The '67 Demos: escute os primórdios do Blue Cheer

Um coquetel molotov embebido no mais cavernoso Blues Psicodélico. Talvez esse conjunto de hipérboles consiga sintetizar um pouco do impacto que o Blue Cheer teve no desenvolvimento da música pesada.


Power trio formado por Dickie Peterson (baixo/vocal), Leigh Stephens (guitarra) e Paul Whaley (bateria), o grupo fixado na Bay Area de São Francisco cunhou alguns dos principais registros da história do Blues/Rock Psicodélico dos '60 e '70.


Quem nunca danificou os ouvidos familiares ouvindo "Summertime Blues" num volume tão próximo quanto a uma multa de condomínio?  "Vincebus Eruptum" (68) e "Outsideinside" (68) são exemplos de 2 trabalhos pioneiros no desenvolvimento do som do Rock como um conceito.


Puro, cru e repleto de distorções e outros experimentos de ordem elétrica que estavam pipocando nas mãos de caras como Hendrix, Randy California e Randy Holden, o Blue Cheer criou algo que apesar de ser cultuado hoje em dia, não teve o reconhecimento merecido à época. 

Dentro dos meandros do Rock o Blue Cheer acabou elevando seu conceito e se tornando um estilo. Tudo que veio depois dos caras ainda bebe dessa água, vide a cena contemporânea do Stoner, por exemplo.


Poucas bandas conseguiram atingir algo parecido e o Grand Funk Railroad talvez seja um bom exemplo disso... O Mel Schacher (baixista do Grand Funk) deve ter explodido uns 4 amplificadores pra atingir o timbre que consagrou o vermelhão... Ambos nunca conseguiram atrair os holofotes, mas a potência de suas gravações é intensa demais pra ser ignorada.


E para provar, não apenas que a década de 60 é logo ali, mas também como o som dos primórdios ainda ecoa no presente - e quiçá no futuro - que o Blue Cheer virou a chave de 2018 para 2019 com um lançamento que já vai fazer estrago logo no primeiro mês do ano.

Line Up:
Dickie Peterson (baixo/vocal)
Leigh Stephens (guitarra)
Paul Whaley (bateria) 



Track List:
"Second Time Around"
"Doctor Please"
"Summertime Blues"


"The '67 demos" é algo que os arqueólogos do cenário Hard/Psych dos anos 60 & 70 estão esperando por décadas. Lançado oficialmente no dia 04 de janeiro de 2019 via Modern Harmonic, esse compilado de 3 demos da banda passou anos circulando na ilegalidade, mas finalmente foi redescoberto e ganhou um relançamento precioso.

Com uma prensagem em vinil azul, essa gravação finalmente saiu das mãos do mercado negro e mostra por que o som do Blue Cheer era muito mais Lóki que o LSD que inspirou o nome da banda. Inclusive, vale lembrar que o "Blue Cheer" foi também uma variado de ácido bastante famosa no verão amor (1967) e o responsável por nomear o grupo foi o engenheiro/químico clandestino do Grateful Dead, o guru Owsley Stanley.


É até engraçado ouvir essas gravações, agora numa qualidade muito mais respeitável, e pensar que isso aqui nasceu justamente durante o verão do amor. É um contraponto dos maiores, já que a sonoridade vai justamente na veia contrária de toda a onda Hippie que caracterizou o período.

São pouco mais de 20 minutos de som. Falando assim até parece que não vale ir atrás, mas vá na fé meu chapa, esses serão os melhores 20 minutos de janeiro de 2019. O estrago da cozinha rítmica e as guitarras irradiando distorção como a cauda de um cometa... Os 10 minutos de hardeira com "Doctor Please" já valeriam essa resenha.

Tão leve quanto um bochecho com cactus pela manhã, recomendo que vossos ouvidos aumentem o volume no máximo (que já é o suficiente).

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