Não é Bruce Lee, mas tem Funk: se liga no groove do Kung Fu

Uma das principais características históricas do Jazz era o seu vívido cenário de clubes. Picos primordiais, como o Villa Vanguard, Ronnie Scott's o Birdland, por exemplo se transforam em verdadeiros templos sonoros para a difusão dos novos ideais de uma das escolas mais ricas do século XX.

E apesar da longevidade desse tal de Jazz, o cenário de clubes ainda permanece como um importante traço para a logística, revelação e respectiva afirmação de novas bandas do estilo.


É claro que tudo isso acontece já sem a mesma popularidade e representatividade de outrora, mas é um movimento que ainda pulsa e fomenta o groove em diferentes países, estimulando bandas como o Marbin, Rock Candy Funk Party e toda e qualquer coqueluche Fusion que você encontrar no underground - principalmente do Estados Unidos & Inglaterra - os clubes ainda são um importante pilar para o Funk.



Ainda não acredita? Conheça o Kung Fu, projeto idealizado nas vielas mais cavernosas de New Haven, Connecticut. Formado em meados de 2011, a banda composta por Tim Palmieri (guitarra), Robert Somerville (sax), Adrian Tramontano (bateria), Dave Livolsi (baixo) e Todd Stoops (teclados) ganhou fama no underground dos clubes antes de virar figurinha carimbada nos maiores festivais de Jazz do mundo desde 2012.

Formado por integrantes do The Breakfast e também do Deep Banana Blackout - duas bandas de Funk/Fusion que juntas formavam o coletivo RAQ - o Kung Fu nasceu na incerteza de que a banda conseguiria se manter, mesmo com diversos membros imersos em outros projetos, mas como groove não é brinquedo não, vale ressaltar que o negócio deixou de ser projeto paralelo pra virar banda faz tempo.


O interessante no entanto são as mudanças que ocorram na formação da banda e a dinâmica endiabrada no som dos caras. De 2011 pra 2019 já são 3 discos de estúdio debaixo do braço e uma sonoridade que envolve o Jazz e o Fusion com um único e exclusivo objetivo: fazer você dançar.


Com o disco homônimo lançado no dia 27 de agosto de 2012, a banda tangibilizou seu riquíssimo e praticamente virtuose repertório. Com um approach quase que 100% instrumental, esse disco foi o responsável por colocar a banda no mapa e começar a viralizar o swing mundialmente.



Em 2014 a banda trabalhou 18 meses, groovando no calendário de datas e gravando o disco nos intervalos para lançar "Tsar Bomb", o CD que levou a música deles para um novo patamar e que, apesar de causar mudanças na formação - o baixista Chris DeAngelis do Dave Livolsi  - chegou com composições cantadas e colocou todo mundo nos vocais.

Embalada por hits como "Hollywood Kisses", Tim Palmieri e cia encontraram uma renovada base de fãs e mostrou como é impossível promover essa segregação entre música instrumental e música cantada. Com 30 segundos de play - em qualquer um dos 3 discos - fica claro que os músicos são muito técnicos, por isso que os arranjos e os improvisos são tão intrincados e capazes de arrepiar plateias do mundo todo, mas a dinâmica com vocais definitivamente mudou as regras do jogo.



E e aí que mora o perigo, em 2016, depois de quase 2 anos sem gravar nenhum trampo de inéditas, a banda retornou ao estúdio - dessa vez com Beau Sasser nos teclados - para gravar o que é, indiscutivelmente, o melhor disco do trio até o momento.

Para finalizar a primeira trinca de lançamentos de sua história, o quinteto surge com "Joyride", um minucioso trabalho que consegue juntar toda a exatidão instrumental dos 2 primeiros discos e promover um som ainda mais intenso, dinâmico e dançante, com grandes arranjos e com um trabalho vocal que eleva o status do groove. 

Com "Joyride" o combo prova que o rolê não é mais um show: virou festa.


Não é Bruce Lee, mas tem Funk. Se liga nesse groove antes que os caras aparecem com o quarto bolachudo. "Speed Bump Of Your Love" poderia ser o hit do verão.

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