (quase) irritante e, quando está gravando solo, pega o Jazz e bate com Hip-Hop aí quem escuta até pensa que é fácil.

Em "The Mood", sua saga continua e eu não digo nada se ele agarrar mais um Grammy com esse trampo. Mais um disco para se torrar um na paz de Miles Davis.


38) Itiberê Zwarg & Universal Music Orchestra - Universal Music



Fruto do convite do produtor Thomas Noreila, Itiberê Zwarg elaborou um concerto com algumas de suas composições e arranjos para a Universal Music Orchestra, da Finlândia (!)

O registro foi feito em 2015, mas só saiu em 2017, cortesia do pessoal da Biscoito Fino. Vale ressaltar que o trabalha ainda conta com a participação do Bruxo, Hermeto Pascoal, seu companheiro há mais de 40 anos.


39) Christian Scott - The Emancipation Procrastination



Pra fechar um dos projetos mais ousados do ano, o disco que fecha a trilogia do excêntrico Christian Scott, é o maior ponto de ruptura do projeto: trata-se de "The Emancipation Procrastination", que saiu em outubro.

Esse disco é o fechamento, a cerimônia de encerramento de um projeto que pega o Jazz tradicional e explode suas raizes nas mais variadas ramificações contemporâneas, mostrando que o estilo é o passado, o presente e o futuro.


40) Gragoatá - Gragoatá


Arte: Rodrigo Toscano

Com uma pegada MPBista meio bucólica, o Gragoatá foi uma das gratas surpresas nacionais de 2017 nessa cena. Com arranjos leves, letras criativas e bastante diversificadas, o som dos cariocas está conquistando um público grande e bastante heterogêneo.

O disco vai do baião ao Tropicalismo e carrega uma beleza sinuosa, de quem sente o que está tocando. Formado por Rebeca Sauwen, Fanner Horta e Renato Cortes, o grupo de Niterói mostra bastante maturidade logo de cara, em seu debutante de estúdio.


41) Steely Dan - Live In The Studio: The Record Plant 1974



Estava eu ouvindo Steely Dan no Spotify uns 3 meses atrás, quando me deparo com esse lançamento. Agora o trampo sumiu do aplicativo, mas é possível encontrar esse live no mítico Record Plant (gravado em 74), no meu, no seu, no nosso Youtube.

Se bem que se você escrever exatamente o que está escrito no título do disco (logo acima), ele aparece no Spotify, mas não sei por qual motivo, razão ou circunstância, ele não aparece listado junto com os outros trabalhos da banda.

Mais louco que isso só o fato desse trampo ter saído assim, do nada e o pior: sem formato físico. Até agora nenhuma novidade surgiu e acredito que os últimos processos envolvendo o nome do Steely Dan podem ter alguma relação com esse chá de sumiço.

Mas não desistam! Procurem com afinco, essa gravação ao vivo mostra o Dan voando baixo, bem na fase "Pretzel Logic"e com um peso na batera que ficou o mais puro veneno.


42) Janis Joplin - Live In The Netherlands 1969: The Rare Amsterdam TV Broadcast



Outro músico que me fez perder o sono esse ano foi, no caso, uma senhora. A dona Janis Joplin lançou 4 trabalhos esse ano e nenhum deles saiu em formato físico.

3 deles são broadcasts para a TV e  1 é uma compilação que pega um pouco de tudo + um sons no programa do Dick Cavett. Se liga:

Amsterdam - Holanda (1969)
Frankfurt - Alemanha (1969)
Estocolmo - Suécia (1969)
The Television Broadcast Sessions 1968-1970

Os set lists são bem parelhos em todos os trabalhos, mas só quem já ouviu essa senhora ao vivo sabe: cada show era um show. Taloco. Em Amsterdam, certeza que ela deu um tapa antes do show rs.


43) Pedro Salvador - Pedro Salvador 


Arte: Julia Danesi

Primeiro disco solo de um dos músicos mais requisitados e originais de Maceió, o workaholic Pedro Salvador enfim gravou seu primeiro disco solo.

Sim, depois de alguns anos de estrado com a Necro, Messias Elétrico e outros projetos locais, o cidadão resolveu gravar sozinho e o resultado não poderia  ser melhor.

Cheio de swing e influências regionais, Pedro toca todos os instrumentos do disco e ainda emula diversas cozinhas, do Blues ao Ragga Roots. Vale a pena orelhar.


44) Nate Smith - Postcards from Everywhere



Debutante de um dos bateristas mais badalados dos últimos tempos, "Postcards From Everywhere" é o tipo de disco que paga qualquer fã de boa música com juros e correção.

