O aveluladado Bill Withers ao vivo no Carniege Hall

Quando penso em fazer um som fico temeroso logo de cara. Sempre que imagino meu próprio espectro emulando notas por meio de um instrumento, fico tenso pela plasticidade da coisa. Não é que esteja receoso por causa do figurino, para este que vos resenha, o ponto mais importante é possuir e dominar, com naturalidade, tudo que o compreende o ato de se fazer música.

Sentar numa banqueta, ficar completamente relaxado e apenas começar a tocar as cordas. Com sentimento claro, mas tentando demonstrar uma postura que funcione em prol da arte... Um lance meio anti rockstar, quase banal, pela música, apenas por ela. 


Um grande músico é capaz de dominar seu público. Os maiores ainda o fizeram com simplicidade e essa essência é o que paga o ingresso no fim do show. Se fosse um showman gostaria de dominar meu público, mesmo em grandes arenas, levando os presentes para um convívio próximo às minhas ideias.

Falando assim parece até fácil. Pra fazer isso o cidadão precisa estar bastante seguro de si, algo que para simplificar, seria como um show do Bill Withers no Carniege Hall.

Nunca vi alguém tão relaxado para uma apresentação deste porte, a persona do cidadão estava tão leve e suave que parecia um ensaio na varanda da sua casa.

''Live At Carniege Hall é uma pérola para se entender um dos maiores músicos de nosso tempo, compreender sua calma e seu sentimento no único live de sua vida. Ninguém nunca dominou o palco desta sala de espetáculos da mesma maneira que Bill o fez na sexta-feira do dia 06 de outubro de 1972. Teve de tudo, Groove, Funk, Soul e muita, mais muito paixão entre banda & platéia. 

Line Up:
Melvin Dunlap (baixo)
James Gadson (bateria)
Bobbye Hall (percussão)
Raymond Jackson (arranjo de metais/cordas/piano)
The L.T.D. Horns (metais)
Bill Withers (vocal/violão/arranjo de metais)



Track List:
''Use Me''
''Friend of Mine''
''Ain’t No Sunshine''
''Grandma’s Hands''
''World Keeps Going Around''
''Let Me In Your Life''
''Better Off Dead''
''For My Friend''
''I Can’t Write Left Handed''
''Lean on Me''
''Lonely Town, Lonely Street''
''Hope She’ll Be Happier''
''Let Us Love''
''Harlem/Cold Baloney''


Depois que você apertar play num dos maiores discos ao vivo de todos os tempos, você ouvirá em claro e ensurdecedor som, como é ser Bill Withers no auge: o "hômi" é ovacionado após ser anunciado pelo Bruce Buffer do Carniege Hall. E é depois do início de ''Use Me'', que Bill justifica tanto frenesi.

A platéia estava tão incrédula que o cara até se rende depois do fim do Boogie inicial. Ele sente a vibe e profetiza: "one more time?" E retorna para a parte A do clássico, enquanto os presentes fazem a percussão com as palmas.

O combo de Withers parece tocar na sua sala. O wah-wah de "Friend Of Mine" emula um ambiente intimista enquanto uma das maiores sessões rítmicas dos anos 70 - James Gadson (bateria) e Melvin Dunlap (baixo) - deixa o groove no banho maria.


Nesse show, Bill mostra todas as suas facetas. Ele é hitmaker quando toca a icônica "Ain't No Sunshine". Mostra todo o amor pela comida da vovó ao som de "Grandma's Hands'' e deixa claro que enquanto o mundo girar vai ter groove em "World Keeps Going Round".

Um poço de tranquilidade, em alguns momentos parece que Bill nem é a atração principal. A postura dele no palco é formidável. Invoca paixão em "Let Me In Your Life" e faz o ouvinte duvidar... Pra que ouvir outra voz? Ao som de temas como "Better Off Dead", parece que só o Bill já basta.

Uma das maiores autoridades quando o assunto é groove, Bill não era um músico muito técnico, mas sua voz era carregada de lirismo e com uma banda que ainda contava com Bobbie Hall (percussão) e Raymond Jackson nas teclas, fica claro como manter o balanço era a meta principal desse grupo. Se liga na acidez dos timbres em "For My Friend".


Durante mais de 90 minutos, Bill dispara contra tudo que o envolve negativamente. Fala do Vietnã com uma sensibilidade brilhante em "I Can't Write Left Handed", pede confiança com "Lean On Me" e finaliza o show com uma trinca que parece transportar os ouvintes ao Harlem, groovando no Apollo de James Brown.

Não é só pelo groove, pelo sentimento de sua fantástica banda ou por que rolou até "Lonely Town, Lonely Street", "Hope She'll Be Happier" e "Let Us Love", contando ainda com "Harlem/Cold Balony" pra fechar. Não, definitivamente não é só isso.

Esse disco aqui é pela música. Pela calma do Bill e por toda a serenidade que a sua voz, suas letras e esses magistrais arranjos transmitem ao ouvinte. Aqui o R&B e o Funk encontram o romantismo do mestre.

0 comentários:

Alguém fez uma mixtape com o J Dilla e o Marvin Gaye

A tecnologia possibilita encontros inviáveis por diversos motivos. Gerações que nunca se cruzaram, músicos que viveram em país e épocas completamente distintas... Agora todos esses encontros podem rolar graças ao poder de softwares como o Pro Tools e o Logic Pro, por exemplo.

Basta contar com um computador que consiga suportar esses programas que é só aprender a mexer na plataforma e começar a promover encontros patrocinados pelo Chico Xavier.


Parece brincadeira, mas não é não meu velho. Se liga, por exemplo, no trabalho que o David Begun fez. O cidadão que também atende pela alcunha de "D Begun", teve a moral de promover um diálogo entre os beats de um dos maiores mestres do riscado Hip Hop, vulgo J Dilla e uma das grandes vozes da história do Funk/Soul, o aveludado Marvin Gaye.

Parece papo de gente maluca, mas o responsável por um dos mashups mais interessantes que você vai ouvir em 2018 conseguiu unir 2 dos músicos mais celebrados de Detroit e o resultado faz muita gente questionar por que o Marvin Gave não foi produzido pelo J Dilla e vice versa.


Não vou nem falar muito pra não estragar, mas depois do fim da mixtape parece até que o J Dilla fazia beat pra Motown e que o Marvin estava procurando um produtor de beats hahaha

Track List:
"I Heard It Through The Grapevine"
''You're A Wonderful One"
"It Takes Two"
"Sexual Healing"
"Let's Get It On"
"What's Goin' On"
"Ain't Nothing Like The Real Thing"
"Ain't That Peculiar"
"I've Got My Music"
"Stubborn Kind Of Fellow"
"If This World Were Mine"
"I Want You"


0 comentários:

O Kamaal Williams gravou um EP que parece sorvete de creme

Não bastasse surpreender o público com um disco do quilate de "The Return", tampouco uma collab com o Wu-Tang pra soltar versões de Hip-Hop sampleando a sí próprio e uma tour ao lado do guitarrista Mansur Brown... Pois é, o Henry Wu ainda não está satisfeito com o seu 2018, aparentemente, o britânico quer mais.

Se tem um cara que está de fato sem limites esse ano é o Kamaal Williams. Codinome para o já citado Henry Wu, a última do criador do Wu Funk foi soltar um EP com 3 versões ao vivo gravadas na França, tudo só pra chamar os ouvintes locais para as outras apresentações do meliante na terra de Napoleão, no final do ano, só em dezembro.


