Como a Electric Hendrix Ensemble ressignifica o Jazz a partir da música de Jimi Hendrix

Dentre os incontáveis mitos que caracterizaram a apoteótica passagem de Jimi Hendrix pelo cosmos terrestre, um deles está longe de ser uma pura invenção da mídia que tentou - ainda que em vão -classificar um dos maiores enigmas sonoros da história da música.

Poucos sabem disso, mas Hendrix foi um grande fã de Jazz. James apreciava, principalmente, o trabalho de músicos de sopro, algo que influenciou bastante sua lírica guitarrística. Grande admirador de nomes como Rahsaan Roland Kirk, o cherokee até registrou algumas sessões de estúdio no Electric Ladyland ao lado de Jazzístas como John McLaughlin e Larry Coryell, por exemplo.

Inclusive, a sessão gravada ao lado de McLaughlin foi vetada pelo próprio idealizador de 2 projetos fundamentais para a história do Jazz, mais especificamente o Fusion ou Jazz Rock. Foi ao lado do Mahavishnu Orchestra e do Shakti que John impressionou não só Hendrix, mas o mundo todo com essa nova linguagem. É uma pena que ele nunca liberou o material... Hendrix e John no estúdio? Sortudo foi o Eddie Kramer que viu tudo isso!

E é aí que reside a principal questão desse texto. A partir da música de Jimi Hendrix, a Big Band paulista Electric Hendrix Ensemble, mostra como o Jazz consegue expandir qualquer recurso para continuar aumentando o alcance não só do Hendrix, mas também do Jazz como um todo.

Line Up:
Eder "Hendrix" Martins (guitarra)
Rob Ashtoffen (baixo)
Wagner Vasconcelos (bateria)
Sintia Piccin (saxofone barítono)
Estefane Souza (trompete)
Richard Fermino (trompete/saxofone tenor)
Lua Bernardo (flauta/backing vocal)
Danilo Moura (percussão)


Foto: Julia Sprecher

Os objetivos se confundem, mas basta pegar a banda, ao vivo, durante as quarta-feitas no Jazz nos fundos, que o esquema fica tão claro quanto o swing do Wah-Wah do Eder Hendrix. Tocando num formato que muito favorece a improvisação, a banda conta com uma linha de sopros, percussão, bateria, baixo, guitarra, voz e ainda vem acompanhada por um músico convidado toda semana.

Teve uma semana que o baixista Rubem Farias (Mike Stern) chegou pra somar no Groove. Outro dia teve Fábio Leal, guitarrista que já tocou ao lado de nomes como Hermeto Pascoal (por exemplo) Conrado vieira (Prog Jazz do Absurdo) dentre outros fritadores da cena brasuca.

Foto: Julia Sprecher

Nenhum show dos caras é igual. Não é só o fato de chamar músicos diferentes toda semana, essa é uma questão intrínseca ao domínio de repertório. Improvisações que transformam o que seria um solo de batera do Mitch Mitchell numa levada torneada em grooves de altíssimo nível técnico e que ainda contam com o suporte de metais.

Arranjos grandiosos, química pura e um ideal futurista que sempre estica, dobra e vira a música, seja ela de quem for, do avesso. Não é só tocar Hendrix, mas sim promover um diálogo entre todo o frescor de sua música frente as novas possibilidade do Jazz e da improvisação livre.

De "Crosstown Traffic" até o Jazz de Miles Davis... Bom, é tudo logo logo ali em Pinheiros.

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