Beth Hart & Joe Bonamassa: torrando em Amsterdam

O tempo passa mas os bons costumes sempre prevalecem como via de regra. Não importa quantos anos corram pelos calendários, um bom e velho disco ao vivo simplesmente representa outro nível de musicalidade. Eleva a aura sonora para um grau que estúdio nenhum consegue captar.


E num mundo onde a sua produção vem diminuindo cada vez mais, é bom saber que ainda existem pessoas que respeitem os mandamentos clássicos e compreendam a força e alcance dos mesmos. Joe Bonamassa e Beth Hart que o digam, o disco ao vivo da dupla mostra a essência do conceito de troca de energia durante uma performance. Um dos grandes discos de 2014 sem dúvida alguma, "Live In Amsterdam", lançado no dia 24 de março, foi o melhor live que escutei num longo tempo.


Line Up:
Carlos Perez Alfonso (trombone/percussão)
Joe Bonamassa (guitarra/vocal)
Blondie Chaplin (guitarra/vocal)
Ron Dziubla (percussão/saxofone)
Anton Fig (bateria)
Beth Hart (vocal/piano)
Carmine Rojas (baixo)
Arlan Schierbaum (teclado)
Lee Thornburg (trompete)



Track List CD1:
''Amsterdam, Amsterdam''
''Them There Eyes''
''Sinner's Prayer''
''Can't Let Go''
''For My Friends''
''Close To My Fire''
''Rhymes''
''Something's Got A Hold On Me''
''Your Heart Is As Black As Night''
''Chocolate Jesus''
''Baddest Blues''
''Someday After Awhile (You'll Be Sorry)''


Track List CD2:
''Well, Well''
''If I Tell You I Love You''
''See Saw''
''Strange Fruit''
''Miss Lady''
''I Love You More Than You'll Ever Know''
''Nutbush City Limits''
''I'd Rather Go Blind''
''Antwerp Jam''


Desde o primeiro CD que a dupla gerou de forma conjunta-colaborativa - ''Don't Explain", lançado em 2009 - que venho aguardando por esse trabalho. Foi complicado ficar na lista de espera, mas sua demora foi justificável. Com apenas um disco na bagagem seria difícil fazer render caldo para um live, quanto to mais um DVD, como foi feito com esse lançamento em especial.

Só que após o segundo disco dessa reunião, o excelente "Seesaw", lançado em 2013... Bom, aí o negócio começou a esquentar. Vale ressaltar que atualmente eles estão no terceiro trabalho de estúdio, depois que o também competente, "Black Coffee", veio ao mundo em agosto de 2018.


Na época desse show, Beth & Joe estavam na turnê do "Seesaw" e que me desculpe o guitarrista, mas se no primeiro disco o diferencial foi a voz da senhorita Hart, a partir de ''Seesaw'' ficou nítido que o guitar hero ficou em segundo plano.

Não tentem ler isso como uma crítica, eis aqui um claro, direto e óbvio elogio a voz repleta de sentimento de Beth, que justiça seja feita, merecia e muito esse reconhecimento.


Aqui ela inclusive trata de comprovar o motivo. Ao explorar muito bem a dinâmica que a escola de Big Bands trouxe para a roupagem desse segundo disco, a força de suas interpretações é tamanha que ela tomou conta do repertório e se transformou no termômetro da jam.

Dessa maneira, foi possível investir num repertório mais ousado que o anterior, apostando num groove classudo e swingadão, com um time de metais que apenas engrandece a atmosfera do Blues, Soul, Gospel e R&B. 

Nem vou falar muito por que esse aí vocês precisam ouvir. ''I'd Rather Go Blind'' é a cereja do bolo. Depois da Etta James, só a Beth segura o rojão que é cantar esse clássico. E a versão de ''I Love You More Than You'll Ever Know''? O Al Kooper deve ter ficado orgulhoso. Muito sentimento. Segura esse duplex.

2 comentários:

  1. Tenho tudo de Joe Bonamassa e Beth Hart pois acompanho suas carreiras desde o nascedouro, apesar de restrições ao repertório mais hard rock de Hart em seu início. A junção destes 2 grandes talentos rendeu um caldo maravilhoso.

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  2. São bons demais né Edson, a carreira solo da Beth também é muito massa. Acho até que esses discos fazem mais sucesso que os solo dela que eu tanto admiro!

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