O EP intitulado "Nights In Paris", lançado no dia 11 de setembro (junto com o trampo de versões da Wu-Tang Clan) também não está figurando em nenhum serviço de streaming. Mais uma vez, o criador de um dos sons mais cremosos da cena escolheu manter esses grooves restritos ao Bandcamp, porém dessa vez ele ainda pretendo excluir as gravações até o final do ano (então não vacile).

O único detalhe é que dessa vez o download não é gratuito, no entanto serão 6 pratas de euro muito bem gastos, ainda mais pra quem JÁ vai ver os caras na França em dezembro rs.

Line Up:
Kamaal Williams (teclados)
Dexter Hercules (bateria)
Pete Martin (baixo)
Richard Samuels (mix)



Track List:
"DISAINTJAZZ"
"Nights In Paris"
"Salaam"


Trocadilhos infames a parte, não se engane pela pouca quantidade de faixas. Durante pouco mais de 20 minutos, o trio de Kamaal Williams mostra, ao vivo, sem cuspe nem massagem, como que o Fusion mais cremoso do maistream é criado durante os mais demenciais improvisos.

A primeira faixa já é uma ácida cutucada aos estudiosos do Jazz que questionam as diretrizes modernas do estilo desde a fase elétrica do Miles Davis. "DISAINTJAZZ" mostra como tem gente que ainda precisa ouvir muito Wu Funk antes de chegar com um approach classudo e descolado desses.


Atenção especial ao trabalho de Pete Martin no baixo (ele gravou o "The Return" ao lado do Kamaal em estúdio) e do baterista Dexter Hercules, que não tocou no disco, mas acompanha o tecladista como sideman.

Pena que nenhuma dessas versões conta com o Mansur Brown na guitarra. O cara faz alguns números com o trio, acompanhando a tour como músico convidado... Não se pode ter tudo na vida não é mesmo? Reclamar desse live é no mínimo inviável. "Nights In Paris" é mais cremoso que o próprio creme brulee que os parisienses tanto apreciam... e o que falar da entradinha de "Salaam", chegando sexy, bem devagar? É de fazer qualquer um chorar.

Manda buscar o terno que esse aí é pra ouvir com um Armani. Boogie de mafioso. Esse cara ouviu muito Steely Dan quando era pivete. Não é possível.

2 comentários:

Pare o que você estiver fazendo e escute Psilocibina

A música transmite urgência. Pode acreditar meu chapa, nenhuma banda se reúne, ensaia por meses, senta pra escrever e compor só por fazer mesmo. É claro que existem pessoas que levam o groove como hobby, mas isso não diminui ou muda o sentido do ato de querer expressar a mensagem da arte.

Hoje, mais do que nunca, a música independente alça voos ousados e sinuosos, não só fazendo frente ao que rola no batido cenário mainstream, mas também o superando em termos de qualidade e criatividade. O underground é casca grossa.

Foto: Anne Godoneo

Aqui no Brasil tem sido muito gratificante acompanhar bandas, músicos e estilos dos mais diferentes. Em todos esses novos trabalhos que (ainda) estão saindo, o sentimento de urgência, a energia e ânsia pelo novo... Esses elementos são como faíscas que justificam o por que alguns lançamentos de 2018, como o debutante do trio instrumental Psilocibina, não saíram dos meus fones desde que o primeiro full dos cariocas chegou.


Line Up:
Rodrigo Toscano (baixo)
Alex Sheeny (guitarra)
Lucas Loureiro (bateria/percussão)


Arte: Alex Sheeny

Track List:
"2069"
"Galho"
"Supernova 3333"
"Na Selva Densa"
"Psilocibina"
"Trópicos"
"LSD"


Tudo começou bem no começo do ano, quando a banda formada por Rodrigo Toscano (abaixo), Alex Sheeny (guitarra) e Lucas Loureiro (bateria), lançou os singles que antecederam o disco. "LSD" e "Acid Jam", liberados no dia 05 de janeiro, sintetizam todo o coquetel molotov que é a fusão de Jazz, Psicodelia e MPB que esses caras já levaram ao palco, junto de bandas das mais renomadas do cenário Heavy Psych, como o Radio Moscow e o Samsara Blues Experiment, por exemplo.

Arte: Rodrigo Toscano e Alex Sheeny

O single, assim como todo o disco, foi gravado ao vivo no Estúdio Mata, em Niterói, sob a tutela de Matheus Ullmann. O CD foi gravado em maio de 2017 e todo o conteúdo que compreende as 7 faixas mostra o que acontece quando 3 grandes instrumentistas de repertórios completamente diferentes entre si, se reúnem pra gravar um trampo ao vivo.

O disco que no final das contas saiu no dia primeiro de agosto, fez tanto barulho na cena que virou até vinil, junto com o "Adiante" da Necro (2016), graças ao selo Electric Magic, do guitarrista e vocalista do Samsara Blues Experiment, Christian Peters.

Foto: Marcos Myara Pereira (Radio Layback)

Aliás, até vale a pena resgatar uma fala do próprio Christian. Perguntado pelo Macrocefalia Musical sobre esses lançamentos nacionais no selo, ele respondeu que escolheu a Necro e a Psilocibina, justamente pela forte presença de ritmos latinos e pela variedade de elementos presentes no som.

Pegue a abertura do disco com "2069", por exemplo. A faixa já entra com o riff colado no seu cangote, num boogie insano e que impressiona pelo entrosamento e prudência nos timbres, principalmente do baixo e da guitarra.


Com temas como "Galho", fica bem claro a variedade de estilos que eles empregam. Nessa faixa em particular a densidade do baixo, as distorções da guitarra e a bateria de Lucas assustam pelo peso. No entanto o que impressiona mesmo é que apesar de tudo o groove sempre se mantém.

A dinâmica da banda é muito livre. As viradas na batera, os riffs e as camas de baixo remetem um combo de Jazz, mas as influências que criaram faixas como "Supernova 3333" e "Na Selva Densa", mostram um peso aliado a muito sentimento, sensibilidade e influências da Tropicália.

São muitas referências, o disco é muito rico e apesar de passar num ritmo alucinante, possui momentos mais tranquilos, como é o caso da faixa que nomeia o trio. Mais do que fazer música psicodélica, a maior lição do Psilocibina é que ainda é possível explorar referências antigas desde que os músicos se comprometam em criar algo novo, genuíno, orgânico e que depois da primeira audição nos faça pensar: "Por que eu não escutei isso antes?"

Denso, quente. Música com swing, sentimento e sabor. Pare o que você estiver fazendo e escute Psilocibina. Mais um lançamento Abraxas.

Não percam os shows da banda em São Paulo e no Rio de Janeiro. Basta escolher a cidade e clicar para ser redirecionado ao evento. Lembrando que a tour segue até Minas Gerais e Floripa.



Relação de Cidades:

Evento SP

Evento RJ

Evento SC

Evento BH


0 comentários:

From The West: o novo live do Earthless que você precisa comprar

Se tem uma banda que está criando uma legião de seguidores em função de suas performances ao vivo, essa banda é o Earthless. Desde o começo dos anos 2000 que o trio de San Diego dissemina a arte da improvisação psicodélica pelos Estados Unidos.

