Sampa Jazz Festival: Meretrio & Carol Panesi

Quando se olha para o atual momento do Jazz no Brasil, poucas pessoas reconhecem o valor de alguns grupos que formam a cena. O motivo para alguns desses casos é que nomes como o Meretrio, por exemplo, saíram do país e agora já radicados na Áustria, rodam o circuito europeu de Jazz a torto e a direito há pouco mais de 5 anos.

A própria Dani Gurgel, já citada no texto que fala sobre o primeiro dia de Sampa Jazz Fest, também está rodando nesse eixo e até no Japão já tocou. Outras bandas do line up do festival também possuem grande experiência internacional, como é o caso do Bixiga 70 (que já chegou pra somar no groove até na Índia) e do Hermeto Pascoal, bom, do homem de gelo nem se fala.


E para comprovar os poderes da música universal e os efeitos da globalização, a curadoria do Sampa Jazz não só trouxe o Meretrio para um show especialíssimo, celebrando 14 anos de história da banda, como também abriu espaço para que os paulistas destilassem toda o dinamismo do rico fraseado do trio.

Formado pelo guitarrista e trombonista Emiliano Sampaio, Gustavo Boni (baixo) e Luís André Gigante (bateria), o grupo mostra um entrosamento singular, praticamente telepático em alguns momentos.

O Meretrio está fora do Brasil faz 5 anos, mas a sua grande paleta de cores mostra que depois do "Tico-Tico no Fubá", até a Áustria fica logo ali.

Esse novo formato do show do grupo, com o Emiliano fazendo as guitarras e o trombone em loop é muito interessante. Enquanto a banda mergulhava em vertiginosas linhas com toques Funkeados, passeando pelo Blues e até mesmo pelo Country, fica claro como o Jazz não é só um estilo, mas sim uma linguagem, um dialeto que desafia os poliglotas com a difícil tarefa de promover diálogos entre diferentes estilos e ainda sim não perder sua identidade.


Depois de um grande set o público ainda ficou com o show de Carol Panesi, uma das discípulas da Hermética arte da Música Universal. Vale lembrar que a musicista acompanhou Itiberê Zwarg durante 10 anos, período em que ela fez escola na Música Universal, trabalhando ao lado do braço direito de Hermeto.

Num show que celebra a nossas raízes musicais, a vocalista, violinista e trompetista foi muito bem acompanhada por seu trio e foi do samba ao choro com grande naturalidade e sentimento. Foram duas atrações muito diversas, mas ambas deixaram claro o poder da música instrumental.

A principal mensagem do Sampa Jazz Festival não são as atrações do encerramento do festival, o que motiva essa equipe, ano após ano, é ver que a nossa música sempre se renova. A produção que monta toda a estrutura do festival só dá um espaço pra galera tocar, até por que uma vez sob o palco, músicos desse calibre não deixam pedra sob pedra.

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