Sampa Jazz Festival: Nelson Ayres Big Band & Dani Gurgel

Nunca assisti um show no cinema. Acho que o mais perto que já cheguei foi quando resolveram passar a mais recente versão do show do David Gilmour em Pompeii num cinema da Avenida Paulista. 

O interessante é que essa experiência, por mais que eu pensasse ser rara ou que jamais fosse se repetir, acabou sendo o gatilho para apreciar as duas primeiras noites do Sampa Jazz Festival com muita classe.

Foto: Sigma F Fotografia

Com todo o requinte que o espaço Itau de cinema pode oferecer, o Sampa Jazz chegou a sua terceira edição com grandes atrações e soube trabalhar, pouco a pouco, numa crescente sonora que culminou num apoteótico encerramento na Casa das Caldeiras.

Mas antes, a primeira perna do festival contou com 2 shows por noite, no espaço localizado na Rua Augusta e a experiência foi tão enriquecedora que o cinema e a música se confundiram com o requinte de sons que pareciam parar no tempo, brincando com o imaginário das pessoas com o mesmo olhar lúdico que os negativos da telona.
E a primeira atração da noite veio pra mostrar o poder dos grandes arranjos e a importância de se pensar a música com toda a profundidade e o caráter cerebral que o Jazz merece. Foi com o time de Nelson Ayres que a plateia entendeu toda a importância do músico para o cenário nacional, enquanto o seu repertório ia do Jazz a música brasileira com a mesma naturalidade que o compositor vai buscar um copo de água na madrugada.

Vale ressaltar que no começo dos anos 70 Nelson se tornou referência ao partir na contramão das orquestras de baile e promover um blend moderno entre Jazz e música brasileira onde o músico e seus solistas demonstram uma inebriante visão musical, tão cheia de possibilidades quanto um filme mudo, só esperando pelas notas do regente pra começar a colorir o scrip do Jazz.

Foto: Sigma F Fotografia
O último show desse primeiro dia ficou a cargo da Dani Gurgel. Um dos nomes mais interessantes da cena, Dani chegou ao palco do Sampa Jazz depois de muito fazer pelo grooove nosso de cada dia. Vale pontuar que a musicista passou 15 anos como saxofonista, tocando na Big Band de Roberto Sion, além de ter somado na cozinha da Zimbo Trio.

Mas depois de 15 anos vivendo sob a luz da música instrumental, a (hoje) vocalista começou a compor e já está em seu segundo disco solo, o excelente "Tuqti", liberado pela Tratore no dia 04 de julho de 2018.

E é exatamente assim, com a mesma naturalidade com a qual a cantora brinca com suas sofisticadas harmonias, que sua lírica viaja o mundo para mostrar a beleza de nossa própria cultura. Com uma banda tão plural quanto o vasto vocabulário de sua figura principal, a performance do grupo é leve, formada por vívidos arranjos e mostra como a música se expande quando os músicos trabalham sem amarras estéticas.

Foram 2 sets exuberantes. Tudo nosso, tudo brasileiro. Que coisa linda.

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