Com o mesmo DNA de grupos como o Grateful Dead, por exemplo, o projeto formado por Mike Eginton (baixo), Isaiah Mitchell (guitarra) e Mario Rubalcaba (bateria) é uma das maiores referências do cenário Heavy-Psych quando o assunto é um bom e velho disco ao vivo.


Quem acompanha a banda está sempre de olho nos novos lançamentos de inéditas também, como foi o caso de "Black Heaven" que saiu no dia 16 de março de 2018, mas a experiência de ouvir os improvisos da banda com uma abordagem ainda mais orgânica e crua do que em estúdio, é justamente o que faz os fãs acompanharem os californianos como verdadeiros deadheads (seguidores do Grateful Dead).

"East Of The West", novo registro ao vivo do Earthless, lançado dia 28 de setembro, via Silver Current Records, mostra como a química telepática dos 3 meliantes continua levando a música instrumental para outro nível... Revelando uma performance do mesmo padrão de outros épicos ao vivo do Earthless, como o Live At Roadburn (2008) e o "In a Dutch Haze" (split com o Heavy Blanket - 2014), a banda segue evoluindo enquanto os ouvintes continuam perplexos. 

Line Up:
Mike Eginton (baixo)
Isaiah Mitchell (Bateria)
Mario Rubalcaba (bateria)



Track List:
"Black Heaven"
"Electric Flame"
"Gifted By The Wind"
"Uluru Rock"
"Volt Rush"
"Communication Breakdown"
"Violence Of The Red Sea"
"Acid Crusher"


A receita desse lançamento é simples. O Earthless pegou o repertório do "Black Heaven", juntou com o "From The Ages", pitadas de Led Zeppelin e toques advindos do Split com o Harsh Toke, lançado em 2016 e bateu tudo isso no liquidificador.

Gravado no Great American Music Hall em São Francisco, no dia primeiro de março de 2018, esse trampo não só contempla o repertório mais recente dos caras, como também resgata um pouco do split com o Hars Toke que acabou passando meio batido em 2016. Esse lançamento contém a única versão de "Acid Crusher" que a banda já fez ao vivo.


Além de fazer esse resgate, os músicos emulam as maiores suítes do "From The Ages" com perfeição, enquanto intercalam com faixas do "Black Heaven", como a fulminante "Volt Rush", faixa que no disco tem menos de 2 minutos e que ao vivo não virou um improviso delirante (para a surpresa dos fãs).

Com destaque para a performance vocal de Isaiah em temas como "Gifted By The Wind" e por um competente cover de "Communication Breakdown" (já famoso nos shows da banda). Parece difícil, mas é possível definir não só esse trabalho, mas também toda a discografia do Earthless com apenas uma palavra: necessária.


O que eles criam juntos é algo especial. Em estúdio é um deleite, mas ao vivo a atmosfera ganha contornos que nem mesmo o resenhista consegue definir com precisão. Uma hora e 15 minutos de muito groove e psicodelia supersônica. Ainda bem que nós conseguimos trocar uma ideia com o Isaiah Mitchell só pra ver se faz sentido tudo isso que está escrito acima... O guitarrista falou sobre influências, o processo de gravação do último disco ("Black Heaven") e sobre groove. Se liga!

1) Numa banda com influências tão diversas, algo incomum hoje em dia, que tipo de referências encaixam ou não quando você está compondo para a banda?


Quando estamos compondo novo material acredito que o groove seja a coisa mais importante. Caso nós não consigamos algo bem estruturado fica difícil levar a ideia adiante. Ritmo e groove são elementos primordiais dentro da nossa música.

2) Morar longe dos outros integrantes foi um obstáculo na hora de escrever e fazer uma jam?


Foi sim por que a distância impossibilitou nossos encontros semanais pra escrever. Mas caso eu tenha uma ideia eu costumo gravar tudo em casa com todos os instrumentos que imaginei no som e aí eu mando para o Mario e o Mike.

Esse esquema funcionou bem para algumas músicas que pensei para o "Black Heaven". É claro que não é o meu jeito preferido de trabalhar com o Earthless, mas eu fiquei bem feliz com o resultado e com a forma que as coisas foram acontecendo, pois no final das contas foi bastante produtivo.

3) Esse disco conta com mais presença vocal. Isaiah, como que funciona esse esquema, você escreveu as letras para alguns dos sons cantados do "Black Heaven", mas isso foi natural ou foi como uma resposta às composições que a banda já tinha?


Todos os meus vocais são uma resposta para o material que temos finalizado nas mãos. É algo bem natural, assim como o trabalho que faço com guitarra e voz na Golden Void, outro projeto de Psicodelia da California no qual faço parte.

A questão dos vocais surge depois que uma música já está escrita. Quando estamos com uma composição que precisa desse preenchimento vocal, a primeira coisa que eu faço é pensar na melodia que a faixa precisa. Normalmente nós já vemos isso na hora, se vai ter espaço pra voz ou se vai ser mais um tema instrumental.

4) As referências do Earthless partem de vários nortes diferentes. Vai desde ícones do underground, como a Flower Travelling Band, até titãs do mainstream, como o Cream. Você acha que existem diferenças tangíveis entre o som do undergroud e o mainstream, pensando no approach do Rock? Por que você acha que está rolando uma nova onda "revival saudosista" na última década?


As pessoas sabem reconhecer o valor de algo uma vez que seja honesto e genuíno. É por isso que quando uma banda de Rock surge e carrega energia consigo é difícil não sentir atraído. O Rock é uma música que reflete a rebeldia. Ele não tem frescura, é direto ao ponto e não foi criado para ser seguro.

Acho que no final das contas o que acontece é que as pessoas estão cansadas dessas fórmulas calculadas que não levam ninguém a lugar nenhum. Elas só querem algo que seja honesto, por isso que a nossa cena está vivendo um grande momento e isso é muito divertido.

5) O que devemos esperar dos shows do trio no Brasil?


Acho que vocês com certeza irão se divertir e eu espero que esse show leve a plateia para outro lugar, bem diferente do que vocês estão agora. Espero que com a ajuda do nosso show o público consiga esquecer todos os problemas do país e apenas aprecie o som durante o nosso set, sem toda essa tensão.

Não percam os shows da banda em São Paulo, Rio de JaneiroFlorianópolis e Belo Horizonte. Basta escolher a cidade e clicar para ser redirecionado ao evento.


Relação de Cidades:

Evento SP

Evento RJ

Evento SC

Evento BH


0 comentários:

O Wu-Tang Clan fez um disco com versões do Kamaal Williams

Depois de lançar um dos melhores discos do ano, não pense o senhor que o Kamaal Williams está em casa moscando, muito pelo contrário. O músico segue em tour mundial com o repertório do seu debutante sob o nome de Kamaal Williams ("The Return - que nós resenhamos aqui), junto do trio base que gravou o trabalho e o guitarrista Mansur Brown, outro nome do selo Black Focus Records.


Pelo o que podemos ver acima as coisas estão indo muito bem obrigado, mas nem por isso o groove parou de sair. E não é por que o "The Return'' saiu no começo de 2018 que o disco já deu tudo que podia... Foi com isso em mente que o Wu-Tang Clan fez suas clássicas versões, dessa vez utilizando o Jazz do Kamaal Williams como moeda de troca para o Hip-Hop que descabelou as ruas de Nova York.

Line Up:
Henry Wu (teclados/sintetizadores/piano)
Snips (voz/beats)
McNasty (bateria)
Pete Martin (baixo)
Richard Samuels (engenheiro)



Track List:
"Run For Salaam"
"Broken PLO Theme"
"The Return Of The Shimmy"
 "Cash Rules The High Roller"
"Label Situations"
"Catch The Criminal Loop"
"The Chessboxin Rhythm Commission"
"House Of Medinas Daggers"
"Release The Shuffle"
"Aishas Kids"


Por mais louco que pareça, "Kamaal VS. Wu Tang Clan (Snips RE-Edits)" é mais um lançamento da Black Focus Records, liberado no dia 11 de setembro de 2018. Trata-se de uma iniciativa conjunta e que mais uma vez mostra que a distância entre o Jazz e a cultura Hip-Hop é bem menor do que você imagina.

O maior problema desse lançamento é que ele não está disponível nos serviços de streaming e o próprio Kamaal já disse que esse trampo não vai ter tiragem física. Mas dê um-dois e mantenha a calma, pois ainda é bem fácil descolar o download, já que eles colocaram no Bandcamp no melhor estilo "name your price". 


Como é um trampo de versões que brinca o tempo todo com a dinâmica do "tem um Jazz no meu Hip-Hop" e vice versa, esse registro não foi tão celebrado quanto o "The Return", mas ver esse outro lado, notar as mesmas linhas de teclados, sintetizadores, batera, baixo ou piano, todas sampleadas no forro do beat, só ressaltam as inúmeras qualidade da gravação original.

Ouvir a frase do piano de "Situations", toda embebida nos samples de "Label Situations", até parece que valoriza mais toda a classe e o clímax original. Separe aquele fino e esfumace o ambiente para no fim sacar o óbvio: o Jazz é o pai da cultura Hip Hop.


Escute sem preconceitos. Não pense que vai faltar groove (por que não vai) e observe como as versões cantadas fazem o trabalho original parecer uma fantástica trilha para um filme mudo. 

Os MC's da Wu Tang colocaram os diálogos e agora o Funk até fala. Coisa finíssima, só pra quem tem o tino daquelas gemas vinílicas que fazem o mundo girar. 27 doce minutos de Wu Funk.

0 comentários:

Cory Henry: Ressignificando o Hammond B3 para a nova geração

O Cory Henry virou uma mistura de Billy Preston, Booker T. Jones e Jimmy Smith da nova geração. Um dos músicos mais técnicos do nosso tempo e que emana sentimento em cada nota de seu Hammond, Cory é responsável por trazer essa forte cultura musical do Gospel, num blend exuberante de Jazz, Funk e Soul. R&B da melhor espécie ou o seu dinheiro de volta.

Só que depois de 3 discos solo muito enraizados nas verdades e vivências do próprio artista, acredito que "Gotcha Now Doc" (2012), "First Steps" (2014) e "The Revival" (2016) nunca fizeram frente a tudo que o negrão já fez... Faltava algo, um lance surpreendente, disruptivo, e foi aí que o The Funk Apostles caiu como uma luva.


Depois que o "The Revival" saiu, Cory foi promovê-lo, mas o que chamou atenção foi que ele reservou poucas datas para focar nesse novo repertório. Tão logo elas acabaram, Henry começou a figurar nos mais tradicionais festivais de Jazz do circuito europeu, como o festival de Frankfurt e Vienna, por exemplo, só que ao lado de uma nova banda.


Tanto o final de 2016 quanto o ano de 2017 (em sua totalidade), foram dedicados a esse novo experimento e essa drástica mudança de approach resultou no melhor disco do cidadão até então. Dessa vez como frontman, o músico virou a chave, colocou um Moog acoplado no órgão e lançou um dos melhores discos do ano.

"Art Of Love", lançado no dia 22 de junho de 2018 é o primeiro trabalho de estúdio de Cory com esse novo projeto. Agora ele brinca de George Duke católico por aí enquanto sua banda destila um dos mais ácidos repertórios da atualidade.


Track List:
"Trade It All"
"In The Water"
"Our Affairs"
"Just a Word"
"Takes All Times"
"Send Me a Sign"



Olha só a cara do chefe com a sua gangue. Essa foto resume tudo. Nunca senti tanto tesão, Funk e groove num só disco do multi instrumentista. É interessante como essas mudanças de cenário fazem bem pra música... "Art Of Love" acertou em cheio, são poucas composições é verdade e as 6 faixas compreendem apenas cerca de 35 minutos, mas acredite, serão os melhores 35 minutos do seu dia.

O esquema de Big Band sempre agradou Cory. No Snarky Puppy ele colecionou Grammys e sempre liderou bandas desde muito jovem, então eis que chega a pergunta: o que mudou? A resposta é simples: Funk.

Nos outros discos, tanto o próprio Cory, quanto sua banda, pareciam limitados pela proposta. O Gospel conta com milhares de possibilidades, mas antes ele parecia muito focado nisso e os discos as vezes acabavam saindo meio quadrados, com pouco groove pra balancear o som característico do Hammond.


Agora, com uma banda de Funk, o grande negócio com esse disco é ver como ele se enquadra nisso e como o seu Gospel raiz ajuda a mudar as regras do jogo, dessa groovando, com uma grande ressalva para os belos vocais do chefão.

Tem música pra tocar no rádio como "Trade It All". Sons pra deixar rolando num lounge, como "In The Water". Overdose de camadas de Sintetizadores em "Our Affairs", e pra não falar que ele virou a casaca do Gospel, ainda surgem dois hinos ao som de "Takes All Times" e "Send Me a Sign", composições criadas ao lado do Robert Randolph, amigo do meliante.

Esse disco mostra como é importante ter um equilíbrio entre a forma e o conteúdo. Foi só mudar a abordagem que bastou, esse é o som do Funk para o século XXI. Que timbre de Sintetizador hein Cory?! "Send Me a Sign" é de chorar.

0 comentários:

Precisamos falar sobre o Nate Smith

A bateria é um instrumento complexo. Sua função, estruturalmente, é dar forma e ritmo para que os outros instrumentos construam suas linhas, sempre como um ponto de encontro na bateria. Em função de nomes como Gene Krupa e Buddy Rich, pelo menos no Jazz, os ouvintes estão mais habituadas a verem a bateria no primeiro plano, liderando.

Quem veio da escolástica do Jazz consegue ver na bateria, mesmo que sozinha, a mesma riqueza de uma orquestra completa. Essa ideia de que um kit não pode soar melódico é muito ultrapassada e, para que o mundo entenda isso, chamaram o Nate Smith.


A bateria do Nate Smith possui 3 pilares: Groove, sentimento e técnica. Dentro desses nortes, acredito que ainda esteja pra nascer um batera que faça frente ao que o norte americano constrói, ainda mais em kits compactos, como os que ele faz uso.

Não me leve a mal, é plenamente possível destacar grandes bateristas da cena atual, como é o caso do Anderson Paak. e do Trevor Lawrence Jr, por exemplo, mas nenhuma dessas comparações seria justa, pois nenhum deles gravou um disco poderoso o suficiente para questionar o papel da bateria num contexto de liderança, não só dentro uma banda, mas sim do instrumento de maneira geral.


