O Earthless é igual a sua avó: ambos podem cozinhar qualquer coisa e nunca vai dar merda

Uma das maiores bandas do anos 2000. Acho que essa frase é coesa o suficiente pra abrir qualquer tipo de discussão sobre o Earthless. O trio psicodélico de San Diego está na ativa desde 2001 e não existe nenhum trabalho na na discografia do grupo que não seja no mínimo muito bom.

Dono de um approach dos mais viscerais para interpretar temas que mergulham ouvintes do mundo todo num buraco negro de riffs e improvisos delirantes, Isaiah Mitchell (guitarra/voz), Mike Eginton (baixo) e Mario Rubalcaba (bateria), voltaram aos estúdios quase 5 anos depois de terem lançado o épico "From The Ages, em 2013.


Durante toda a carreira o Earthless se estabeleceu praticamente como uma banda de Rock Instrumental. O vocalista Isaiah Mitchell até cantava ocasionalmente (escute "Cherry Red ou "Woman With The Devil Eye" para ter uma ideia), mas toda a excelência do grupo sempre se caracterizou pelo poderio instrumental.

Mas ai a banda entrou no estúdio e o Isaiah resolveu cantar 5 das 6 faixas presentes no disco, e quer saber? Ficou do caralho. Parece muito propício pra banda mudar sua cozinha bem agora que esse disco marca o primeiro lançamento pela Nuclear Blast, mas é exatamente o contrário.

Chegar no cast do maior selo de Heavy Metal do mundo representa algo grandioso. A banda merecia esse projeção e viu, logo no debutante "Black Heaven", a possibilidade de chegar no ouvido de mais pessoas.

Foi uma mudança bastante arriscada e que abrilhanta ainda mais esse registro. Também é um belo recado para as bandas menores que apostam no mesmo som e nunca sobem na cena. Olhem ao redor, até a cena de Hard-Psych/Stoner que sempre foi estereotipada como "repetitiva" e "sem criatividade" está se modernizando. O mundo gira e vacilão roda.

Line Up:
Isaiah Mitchell (guitarra/voz)
Mike Eginton (baixo)
Maria Rubalcaba (bateria)



Track List:
"Gifted By The Wind"
"End To End"
"Electric Flame"
"Volt Rush"
"Black Heaven"
"Sudden End"


Com 6 faixas irretocáveis instrumentalmente falando, esse disco é de longe um dos grandes trabalhos liberados em 2018. Lançado no dia 16 de março, "Black Heaven" mostra seu propósito desde o primeiro segundo da faixa de abertura, a overdose de Wah-Wah de "Gifted By The Wind".

Esse tema já resume o que seus ouvidos encontrarão após o play. Uma escola das mais sólidas registrando temas que impressionam não só pela riqueza, mas pela nova dinâmica que, mesmo com vocais, segue tão inofensiva quanto um Megazord tomando café numa brinquedoteca.

Em "End To End" o estrago continua e mais uma vez a capacidade de criar climas através dos sons impressiona. É possível apostar em distorções e não soar chato. Quem diria? Voz seca e sem frescura tal qual os embates de "Electric Flame", Isaiah faz um trabalho formidável e derrete as guitarras enquanto uma das sessões rítmicas mais cavernosas da cena (Eginton-Rubalcaba) fazem um workshop gratuito sobre a importância de uma boa cozinha.

Depois ainda sobra tempo para o único boogie instrumental do disco. Com os demenciais quase 2 minutos de "Volt Rush", o trio vira a chave e retorna com 2 takes de mais de 8 minutos, as mais longas do disco (a faixa título e "Sudden End", respectivamente) encerrando o tira teima.

Sem vocal? Excelente. Com vocal? Fantástico. O que é  que será que eles farão depois? Não sei, mas é igual a comida da minha vó, ela pode cozinhar qualquer coisa e nunca vai dar merda.

Baixo gorduroso, batera vigora e uma guitarra sem choro nem vela. Aperta o play aí meu amigo, esses caras podem tocar qualquer coisa, a liberdade dessa linguagem não teve limites até o momento e olha que já se passaram quase 18 anos desde que eles começaram.

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