Repleto de convidados do calibre de Chris Potter e Dave Holland, por exemplo (só pra citar alguns), esse disco não é nada cansativo com pegada mecânica, muito pelo contrário.

Além de contar com belas doses de Jazz e uns puta groove muito louco, uma das maiores qualidades desse disco é como o nome principal deixa sua banda de apoio brilhar. Essa galera da Kinfolk é tinhosa, papai.


45) Agusa - Agusa



Terceiro disco de estúdio de mais um grupo suéco que anda deixando muito velho Prog impressionado, "Agusa" é mais um capítulo na curta, porém nobre obra da banda que carrega o mesmo nome.

Desde 2014, quando os caras surgiram na cena com "Hogtid" e, até mesmo depois, já em 2015 ao som de "Agusa 2", esses caras vem ganhando notoriedade na cena e com um som bastante próprio, muito técnico, porém leve e sereno, repleto de paixão, sentimento e climas arrebatodores.


46) Flare Voyant - Flare Voyant


Arte: Gian Paolo La Barbera

Primeiro EP de um combo com mínimo muito bom gosto, o auto intitulado da Flare Voyant é uma surpresa, não só em termos sonoros, mas também no que tange a formação do grupo, a produção desse EP e outras coisas que você só vai sacar ouvindo as 4 faixas desse sinuoso trabalho.

Com uma pegada sexy, mesclando Funk com um Rock 'N' Roll competente o suficiente para não soar datado, o groove do grupo radicado na Inglaterra entra com classe, emanando um Jazz... Deixando dúvidas no ar, tamanho a sorte de influências e a qualidade da produção de ficou a cargo de nada mais nada menos que Chris Kimsey (Rolling Stones/Peter Frampton/Spooky Tooth).

Com 2 brasileiros num dos combos mais globalizados que o senhor terá notícias no meio do groove contemporâneo, é no mínimo válido ressaltar o trabalho das baterias de Lucas Roxo e das guitarras de Rodrigo Bourganos (Bombay Groovy) que ainda fez os backing vocals e algumas teclas.

Coisa finíssima, nem vou falar muito pra não perder a graça.


47) The Claypool Lennon Delirium - Lime and Limpid Green



Depois de lançar "Monolith Of Phobos" no dia 03 de julho de 2016, o duo The Claypool Lennon Delirium gozou de merecida notoriedade na cena psicodélica mundial.

Com uma sonoridade lisérgica e com uma química bastante peculiar entre Les Claypool e Sean Lennon, os americanos conseguiram criar uma atmosfera grandiosa em seu primeiro play, o que fez com que a crítica estivesse bem ligada para a sequência desse projeto.

E com o EP "Lime and Limpid Green", lançado em 2017 como um especial do Record Store Day, os caras vieram com menos material é verdade, mas o projeto com 4 covers de alguns dos gigantes do Rock Progressivo não deixou de manter a audácia  do trampo anterior.

Vale dar uma pirada com as versões de Floyd, Satori, King Crimson, The Who e Flower Travellin' Band que os caras criaram.


48) Quarto Ácido - Paisagens e delírios



Primeiro full lengh do combo instrumental Quarto Ácido, "Paisagens e Delírios" é um belo blend entre os timbres repletos de Fuzz dos '70 com uma pegada psicodélica altamente classuda.

Seguindo a linha criativa dos EP's que sucederam esse projeto, mas agora com mais tempo para explorar climas e dinâmicas, esse disco (lançado no dia 22 de setembro de 2017) impressiona pela exatidão e feeling do músicos envolvidos em mais um lançamento da Abraxas.


49) Michael Pipoquinha - Lua



Disco solo do extraterrestre baixista Michael Pipoquinha, "Lua" é uma das obras mais contundentes do cenário nacional em 2017.

Com um approach técnico e uma musicalidade exuberante, esse disco mostra que nas mãos desse senhor, o baixão continua evoluindo. Feeling, groove, timbres... Prepare-se para ficar impressionado com esse Jazz.


50) Collocutor - The Search 



Segundo disco de uma das bandas de Jazz mais doidas da cena de UK, "The Search" é um petardo conceitual, Jazzístico-psicodélico-Spiritual-Ocidental.

Uma viagem oblíqua e instrumentalmente guiada pela saxofonista Tamar Osborn, líder e principal compositora do projeto, esse trampo brinca com texturas num som com guias experimentais bastante profundas.

Expansão Jazzística mode on. Lóki demais.

6 comentários:

  1. Boa lista. Apenas uma correção: P.P. Arnold ainda vive.

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  2. Valeu pelo toque Cristiano, encontrei fontes duvidosas então. Já está acertado.

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  3. Respostas
    1. Vamos que vamos mestre, segue a página e play na próxima trilha de baile.

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