Track List:
"Get Down, Get Down"
"What It Do"
"DumDum"
"Day and Dusk"
"'Spress Theyself"
"Ghost Thud (For Mr. Allen)"
"Warble"
"Big/Little Five"
"Paved"
"Warble: Reprise"
"So Be It"


Terceiro disco de estúdio do baterista, "Pocket Change" caiu como uma bomba no cenário mainstream. Lançado no dia 28 de setembro de 2018, via Ropoadope Records, esse disco chega como quem não quer nada, mas após pouco menos de 35 minutos e 11 temas no mínimo desafiadores, deixa o ouvinte perplexo.

O plano foi simples, Nate levou sua bateria ao estúdio e improvisou 11 grooves. A ideia é desenvolver improvisos com base numa temática onde o groove seja o contexto para que se possa criar uma história e seguir esse conceito com um viés melódico.


É um exercício muito interessante. A cada som, Nate parte de uma ideia aparentemente simples e surpreende os seus ouvidos, faixa após faixa, ao criar verdadeiros universos a partir de passagens compactas e que fazem o ouvinte balançar as cadeiras.

Ele tira leite de pedra. É notável relembrar que o trampo que antecedeu esse registro, o excelente "Kinfolk: Postercards From Everywhere", lançado em 2017 vinha com uma sonoridade exuberante, mas com um objetivo estético e musical, completamente diferente desse aqui.

Um dos motivos pelos quais o Nate Smith virou "o cara" pra se acompanhar quando o assunto é bateria é justamente essa pluralidade de projetos que o circundam. No Fearless Flyers ele manda um Funk, com a Kinfolk era um Fusion riquíssimo e 1 ano depois cá estamos com um disco todinho só de baquetas, caixa e um groove que, como diriam os americanos: "It's tight as shit".



"Get Down, Get Down" já abre o trampo com o kit chamando você. "'Spress Theyself" é uma daquelas faixas que não se acompanha nem com o dedo, enquanto "Big/Little Five" mostra o quão expressiva e sentimental uma levada de batera pode ser.

Inexplicável. Uma grande experiência auditiva, esse disco confronta todas as tendências mercadológicas e mostra como é possível ser relevante em qualquer instância, desde que ela tenha groove. Você não pode acabar o ano sem escutar isso aqui.

2 comentários:

O Jazz do prodígio Mansur Brown - Trap, Fusion & Psicodelia

Sempre fui totalmente avesso a forma como a música é rotulada hoje em dia. Cada hora surge um novo gênero e cerca de 3 meses depois ele já conta com outros 3 pares como subgêneros...

O crítico musical talvez tenha uma maior necessidade de classificar os discos, mas ainda assim, no meio de tantas referências, parece ser até mais difícil definir linhas estéticas do que de fato ressaltar as qualidade de um bom trabalho, sem precisa de fato entrar em tanto detalhe.

Eu acho que esse fenômeno de "hiperclassíficação" (olha eu aqui inventando também) é algo que tem uma grande relação com o momento da música e a abordagem dos artistas de maneira geral. Hoje é mais difícil você achar sons diferentes, de fato originais e que você tenha aquele "click", sabe? De ouvir e falar: o que é isso?


Não que esses discos ou músicos não existam, MUITO pelo contrário, a questão é que hoje, mais do que nunca, é necessário procurar e filtrar a informação, mas a tecnologia apesar de ser um grande aliado, também pode acabar atrapalhando.

Se você toca guitarra por exemplo, basta ter uma placa legal no PC, contar com uma interface bacana e sair produzindo no Pro Tools. Com apenas alguns clicks é possível soar como o Eddie Van Halen e aí toda a necessidade de passar perrengue, testando e procurando por um som, acaba em 5 minutos.

Todos os perrengues que o próprio Eddie Van Halen passou tentar criar algo novo, inovador. É por isso que os rótulos são desnecessários, pois ao criar novas nomenclaturas para classificar algo que não é novo de fato, você só gasta termos em latim e segue ouvindo a mesma coisa, só que com outro nome dessa vez.


Na era da desinformação, o primeiro disco do prodígio Mansur Brown poderia e muito ter passado batido, pois o reboliço quanto a qualidade instrumental do surpreendente "Shiroi", lançado no dia 28 de setembro de 2018, via Black Focus Records, ainda está restrito à europa... E olha que o cara veio tocar no Brasil esse ano já hein.


Track List:
"The Beggining"
"Shiroi"
"God Willing"
"Me Up"
"Mashita"
"Black South"
"Flip Up"
"Simese"
"Straight To The Point"
"Motions"
"Hands Tied"


Conheci o som do Mansur Brown em 2016 quando escutei o "Strings Of Light" do Yusef Dayes e do Henry Wu, na época do duo Kamaal Williasm. Um dos temas presentes no disco inclusive é de autoria do guitarrista e me lembro que o timbre de sua guitarra (na faixa "Mansur's Message" não saiu dos meus fones tão cedo.


Depois que consegui parar de escutar o único trabalho que o Yussef Kamaal gravou, fui pesquisar pra ver se o Mansur Brown tinha outros projetos. Foi aí que eu encontrei o TriForce, ainda em 2016 quando eles soltaram o único EP de sua história até então, o excelente "5ive", lançado no dia 17 de novembro daquele ano.

Line Up:
Mansur Brown (guitarra)
Dominic Canning (teclados)
Ricco Komolafe (baixo)
Kaidi Akinnibi (saxofone)



Track List:
"Mikayoko"
"Red Lagoon"
"Righteous"
"Swank"
"Elijah's Remedy"


O TriForce é mais uma banda do selo Jazz re:freshed, um dos principais labels da cena de UK ao lado do 22a e também da Brownswood Recordings. O TriForce, na falta de apenas um prodígio, conta com 4 deles.

Todos do sul de Londres, mais especificamente de Brixton, o quarteto emula um Jazz Fusion muito trabalhado, além de contar com músicos que apesar de muito jovens, demonstram um domínio técnico assustador e entregaram um belo EP, ainda que a banda tivesse uma média de idade de 19 anos à época do lançamento.

Depois de ouvir muito TriForce, achei que já conhecia a abordagem de Mansur. Vale lembrar que o músico toca com o Kamaal Williams e o Yussef Dayes, isso sem dizer os rolês com o Alf Mist, mas a cada novo projeto que achava no Youtube, escutava um novo Mansur, e é exatamente aí que está o negócio. É exatamente por isso que esse trabalho não só é um dos melhores do ano, como também trata-se de uma aula para os guitarristas que ainda não atualizaram o software e continuam vendo o Malmsteen no G3.



Escutar um disco e ficar em dúvida sobre o que está acontecendo. Essa é uma das melhores sensações que podemos sentir ouvindo um novo play e essa é a energia que perdura enquanto "Shiroi" rodopia em seu próprio eixo.

Com o conhecimento de causa de quem já viu o negrão tocando ao vivo durante o festival da Jazz re:freshed que aconteceu em dezembro de 2017, na Associação Cultural Cecília em São Paulo, posso afirmar que esse cara é de fato diferente.

Suas composições são muito lapidadas nos campos harmônicos. Ele toca com uma semi acústica, mas tira timbres muito incomuns dela, alcançando toda e qualquer nota graças ao seu grande arsenal de dedos.


Mansur é cirúrgico, em dado momento mais cometido, fala pouco, escolhe uma abordagem de poucas notas. Com uma visão holística frente ao som, acredito que sua melhor qualidade seja esse equilíbrio. Ele sabe quando precisa entrar solando com mais fervor, mas também possui grande leitura pra saber a hora do "menos é mais".

Em uma palavra, defino "Shiroi" como um disco oportuno. Deveras. Ainda que sem informações quanto a banda que tocou no disco, vale ressaltar que o Mansur também toca baixo. Acredito que ele fez todas as guitarras, os baixos e as bases. Se teve outro músico foi na bateria, mas acho que a falta de créditos sugere que foi de fato o trabalho de um homem só.

E por mais que a guitarra seja o prato principal, o que chama atenção é a forte presença do trap nas bases. Essa ramificação das raízes do Hip-Hop embarcaram na lírica de Mansur e se transforma num bola indivisível de Funk, Blues, Jazz e Soul por 11 músicas e quase 45 minutos de um sinuoso groove.



Seja preenchendo um beat na abertura do disco ou valorizando os ecos e a linha de baixo na faixa título, Mansur faz o ouvinte prestar atenção. Com andamentos muito criativos e com grande leveza, o guitarrista parece flutuar frente as sólidas linhas de guitarra e baixo em "God Willing".

Se o Jazz é a mãe do Hip-Hop, o Trap é filho do Rap e quando o Mansur viu, já tinha virado Jazz. Essas novas conexões que são o grande negócio. Solos siderais sob bases absolutamente improváveis. Ouvindo "Me Up" parece que o Benson fez a guitarra. O cuidado em cada nota é sentido pelo ouvinte, o feeling é grandioso e flerta com tudo. "Mashita" e "Black South" poderiam ter sido composições Hendrixianas se o Trap estivesse na moda nos anos 70.

O John Frusciante ia pirar no trampo das bases em "Flip Up". Temas como "Simese" e "Motions" explicam por que o Mansur Brown é um prodígio desde os 15 anos. Só que "Straight To The Point" e "Hands Tied" comprovam como esse cara já é realidade faz tempo.


0 comentários:

Abraxas Produtora - 5 anos de distorção, underground e eventos psicodélicos

Trabalhar com música no Brasil é difícil. O público é resistente ao novo, muitas das vezes ignora o PIB nacional para acompanhar o hype gringo e ainda reclama do underground, afinal de contas bom mesmo é tomar chopp ao som de uma banda cover do Matanza.

É um cenário difícil e pouco animador para produtores com ideias diferentes. Não só quanto a curadoria, mas também com relação a logística de turnês envolvendo sempre o mesmo eixo batido de sempre (RJ-SP).

O circuito parece viciado, mas é possível vencê-lo. Não acredita? Conheça a história da Abraxas. Produtora carioca especializada em eventos psicodélicos, a empreitada capitaneada pelos irmãos Felipe e Rodrigo Toscano, comemorou 5 anos de história e o sucesso dos caras mostra como é possível obter relevância, não só valorizando a nossa cena, mas também descentralizando eixos para abrir novos mercados para a música.


Foi um privilégio ter observado esse crescimento, desde a primeira turnê  com a Mars Red Sky, lá atrás, em 2013. Esses caras realizaram o sonho de muita gente, até por que antes do surgimento desse projeto, nenhuma produtora de música pesada tentou trazer o Kadavar, Samsara Blues Experiment, Mars Red Sky, Stoned Jesus, Jeremy Irons & The Ratgang Malibus, The Vintage Caravan, The Shrine e tantas outras bandas que são referência no cenário psicodélico europeu/americano.

Eu mesmo sempre pensei que pra ver essa galera teria que viajar e acredito que os fãs também pensavam o mesmo, pois quem acompanha o cenário sabe que as produtoras brasileiras só estão interessadas nos medalhões.

Fora que tem outro detalhe primordial, muito mais importante até do que a presença de todos esses grandes nomes da cena internacional, o maior bem que a Abraxas fez foi valorizar o underground e dar oportunidade para que bandas como a Hammerhead Blues, Red Mess, Bombay Groovy, Muñoz, Anjo Gabriel, Augustine Azul, Necro, Psilocibina e Monstro Amigo, por exemplo, conseguissem mostrar o seu talento e, mais do que isso, rodar o Brasil e descentralizar os eixos de sempre para abrir novas possibilidades a uma cena que eles criaram, solidificaram e agora (que também se transformaram num selo) querem exportar.
A abertura do Abraxas Fest ficou sob responsabilidade da Noala, grupo de Sludge que já está no rolê desde meados de 2009. As atrações da grade nessa quinta edição do Abraxas Fest culminaram na edição mais pesada do evento até então. Além da Nola, vale lembrar que teve ITD (Into The Dust), Samsara Blues Experiment e EYEHATEGOD.

Cada qual com a sua filosofia, o Noala apresentou uma cozinha multifacetada em termos de abordagem ao Heavy Metal. Com texturas instrumentais inventivas e épicas, o combo mostrou que não há limites para o volume enquanto rompia células auditivas com um som capaz de colocar o Hendrix e o Neurosis na mesma página. Pra definir em poucas palavras: o set da Noala conseguiu transformar o caos num conceito harmônico.

Foto: Emanuel Coutinho

Mais uma banda do selo Abraxas, a ITD é um grupo de Brasília que aposta numa mescla bastante densa de Doom para seguir trilhando o caminho do som obscuro com uma dinâmica bastante azeitada e que contribui para a construção da identidade de um som que é no mínimo ardiloso e pesadíssimo.

No repertório tivemos algumas faixas do início da carreira do projeto, mas vale lembrar que o prato principal mesmo foram os temas do EP mais recente do trio, que foi liberado em junho desse ano, também via Abraxas. Com uma temática que fala muito bem sobre a nossa odiosa natureza humana, a banda fez um show sólido e segue caminhando a passos largos rumo ao apogeu do som arrastado e desacelerado.

Foto: Emanuel Coutinho
Depois foi a vez do Samsara Blues Experiment subir ao palco para o seu segundo show em São Paulo. Dessa vez com um repertório muito mais apoiado no último disco de inéditas dos alemães, o excelente "One With The Universe", lançado em 2017.

Estava bastante ansioso para saber se as partes de teclado do disco seriam recriadas ao vivo. Para o deleite da plateia que compareceu em peso na Vic Club, Christian Peters & cia do Karautrock não só trouxeram essa ambientação para o palco, como também a utilizaram para improvisar.

Com uma abordagem que em alguns momentos lembrou até o grupo alemão de Space-Kraut (também alemão) Eloy, a banda fez um show irretocável, com destaques para a calma budista do batera Thomas Vedder e para o guitarrista, vocalista (e nesse show tecladista), Christian Peters, que deu uma de Geddy Lee e não fez feio.

Foto: Emanuel Coutinho
Mais ainda faltava uma atração. O dia 13 de outubro de 2018 jamais será esquecidos pelo fãs de EHG. A data que caiu num sábado ficará marcada na alma dos fãs de Sludge-Doom.

Quem diria que uma banda que nasceu no berço do Jazz (New Orleans) iria se transformar num dos grupos mais pesados, influentes e pioneiros do Heavy Metal? Com 30 anos de experiência nas costas, o quarteto formado por Jimmy Bower (guitarra), Mike Williams (vocal), Gary Mader (baixo) e Aaron Hill (bateria) simplesmente varreu a plateia.

Com um show animalesco, o grupo viu sua primeira passagem por São Paulo ser coroada por uma recepção alucinante. Com dezenas de fãs incrédulos com a presença de uma das bandas mais cultuadas no cenário, o quarteto promoveu um passeio bipolar entre as mais diferentes fases que permeiam a história da banda.

Liderados pela voz atormentada de Mike Williams a banda mostrou um fôlego e uma pegada que muita banda do Underground não consegue equiparar, enquanto a plateia o espetáculo com uma sádica adoração.

Mais do uma edição anual, o Abraxas Fest é a prova de como é possível lotar uma casa de shows hoje em dia apostando, primeiro na nossa própria cultura, depois trazendo as referências internacionais do cenário para promover um intercâmbio fantástico e que tem rendido ótimos frutos para o nosso underground.

Vida longa aos meliantes.

0 comentários:

Compre um low rider e escute o novo disco do Kamaal Williams

Antes de entrar no Low Rider e descer a West-Coast no drift, vamos rebobinar a fita. O marco zero dessa história é o ano de 2016 e envolve 2 nomes chave: Henry Wu e Yussef Dayes. O primeiro é produtor, multi instrumentista e um dos caras mais inovadores quando o assunto é tirar sons pouco ortodoxos de qualquer teclado, sintetizador ou piano.

O segundo é baterista e um dos maiores nomes da cena quando o assunto é aquela batera precisa, com grande embasamento percussivo (afrobeat), influências de Hip-Hop, tempos quebradíssimos e uma dinâmica muito influenciada pela cena Jazz-Funk dos '70.


Os caras já se conheciam há mais de 10 anos, do rolê underground de Londres mesmo, mas só conseguiram se juntar pra gravar em 2016 e, o resultado, o excelente "Black Focus", lançado pela Black Focus Records (selo de Henry Wu) - de nome artístico Kamaal Williams, é sem dúvida alguma um dos melhores trabalhos de Jazz dos últimos anos. 


Não só pelos timbres modernos, tampouco por contar com os melhores músicos da cena de UK (um dos maiores celeiros para os novos talentos atualmente), mas esse disco deixou muita gente órfão quando a dupla decretou o final de suas atividades. Depois de apenas um disco e pouco mais de 1 ano em tour conjunta, promovendo o trampo em todos os cantos da europa, sempre com ingressos esgotados, Yussef Dayes e Kamaal Williams romperam com o groove.



Foi do nada e eu devo ter sido apenas uma das centenas de pessoas que ficou com a seguinte pulga atrás da orelha: "imagina só um segundo disco com esses caras juntos". Isso aí acabou ficando só no plano das ideias mesmo e olha, sei que pode não parecer - ainda mais quando você escutar o "Black Focus"- mas acreditem, o fim do projeto foi bom para todos os envolvidos.

O Yussef seguiu sua vida e hoje toca com seu quarteto. Ele ainda não gravou nenhum disco solo, mas segue colaborando em gravações de outros amigos, também músicos ativos em Londres, como o Moses Boyd e o Alf Mist, por exemplo.

O Henry Wu também não ficou parado não e concentrou suas atividades na difusão da música de seu selo, mas aí passados já mais de 2 anos, o músico anunciou seu debutante solo e quando todo mundo achou que os climas, as cordas e o groove de "Black Focus" seriam esquecidos, o carequinha soltou um "sucessor" a altura, o surpreendente e cremoso "The Return", lançado em 25 de maio de 2018.

Line Up:
Kamaal Williams (teclados/pianos/sintetizadores)
Pete Martin (baixo)
McNasty (bateria)
Richard Samuels (engenheiro)
Mansur Brown (guitarra)



Track List:
"Salaam"
"Broken Theme"
"The Return"
"High Roller"
"Situations" (Live In Milan)
"Catch The Loop"
"Rythm Comission"
"Medina"
"LDN Shuffle"
"Aisha"


Uma mistura de Milk Shake de Herbie Hancock com um rolê de Low Rider pela Califórnia escutando J-Dilla, esse disco mostra a importância de criar uma identidade sonora sem perder as referências. Isso não só contribui para colocar esse registro como um dos destaques do ano, como também ajuda a desmistificar os céticos quanto a sonoridade que foi criada ao lado de Yussef Dayes.

O projeto de fato terminou, os 2 já cansaram de falar isso, mas isso não impediu que o Kamaal Williams levasse o ideal estético de groove que eles criaram, para outro nível, dessa vez com foco nas teclas, mas com uma sessão rítmica riquíssima apesar da compacta formação em trio. 


Um dos elementos que mais se destacaram em "Black Focus" era o trabalho de cordas que o Kamaal fazia explorando os timbres de um Nord Electro. Esse elemento ainda marca presença aqui e aparece no começo do disco, logo depois da faixa de abertura ("Salaam") e seu loop de teclas com a bateria e o baixo fazendo uma base tinhosa, só esperando pelo Nord Electro chegar para apaziguar os ânimos depois do Wah-Wah em "Broken Theme", na faixa titulo.

Aliás, essa vinheta é a única folga que você terá ouvindo isso, por que logo depois aparece "High Roller", um dos singles do novo trabalho, e aí a casa cai. Mantendo a base de cordas do tema anterior,  Kamaal só faz a cama para que dessa vez Pete Martin (bateria) e McNasty (baixo) façam o groove se sobressair com climas excelentes, repletos de feeling e que mostram o poder elástico do groove com toda essa roupagem cremosa nas teclas. "Smooth", como diriam os bilíngues.

E para provar toda essa proposta, Kamaal colocou até uma versão ao vivo no disco. "Situations" pega o músico emulando uma frase com pouquíssimas notas, num improviso de rara beleza com uma melodia tão classuda quanto o piano de cauda utilizado nessa gravação.


Take após take o som segue rolando, beirando o estado líquido do néctar instrumental, mas sempre com groove. Além do grandioso trabalho e visão de teclas, o outro pilar que sustenta esse CD é a bateria. Não é o Yussef Dayes nela, mas as referências de beat e o approach seco de McNasty embalaram o disco à vácuo junto com o baixo. Se liga na dinâmica e nos tempos de "Catch The Loop". O timbre do riff de teclado é cortesia de um Juno 106 que é o mais puro veneno.

Absurdamente azeitada para quem gravou apenas um trampo, esse disco é o exemplo do que acontece quando você tem um norte criativo, desenvolve suas ideias e conta com músicos do mesmo patamar além de profissionais que se preocupam tanto com a qualidade da produção de um registro fonográfico.

Chegando com a classe de uma trilha sonora de cinema, sons como "Rhythm Commission" e "Medina" parecem passar pela janela do seu carro enquanto você desliza de Low Rider. E pra quem estava sentindo falta de guitarras, ainda rola a participação do prodígio Mansur Brown em "LDN Shuffle". Composição do próprio sideman do Kamaal Williams para sua tour mundial, o negrão chega com seu enebriante mix de Trap com embates Hendrixianos.

Foto: Macrocefalia Musical

Quando você acha que já ouviu de tudo ainda tem a última faixa. Pra fechar todo esse colosso de 10 temas e quase 45 minutos de uma verdadeira aula de Jazz, Kamaal chega com classe até pra dar tchau. "Aisha" finaliza o disco ou pode ser a música de entrada do próximo. Sei lá.

Que disco meus caros, é tão cremoso que parece que o groove desafia os tempos líquidos de Bauman. O futuro já é uma realidade... E ainda tem gente que fala que o Jazz acabou... Aumentem o volume pra essa rapaziada.


0 comentários:

A cozinha hermética do Samsara Blues Experiment

Cada som segue um caminho. Toda alquimia sonora é criada a partir de um estímulo, seja ele estético ou até mesmo filosófico. Sabe aquele conexão entre as sinapses que fez você criar um riff semana passada? Então, é interessante pensar na música como um corpo que nasce, cresce e se desenvolve para perpetuar novas influências de maneira relevante.

Esse fenômeno impacta as referências criativas e com o passar do tempo é um grande prazer observar o crescimento de grupos tão originais e espontâneos como o Samsara Blues Experiment, por exemplo. O quarto disco de estúdio da banda, ''One With The Universe", lançado no dia 10 de abril de 2017 prova como os alemães estão no auge, trabalhando de maneira inventiva, numa formação compacta, porém absolutamente livre e cirúrgica dentro do que se propõe a fazer. Assim como já diz o título, esse registro coloca o ouvinte em comunhão imediata com o universo.

Line Up:
Christian Peters (guitarra/vocal/teclados/sintetizadores)
Thomas Vedder (bateria)
Hans Eiselt (baixo)



Track List:
"Vipassana"
"Sad Guru Returns"
"Glorious Daze"
"One With The Universe"
"Eastern Sun & Western Moon"


A Música não é só um exercício puramente criativo. Criar é com certeza um dos pilares do groove, mas explorar talvez seja o outro lado desse pêndulo, o centro de gravidade que equilibra as influências de um compositor.

O Samsara é uma banda que possui esse DNA de pesquisa. Desde alterar a estrutura da banda, indo de quarteto para trio, a banda sempre presou por seguir experimentando. O vocalista e guitarrista Christian Peters, nutre diversos projetos paralelos que envolvem desde música eletrônica - o cara é fissurado em sintetizadores - até Krautrock, passando pela música indiana.


Foram 4 anos até a gravação desse full, mas a espera definitivamente valeu e pena. Se no disco de inéditas anterior ("Waiting For The Flood" - 2013) a banda chegou com um approach mais Jazzeado, nesse mais recente trabalho, pode deixar que o Christian já apresenta o sinth logo na faixa de abertura, com "Vipassana".

Temas longos, texturas lisérgicas que questionam a passagem do tempo e uma dinâmica que transforma qualquer frase ou tema num grande Raga. Esse é o rico vocabulário do Samsara Blues Experiment.


Os climas seguem surpreendentes, os timbres de guitarra e a sensibilidade da sessão rítmica é notável em temas como "Sad Guru Returns", por exemplo. É uma energia ritualística. Sons como "Glorious Daze" surgem cintilantes. Os detalhes do sitar... A voz ao fundo... O grupo promove uma imersão psicodélica com grande poder de cura.

São apenas 5 faixas, mas quase 45 minutos de transe. "One With The Universe" marcou os 10 anos de história do Samsara e toda sua rica paleta de cores está prensada nos sulcos desse Heavy-Psych. Não é só pelo groove ou pelos timbres e viagens progressivas, ouvir o som do Samsara Blues Experiment é se surpreender com os rumos da criação e da exploração musical.


Um grande exercício de autoconhecimento, apreciar as ideias dos caras é estar aberto ao novo. Desafiador não? Aproveitamos que o trio desembarcou no Brasil para sua segunda tour em solo nacional para bate um papo com o vocalista e guitarrista Christian Peters, só pra tentar entender um pouco mais sobre esse universo antes do show deles com o Eyehategod em São Paulo, dia 13 de outubro no Abraxas Fest.

1) Como vocês enxergam o underground brasileiro - num momento que até o selo de vocês (Electric Magic) lançou o vinil da Necro (Adiante) e o debutante do Psilocibina?


Eu acho que existem bandas muito interessantes e talentosas no seu país. Eu escolhi a Necro e a Psilocibina por que esses 2 grupos apresentam traços de latinidade no som que são elementos que gosto bastante. Atualmente muitas bandas possuem muito recurso técnico, são naturalmente talentosas, mas insistem em tentar soar como outra banda hype. Eu gosto de originalidade. E o disco da Necro ("Adiante") é algo muito próximo do que eu chamaria de um clássico de Heavy com características psicodélicos e da cultura popular brasileira.

2) Christian, pra você, qual é o elemento chave para seguir criando música, sempre pensando em manter as coisas frescas e orgânicas do começo ao fim da experiência sonora?


Se você for músico é tudo questão de tocar e não tem muito o que falar sobre isso, provavelmente. Se você está imerso nessa mundo pelas razões erradas (fama, mulheres, dinheiro ou seja lá o que for) você provavelmente também não vai durar muito nesse meio.

Com a minha experiência de 27 anos tocando guitarra, sendo 19 deles já fazendo parte de bandas, eu acho que você precisa ser apaixonado pelo o que faz.

3) Como o Jazz influencia a música da banda? O disco "Waiting For The Flood" apresentou diversas características comuns à linguagem do Jazz. Vocês pretendem seguir experimentando com esse gênero?


Eu realmente escuto Jazz, mas não estava ciente que era possível ouvir tantas referências desse estilo no nosso último disco! Eu acho que não dá pra dizer o que faremos no futuro, mas agora as novas composições tendem a ser mais curtas e mais orientadas à canção mesmo, apresentando influência do Grunge dos anos 90.

É um processo que está sempre em mutação, mas nós mantemos nosso estilo e estamos sempre abertos para novas possibilidades.

4) Christian, qual é a sua opinião sobre a gravação digital X analógica? Acho que hoje em dia, mais do que nunca, a tecnologia facilita muita coisa para que você possa atingir determinadas sonoridades, mas ao mesmo tempo é difícil inovar. Quais os conselhos que você daria para as novas bandas que estão tentando encontrar um som e um processo de gravação ideal?


Na SBE nós sempre gravamos digitalmente. Eu gravei de maneira analógica no começo da minha carreira e eu posso falar que não é tão divertido quanto parece. Especialmente quando você tem outras possibilidades de gravação, eu sinceramente não consigo entender algumas bandas que mesmo hoje, gravam tudo com recursos analógicos. É um fetiche engraçado.

Por outro lado eu sei que alguns grandes discos analógicos do passado tem aquele "som mágico", mas não é só por que eles gravaram em fita, caso contrário você poderia fazer diferença em grupos que fazem isso hoje em dia, o que em 99 de 100 casos não é possível. (o som analógico e o digital é praticamente o mesmo).

Algumas coisas como a saturação (isso talvez você consiga simular digitalmente) podem ajudar para melhorar o som de certos instrumentos, mas você sempre pode usar isso em combinações que envolvam os poderosos recursos do Pro Tools ou outro programa que temos agora. Eu mesmo estou aprendendo bastante sobre técnicas de gravação com o meu projeto solo "Surya Kris Peters", então não consigo dar um conselho, é tudo questão de estruturar um processo de aprendizado para que toda pessoa interessada nesse assunto consiga se desenvolver.

5) Segunda passagem pelo Brasil. O que vocês esperam dessa vez? Planos para o futuro? O Macrocefalia Musical agradece a atenção e deseja uma boa tour pelo nosso Brasa.


Eu espero que possamos nos divertir, como sempre. Provavelmente nós vamos tocar 1 ou 2 sons que ainda não gravamos então vamos ver como vocês vão reagir a eles. Muito obrigado pelo interesse na nossa música. Vejo vocês no show!

0 comentários: