O Kamaal Williams gravou um EP que parece sorvete de creme

Não bastasse surpreender o público com um disco do quilate de "The Return", tampouco uma collab com o Wu-Tang pra soltar versões de Hip-Hop sampleando a sí próprio e uma tour ao lado do guitarrista Mansur Brown... Pois é, o Henry Wu ainda não está satisfeito com o seu 2018, aparentemente, o britânico quer mais.

Se tem um cara que está de fato sem limites esse ano é o Kamaal Williams. Codinome para o já citado Henry Wu, a última do criador do Wu Funk foi soltar um EP com 3 versões ao vivo gravadas na França, tudo só pra chamar os ouvintes locais para as outras apresentações do meliante na terra de Napoleão, no final do ano, só em dezembro.


O EP intitulado "Nights In Paris", lançado no dia 11 de setembro (junto com o trampo de versões da Wu-Tang Clan) também não está figurando em nenhum serviço de streaming. Mais uma vez, o criador de um dos sons mais cremosos da cena escolheu manter esses grooves restritos ao Bandcamp, porém dessa vez ele ainda pretendo excluir as gravações até o final do ano (então não vacile).

O único detalhe é que dessa vez o download não é gratuito, no entanto serão 6 pratas de euro muito bem gastos, ainda mais pra quem JÁ vai ver os caras na França em dezembro rs.

Line Up:
Kamaal Williams (teclados)
Dexter Hercules (bateria)
Pete Martin (baixo)
Richard Samuels (mix)



Track List:
"DISAINTJAZZ"
"Nights In Paris"
"Salaam"


Trocadilhos infames a parte, não se engane pela pouca quantidade de faixas. Durante pouco mais de 20 minutos, o trio de Kamaal Williams mostra, ao vivo, sem cuspe nem massagem, como que o Fusion mais cremoso do maistream é criado durante os mais demenciais improvisos.

A primeira faixa já é uma ácida cutucada aos estudiosos do Jazz que questionam as diretrizes modernas do estilo desde a fase elétrica do Miles Davis. "DISAINTJAZZ" mostra como tem gente que ainda precisa ouvir muito Wu Funk antes de chegar com um approach classudo e descolado desses.


Atenção especial ao trabalho de Pete Martin no baixo (ele gravou o "The Return" ao lado do Kamaal em estúdio) e do baterista Dexter Hercules, que não tocou no disco, mas acompanha o tecladista como sideman.

Pena que nenhuma dessas versões conta com o Mansur Brown na guitarra. O cara faz alguns números com o trio, acompanhando a tour como músico convidado... Não se pode ter tudo na vida não é mesmo? Reclamar desse live é no mínimo inviável. "Nights In Paris" é mais cremoso que o próprio creme brulee que os parisienses tanto apreciam... e o que falar da entradinha de "Salaam", chegando sexy, bem devagar? É de fazer qualquer um chorar.

Manda buscar o terno que esse aí é pra ouvir com um Armani. Boogie de mafioso. Esse cara ouviu muito Steely Dan quando era pivete. Não é possível.

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