Atenção para os sacos de vacilo: logo mais tem Kadavar no Brasil

Depois de colarem no Brasil em 2015 com uma das tours mais demenciais patrocinadas pela Abraxas, quase 3 anos depois, adivinha só quem está de volta na praça? Sim meus caros, os 3 meliantes alemães de 3 metros de altura, que juntos, formam o Kadavar, uma das maiores bandas do mundo quando o assunto é aquele som que faz o seu vizinho chamar a policia.

Essa é a segunda chance que o público brasileiro tem pra pegar um show ao vivo  de um dos melhores grupos europeus em ação na cena atual. Agora com o quarto disco de estúdio debaixo do braço "Rough Times", lançado em 2017, o trio membro do cast da Nuclear Blast está se preparando para a varrer as plateias brasileiras outra vez.


Uma iniciativa em parceria com as produtoras Red House (Chile) e Noiseground (Argentina), além da já citada Abraxas, os gigantes chegam para uma gira sulamericana evenenada, contando com 9 datas, sendo 5 delas no Brasil.

Escolhe a sua cidade de preferência e verifique todos os detalhes do serviço logo abaixo e se você ainda estiver com dúvida, trate de sanar isso ai com a cobertura completa da tour passada que passou 4 estados nacionais.

Foto: Macrocefalia Musical

Serviço:


Show do Kadavar em Belo Horizonte
Data: quinta-feira, 1 de março de 2018
Local: Studio Bar
Endereço: Rua Guajajaras nº 842, Centro
Horário: 21h
Página do evento no Facebook: clique aqui.

Show do Kadavar em Florianópolis
Banda de abertura: Monte Resina
Data: sexta-feira, 2 de março de 2018
Local: Célula Showcase
Endereço: Rodovia João Paulo nº 75
Horário: 23h
Página do evento no Facebook: clique aqui.

Show do Kadavar em São Paulo
Data: sábado, 3 de março de 2018
Local: Fabrique Club
Endereço: Rua Barra Funda nº 1071
Horário: 18h
Página do evento no Facebook: clique aqui.

Show do Kadavar no Rio de Janeiro - Hocus Pocus Festival 2018
Data: domingo, 4 de março de 2018
Bandas de abertura: Galactic Gulag & Anjo Gabriel
Local: Cais da Imperatriz
Endereço: Rua Sacadura Cabral nº 145
Horário: 17h
Página do evento no Facebook: clique aqui.

Show do Kadavar em Santa Maria
Data: terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
Bandas de abertura: Moonmath, Peixes Voadores & Quarto Ácido
Local: Sonho de festa
Endereço: Rua Francisco Manuel
Horário: 20h
Página do evento no Facebook: clique aqui.

0 comentários:

Medusalodoom - Qual é a fita desse Rock fumado brasileiro? Renan Casarin Explica

Meu nome é Guilherme Espir. Sou de São Paulo e escrevo sobre música tem quase 6 anos. Esse espaço, o Macrocefalia Musical, tem sido meu laboratório desde o final de 2012, pra falar, não só sobre Rock, mas também Blues, Soul, muito Funk, Jazz, Fusion, MPB, Zappa e etc, isso desde que eu curta e tenha uma ideia pra abordar em texto.

Desde que comecei a escrever, sempre priorizei esse canal, mas também fiz ponte no La Parola, do Flaubi Farias, no Southern Rock Brasil (Filipi Junio), New Yeah Música, Whiplash, CDM (Joyce Guillarducci), O Inimigo (MTV), Oganpazan e Obvious Lounge, sempre percebendo como a cena, agora com foco no bandido "Rock nacional", está mudando.

Hoje existem dezenas de bandas aqui em sampa. No Rio tem mais uma penca, Nordeste está quentíssimo nesse aspecto, em Londrina tem muita gente boa também e quando tu desce de carro indo em direção ao sul do país, o eixo Rio Grande do Sul-Floripa, espanta pela efervescência e pela volatilidade com a qual a cena está se desenrolando de 2010 pra cá.

Necro no Morfeus Club. Nesse dia ainda teve Hammerhead Blues e Saturndut

Tem gente em Minas Gerais (Deserto Elétrico), Goiânia, Brasilia... São dezenas de estados e muitas bandas interessantes. O movimento é bastante rico e conta com uma galera bem jovem e com uma maturidade que assusta em termos de quantidade de grupos, qualidade de gravação e maturidade sonora mesmo.

O problema disso tudo é que, agora falando só de São Paulo, a cena underground não é todo esse glamour utópico que a galera fala ou finge que dá apoio através do Facebook.

O público de São Paulo é resistente pra caralho. A grade de eventos da cidade é insana de movimentada e sempre, SEMPRE, vai ter alguma coisa pra fazer, seja um rolê pra encher a cara e fumar maconha ou até mesmo pegar um show da cena, patrocinado pelos produtores locais que sofrem demais pra conseguir 10 pagantes num show que, no evento do Facebook, tinha 200 confirmados.

Abraxas Fest com Bombay Groovy, Anjo Gabriel e The Flying Eyes

É foda tu encher uma casa. É bem difícil colocar um público bom num rolê de semana ou final de semana, isso além de ter que contar com a sorte de escolher uma data que já não tenha 7 shows coexistindo, fora que precisa torcer pra não chover.

Se choveu no dia do seu rolê cara, esquece, a galera daqui vai desistir de ir e digo mais, não fique puto caso eles ainda tenham a moral de ir num bar tomar chopp ouvindo banda cover. Esse negócio de banda cover está sumindo, é verdade, mas ainda assim faz parte da noite paulistana e ainda vai demorar pra descentralizar isso aí.

Por que estou chorando tantas pitangas assim? No dia 22 de janeiro saiu, com exclusividade pela Vice (Noisey), o documentário "Medusalodoom", um trampo com produção do Renan Casarin, talvez um dos caras mais criativos quando o assunto é clipe e live session da galera que forma a cena "Stoner", puro revisionismo, pelo menos em termos de nomenclatura pra definição de gênero.

Monstro Amigo numa noite de mais chapação - Foto: Macrocefalia Musical

É estranho isso também, como existe gente que precisa classificar o som, até por que se você parar pra pensar, é impossível colocar a Augustine Azul, da Paraíba, por exemplo, no mesmo patamar do Radio Moscow em termos de estilo. Hoje chamam ambos de Stoner, mas é claro que não é assim que funciona. 

É bom perceber isso por que fica fácil entender que a cena hoje caminha como um bloco, mas na prática o bagulho ainda é muito embrionário e foi isso que o documentário do Renan Casarim mostra. Apesar do fulminante crescimento, a cena do Brasil ainda é um bebê engatinhando perto dos caras da Europa e Estados Unidos.

Existe muito mato pra capinar. É claro que também não quer dizer que falte profissionalismo, mas ainda existe muito espaço pra crescimento, abertura de eixos, novos espaços pra esses rolês (até mesmo em São Paulo), e também seria interessante contar com mais produtoras por que uma Abraxas só não faz verão. Os irmãos Toscano precisam sofrer umas 420 meioses pra dar conta de tanta coisa que pinga na caixa de entrada deles.

Munoz no Superloft - Foto: Macrocefalia Musical

Não existe nada parecido com esse documentário na cena. Esse é apenas mais um indicador pra comprovar como ainda tem espaço pra crescimento, algo que é bom pra todo mundo. Aqui, as lentes derretidas do Renan conseguem captar a essência de todo o corre que é feito pra sustentar a correria do underground minimamente, seja em floripa ou em sampa com a Doomnation.

Com foco no festival Megalodoom, realizado em Brusque e no Medusa Stoner Fest, sediado em Florianópolis, o documentário  "Rock Chapado Brasileiro" serve pra você que já saca a cena e pra qualquer meliante que ainda esteja estudando o movimento. As próprias bandas que fazem a parada, falando sobre elas mesmas e desenrolando sobre os seus companheiros de van, trocando ideia sobre o eixo do Nordeste, lembrando da Necro, Black Witch, salientando a galera de Curitiba, lembrando dos caras da Pantanum...

Arte: Lucas Klepa

Discussão com quem entende e faz o bagulho acontecer, tudo aí, sem cuspe e sem massagem direto para os seus ouvidos e com a sensibilidade do cara que dirigiu tudo isso e fez o corre de edição durante o ano de 2017 inteiro. 

Com ajuda do Júlio Miotto (produção - Calamar Sounds), Renan nas filmagens, edição e direção, além do Lucas Klepa e do Felipe Maciel nas câmeras adicionais, "Rock Chapado Brasileiro" é o primeiro trampo brasuca que cumpre a difícil função de prover um plano de fundo para o underground nosso de cada dia.

Ainda consegui trocar uma ideia com o responsável por toda essa empreitada. Foi importante pra sacar a visão dele sobre tudo isso e projetar outras coisas, visando o crescimento de todo mundo, desde as bandas até a galera que fica atrás das câmeras.

1) Renan, como que é fazer um corre independente desse, mesmo numa cena que, como vimos no documentário, está crescendo bastante, mas que em termos concretos, ainda está num estágio embrionário?


Cara, é um corre trabalhoso, porém muito satisfatório porque tem paixão envolvida no trampo. É difícil de fazer acontecer o que rolou no doc, que foram  2 festivais em um dia, no outro dia gravar um monte de sessions e para finalizar captar mais um show pela noite.

Porra, foi uma sequência de eventos de música “chapada” em um final de semana, e isso não acontece sempre. Tudo isso aconteceu pela união da galera que produziu a porra toda, as bandas, os produtores, o público que saiu de um fest em uma cidade e foi para outra na mesma noite só para colar nos shows. E pô, isso não acontece sempre, por isso que documentamos esses rolês, foi algo além do normal. União é a palavra que resume tudo.

2) Como que você vê esse lance de bandas com diferentes estilos estarem no mesmo bloco do Stoner?


Acho isso lindo man, traz diversidade nos sons e em tudo que está relacionado a música, cada banda tem a sua releitura nas influências que cercam esse meio. Eu sempre falo que o Stoner é um movimento, e é como o Mauro da Muñoz disse no doc, tudo hoje em dia virou Stoner.

Se tu tens uma banda que tem um som “chapado”, um riff arrastado ou umas paradas psicodélicas no meio, já rotulam como Stoner. E eu não vejo mal nisso, tem gente que sim, mas é uma parada que tá rolando e tá massa demais, ainda mais pra quem curte esse tipo de som. Mas no final das contas é tudo Rock ’N' Roll.

3) Como você acha que é possível evoluir com a qualidade da produção local, sempre aliado a sua área, a produção audiovisual?


Cara, temos que produzir mais, muito mais! Falo isso em relação a música no geral e agregando o audiovisual junto. Eu comecei nessa de gravar bandas em 2013, e essa é a minha paixão desde então, é uma parada que eu sinto tesão em fazer, música e vídeo, os dois tem que andar juntos.

Uma coisa é só escutar a música, mas se tu adiciona uma produção audiovisual junto, porra, a brisa só aumenta. Seja em um clipe, uma live, um vídeo experimental, cobertura de rolê, documentário, tanto faz, só vai agregar.

Aí muita gente vem falar, “Ah, mais e a grana pra bancar a porra toda?” Galera, tudo se resolve na conversa, tem que ficar bom para os 2 lados. Aproveitando a deixa, bandas e produtores, banquem o transporte, o rango, aquele colchão na sala com um ventilador, e uma grana a mais (porque tenho que pagar contas também rsrs) e bora produzir porra, me chamem que eu vou com o maior prazer, tô falando sério.

4) Hoje em dia eu acho que o maior problema dos eventos menores é o pouco tempo de divulgação + pré evento fraco + pós evento pífio. Quais são os detalhes de produção que você acha que podem fazer diferença no resultado final, mas que aqui no Brasil ainda estão em fase experimental?


Eu falo que a publicidade é a alma do negócio, tem que ser marqueteiro, afinal estamos envolvidos no mundo da música e de certa maneira quem produz música e eventos tem que tratar isso como um empreendimento. Mas mesmo divulgando pra caralho tem muita gente que não cola, seja por falta de grana, transporte/distância, compromissos no mesmo dia do rolê, ou porque é pau no cú mesmo e não vai prestigiar as bandaças que nosso país tem, ou só paga pau pra banda gringa, enfim, são muitas variáveis.

E tem aquele velho lance do brasileiro de deixar tudo para a última hora, muita galera decidi ir nos rolês em cima do laço e acaba não indo. Eu mesmo só não vou em alguns rolês por causa do meu trampo “comum” e pelo translado.

Mas voltando a pergunta, temos que ampliar mais em termos de público, falo no sentido de fazer uma parada que atraia mais pessoas de fora, tipo esses festivais que agregam arte no geral, feiras de arte coletiva (tem muitos artistas fodas no nosso meio), rangos para todos os gostos, cerva barata e colocar bandas de outras vertentes do rock também. Acho que é por aí.

5) E sobre a mescla de bandas, você acredita que o negócio ideal é montar um line que traga o cara do Punk, mas também chame o meliante do Hardcore ou é melhor deixar as coisas cada uma na sua caixinha?


Quanto mais diversidade melhor, mais galera vai colar nos rolês né. Amo o som arrastado, psicodélico, mas não podemos nos fechar apenas nisso. Pô, um exemplo foi o Giramondo Underground Festival, que rolou em Brusque/SC. Tinha Punk, Blues, tinha Rock ’N' Roll, e Doom, E foi foda pra caralho! Foi um dos fests mais doidos que já fui e teve feira de arte coletiva, rangos e tudo mais, como comentei na resposta anterior. Na minha opinião tem que ter mais festivais como foi esse.

6) A cena nunca viu um trabalho parecido com esse. Você pretende fazer outros documentários com foco em outras regiões do país? Depois do sul acho que o sudeste e o nordeste são 2 dos principais pilares na cena hoje, como você vê a galera, pensando regionalmente?


Sim man, por favor! Hahaha Quando gravamos o Medusalodoom foi sem noção nenhuma, apenas peguei a câmera e saímos gravando tudo, sem planejar nada, mas ficou bom mesmo assim, mas os próximos vou planejar melhor, até faltou várias bandas para inserir aqui na região sul, como a Cattarse, Pantanum, Cassandra, Quarto Ácido, Rinoceronte que agora voltou a ativa.

Até daria para fazer outro doc só com essas bandas. Mas como tu falou, o Sudeste e Nordeste são uma ótima pedida! E porra, o Nordeste só tem banda foda cara, se rolar mesmo vou ficar mó feliz de conhecer essa região do nosso país e a galera que faz acontecer por lá, e já estou conversando com uma galera pra fazer esses próximos docs rolarem.

Mas tudo no seu devido tempo, porque não é tão fácil assim também. Cara, cada região tem suas características, seja na geografia, na cultura, no rolê. Em Sampa só fui em um rolê até hoje, que foi o Belzebong, e o mais próximo do Nordeste que cheguei foi em Brasilia, mas não foi pra rolê, então não sei bem como as coisas rolam por lá. Mas quero muito ir sim e mostrar tudo o que rola nesse cenário da música chapada, arrastada, psicodélica que tem no nosso Brasa.

Aperta play ai:

4 comentários:

Bloco Ritaleena no Cine Joia? Bora

Achou que não ia ter mais bloco de carnaval, mesmo que teoricamente o feriado e os desfiles tenham chegado ao fim? Bom, nesse caso você achou errado, otário!

E para provar com fatos, basta dizer que dia 17 de fevereiro vai rolar mais uma edição do Bailee do famoso bloco Ritaleena na casa mais charmosa da Liberdade.

Sim, depois de duas concorridas passagens de blocos de rua, uma em Pinheiros e outra no Ipiranga, o grupo finalizará as homenagens aos 70 anos da sua musa inspiradora, Rita Lee, no palco do Cine Joia.

Abaixo seguem mais detalhes sobre a formação da banda e o serviço da casa.

Formação da banda:
Alessa – voz principal
Yumi Sakate – backing vocals
Carol Oliveira, Maurício Badé e Ilker Ezaki – percussão
Abuhl Jr. - bateria
Marcelo D’Angelo – guitarra
Fernando Henna – teclados
Aimê Uehara – baixo


Serviço:
Bloco Ritaleena se despede do carnaval com festa no Cine Joia
Data: sábado, 17 de fevereiro de 2018
Horário: 23:30h
Ingressos: R$ 20,00
Vendas:
Ingresse – ingresse.com/ingressos-cine-joia-ritaleenaBilheteria do Cine Joia - horários de funcionamento no rodapé

0 comentários:

O show do Allman Brothers no Atlanta Pop Festival foi tão brilhante quanto o Fillmore East e ninguém sabe

O disco ao vivo que o Allman Brothers gravou no Fillmore East é uma das maiores apresentações ao vivo de todos os tempos. Lançado em 1971 pela Capricorn Records, o live que foi o terceiro lançamento do grupo e que contou com a produção de Tom Dowd, é uma das maiores apresentações musicais que já aconteceram no Fillmore, seja ele o East ou o West, ambas  as casas tuteladas pelo promotor alemão, Bill Graham.

Num registro que compila 3 noites fantásticas em Nova York, a banda liderada por Duane Allman desafia seus próprios temas através de vertiginosas improvisações. Com um approach sulista tão enraizado, porém capaz de romper os limites do Jazz, Gospel e Blues, o Allman Brothers atingiu um novo patamar musical quando registrou essa performance.


Mas o que poucas pessoas sabem é que 8 meses antes desse show, o grupo registrou uma apresentação que é tão boa quanto essa ou, pasmem, ainda melhor. Foi na segunda edição do Atlanta Pop Festival, realizada durante os dias 3 e 5 de julho de 1900 e setenta, que Gregg Allman & cia sulista eternizaram outra prova inexorável de como uma apresentação ao vivo pode ser eterna.

Foi na segunda edição do festival organizado por Alex Colley que o Allman Brothers brilhou. Vale lembrar que essa foi a segunda edição do festival, que em 1969 tinha acontecido 1 mês antes do Woodstock.

Outro ponto histórico relevante é que foi nessa edição, no dia 04 de julho pra ser mais exato, que Jimi Hendrix tocou para a sua maior plateia americana, graças a um público estimado entre 300-400 mil ouvintes que aguardaram sua apresentação como headliner na segunda edição do festival. Dois meses depois o cherokee não estava mais entre nós. Para conferir a matéria sobre esse show, basta clicar aqui.

Line Up:
Gregg Allman (órgão/teclados/vocal)
Duaner Allman (guitarra)
Dickey Betts (guitarra)
Berry Oakley (baixo/vocal)
Butch Trucks (bateria)
J. Johnny Johnson (bateria/percussão)
Thom Doucette (gaita)
Johnny Winter (guitarra na longa versão de "Mountain Jam" - CD2)



Track List CD1 - 07/03/1970
"Introduction"
''Statesboro Blues"
"Trouble No More"
"Don't Keep Me Wondering"
"Dreams"
"Every Hungry Woman"
"Hoochie Coochie Man"
"In Memory Of Elizabeth Reed"
"Whipping Post"
"Mountain Jam Part I"
"Rain Delay"


Track List CD2 - 07/05/1970
"Introduction"
"Don't Keep Me Wondering"
''Statesboro Blues"
"In Memory Of Elizabeth Reed"
"Stormy Monday"
"Whipping Post"
"Mountain Jam"


Foi no início e ao mesmo no ápice dos grandes festivais, que 1969 e 1970 forraram a história da música com incontáveis grandes line ups. Festivais do nível do Randalls Island, Texas International, Kickapoo Creek, Miami Pop, Galena, White Water e tantos outros, esse momento histórico foi a prova de como a música não só precisava, mas estava chegando a um número cada vez maior de ouvidos.

Tudo prosperava a favor, não só do Allman Brothers, mas de todos os grandes artistas dos '60 & '70 e a prova disso é o line up da segunda edição do Atlanta International Pop Festival. Se liga:


O primeiro set do ABB começou perto das 15:00 horas do dia 03 de julho. Seguindo aquele padrão de duração do Grateful Dead, o primeiro round de improvisos duraram algumas horas e ainda contaram com a participação do amigo e colaborador da banda, Thom "Ace" Doucette.

Com atenção aos temas presentes no segundo disco do grupo, "Idlewild South", que sairia em setembro do mesmo ano, o laboratório do Skydog ainda teve a moral de mandar uma versão de "Hoochie Coochie Man", com os vocais do pai de família, Berry Oakley.


A segunda hipnótica performance aconteceu na última noite de festival. O poster deveria ter sido alterado depois do show que os caras fizeram perto das 4 da manhã do dia 06, afinal, o rolê só terminou dia 06 e não dia 05.

E pode crer que teve de tudo. Mais gaita Blues com o Thom Ace, outra versão estonteante de "In Memory Of Elizabeth Reed" e uma cavernosa suite ao lado de Johnny Winter. Aproveitando que o texano também figurou na lista de atrações, a banda convocou o albinão pra eletrificar o demencial improviso de "Mountain Jam". O resultado foi tão inflamável que o show acabou ali mesmo.

Quem tiver a oportunidade, por favor, escute, roube e compre esse trabalho, não necessariamente nessa ordem. É um exercício bem interessante sacar essa gravação e pensar em como o mundo seria caso esse aqui fosse o Santo Graal no lugar do Fillmore East.

Com um approach mais selvagem, o Allman Brothers que tocou essas noites só não fez chover por que já estava chovendo no primeiro set antes deles começaram. O som do Hammond B-3 do Gregg Allman merecia uma estátua.

Esse registro é digno de se escutar com uma caixa de lenços. Compre duas pra se garantir.

0 comentários:

Nunca fiz uma Playlist no Spotify #14 - Blues

Um dos gêneros mais honestos e sinceros é o Blues. Aqui o que conta não é o seu saldo bancário, nem as mulheres que estão dando bola pra você. Sem chance meu chapa. Aqui a casa cai se você chegar com umas escalas safadas, é preciso ter feeling, sentir as cordas e tocar como se a sua vida dependesse disso.

Parece brincadeira, mas se possível, sofra um pouco antes de tocar. Emular sentimentos é algo bastante complexo, mas é a raiz do Blues, aqueles acordes tão secos quanto o Saara, junto de alguns dos arpejos mais crus e que deixam até a sua nuca ouriçada. 


O Blues definitivamente não é coisa pra maricas. Por isso, para demonstrar a grandeza desse estilo que é o pai do som que faz o seu vizinho chamar a polícia (Róqui), eis aqui a homenagem do Macrocefalia Musical para os blueseiros mais cavernosos que já passaram pela terra.

Tudo naquele esquema de sempre: 30 faixas e mais de 3 horas e meia do puro creme do slide endiabrado. Salvem o Delta & o Chicago (Blues).

Pra sacar os sets anteriores, basta clicar nos links abaixo:


0 comentários:

Harvey Mandel & seu legado no Snake Box

Um dos maiores e menos reconhecidos guitarristas britânicos. Essa poderia ser uma boa frase para sintetizar a carreira do brilhante Harvey Mandel. Guitarrista de técnica apuradíssima e dono de uma visão assombrosa em termos de dinâmica e versatilidade, Harvey ostenta uma carreira solo riquíssima, além de já ter tocado junto a bandas do nível do Canned Heat, Bob Dylan, Rolling Stones, Charlie Musselwhite e o pai do Blues na Grã Bretanha, o mestre John Mayall.

Além dessas afiliações é claro que existem inúmeras outras, mas essas são as principais por parte de um dos primeiros difusores da técnica do tapping, inclusive o próprio Eddie Van Halen cita o Harvey Mandel como sua principal influência nesse assunto.


Apesar de tudo isso, vale ressaltar que depois dos anos 70 seu Blues não ganhou muita projeção. Nem mesmo durante o fim dos '60 e começos dos '70, época em que o músico cunhou seus melhores discos, ele teve a merecida atenção.

Mas aí veio a Purple Pyramid Records pra salvar o dia e relançar 5 dos principais trabalhos de um guitarrista que definitivamente não pode ser esquecido pelas areias do tempo, além de 1 extra inédito em sua discografia.


Dono de um fraseado Blueseiro, mas que nem por isso deixou de soar Jazzístico e groovar como num Funk, Harvey Mandel emula sua guitarra com uma classe pouco antes vista e ouvida. E esse box compila 6 grandes trabalhos do músico, além de lançar uma preciosidade inédita, um raro show ao vivo do guitarrista, junto de nada mais nada menos que Jerry Garcia, Elvin Bishop, Stephen Miller, Mickey Hart e John Chambers, diretamente do The Matrix, tradicional clube de São Francisco.

Com uma qualidade de som acentuadíssima, esse box vem recheado com os seguintes discos:

Disco I - "Cristo Redentor"
Disco II - "Righteous"
Disco III - "Games Guitars Play"
Disco IV - "Baby Batter"
Disco V - "The Snake"
Disco VI - "Live At The Matrix"

"Cristo Redentor"



Primeiro disco solo de Mandel, "Cristo Redentor", lançado em 1968, é um trabalho de guitarra instrumental que beira o inclassificável.

Com sua autêntica alternância entre timbres cristalinos e mais ásperos, Harvey brinca com seus próprios licks através de loops que não sabem até hoje se emulam Jazz, Blues, psicodelia ou tudo isso misturado.

"Righteous"



Segundo disco solo do americano, "Righteous", lançado um ano depois, já em 1969, mostra uma clara expansão de horizontes sonoros. Agora com mais atenção aos arranjos de cordas e metais, Harvey mostra a riqueza da fusão de ritmos.

Com um approach latino para "Jive Samba" e um pé no Blues ao som de "Boo-bee-doo", "Righteous" já chega com uma sonoridade mais definida e que começa a posicionar Harvey no ouvido de seus próprios ouvintes. Louco, não?!

"Games Guitars Play"



Depois de 2 discos, Harvey teve tempo de entender como o formato de sua música ainda tinha um approach pouco comercial. Com o objetivo de expandir seu público, o músico mudou o esquema de seu Blues, visando uma estrutura que privilegiasse um vocal. O escolhido para essa missão? Russell DaShiell e o resultado foi "Games Guitars Play", seu terceiro esforço de estúdio, lançado em 1970.

Com uma pegada recheada de covers mais trabalhados no lado R&B da força, o americano ainda cria climas e passagens riquíssimas e bastante criativas, porém em função de uma nova dinâmica, o disco fica menos surpreendente, apesar de ser mais uma aula de guitarra.

"Baby Batter"



Quarto disco solo de Harvey, e mais um prova de como o cidadão é no mínimo um prolífico compositor, "Baby Batter" (lançado em 1971), desafia os padrões de John Mayall e chega com um Jazz-Rock com raízes Blueseiras e uma visão Jazzística que rivaliza com o "Jazz Blues Fusion" que o britânico lançaria só 3 anos depois, já em 73.

Depois de liberar seus 3 primeiros registros através da Phillips, "Baby Batter" retoma a veia mais exploratória do músico com mais propriedade, talvez em função de ser o primeiro disco num label novo, a Lanus, que também seria a casa de seu próximo disco, "The Snake", que saiu em 1972.

"The Snake"



Quinto lançamento da carreira de Mandel, "The Snake" (72) é o último disco de estúdio do "Snake Box". Com um approach com bases firmes na estrutura sonora do Rock, mas com feeling orientado ao Fusion, "The Snake" seria um disco de Jazz, caso Harvey não fosse tão Blueseiro.

Certeiro na direção de timbres de guitarra que mais uma vez ousam com passagens mais limpas e outras mais ásperas, esse disco mostra como o timbre é um dos elementos mais importantes do som, além de deixar claro que trata-se de uma busca incessante por um tom universal dentro do que cada disco busca em termos de objetivo.

"Live At The Matrix"


*Perdão, mas não tinha a foto desse live rs
Peça inédita na discografia do guitarrista, "Live At The Matrix" é o único show ao vivo que Harvey gravou durante sua fase de ouro.

Gravado em São Francisco, Califórnia, esse show pega o guitarrista bem na fase do "Cristo Redentor" e ainda consegue registrar uma performance com uma das melhores bandas de apoio que Harvey poderia querer.

Com Jerry Garcia, Elvin Bishop, Stephen Miller, Mickey Hart e John Chambers, "Live At The Matrix" é um live composto por apenas 4 temas, sendo que a abertura já é com uma jam de quase 40 minutos. Pouco Blues é bobagem. Com o Jerry Garcia no meio não tinha como não improvisar.

"Shangrenade"



Pra fechar, o único "problema" desse box, se é que tem como falar assim, é que um dos melhores discos de Harvey não figura no groove. "Shangrenade", sétimo disco do americano, lançado em 1973, é um daqueles LP's para se ouvir rezando.

Com a presença de Don "Sugarcane" Harris (violino), Harvey registra um de seus picos criativos enquanto cunha um rubi nas guitarras, com a precisão de um ourives P.h.D em termos de harmonia. Se liga no trampo de bateria do Danny Keller, sem esse cara o disco não teria essa malemolência no Funk. Procurem e comprem separado, esse disco é fundamental.

Para a sua alegria, todo o box está disponível no Spotify:

0 comentários: