O Circles Around The Sun está pra jogo novamente

O que começou apenas como um projeto de trilha sonora para os intervalos dos shows da turnê de 50 anos do Grateful Dead, virou coisa séria, se transformou em banda. Quem iria imaginar que a ideia do diretor de vídeo, Justin Kreutzmann e do guitarrista Neal Casal Neal Casal iria deixar de ser apenas um projeto?


Demorou quase 4 anos, é bem verdade, mas o Circles Around The Sun voltou aos estúdios em 2018. Com o seu segundo lançamento, o pra variar muito bom "Let It Wander", lançado dia 17 de agosto de 2018 (pela Rhino), o grupo se firma como uma das bandas mais interessantes do cenário Psicodélico. Os boogie's da rapazeada voltaram e dessa vez o Rock 'N' Roll veio puxado no Funk.

Line Up:
Neal Casal (guitarra)
Dan Horne (baixo)
Adam MacDougall (teclados)
Mark Levy (bateria)  



Track List:
"On My Mind"
"One For Chuck"
"Immovable Object"
"Helicarnassus"
"Tacoma Narrows"
"Electric Chair (Don't Sit There)"
"Ticket To Helix NGC 7293"


Chega a ser um desrespeito chamar o Circles Around The Sun de projeto. Nós resenhamos o primeiro trabalho da banda, o excelente "Interludes For The Dead", mas muita coisa mudou desde então, por isso vamos recapitular o groove. 

O Circles Around The Sun nasceu a partir de uma ideia que o filho do Bill Kreutzmann deu para o Neal Casal, que na época era guitarrista do Chris Robinson Brotherhood. A ideia surgiu, pois os shows da Fare Thee Well - a turnê de 50 anos do Dead - eram demasiadamente longos.


O "problema" disso, é que como a banda faria pausas durante o espetáculo, o público não teria nada pra ouvir, tampouco ver. Foi por isso que Justin pensou em desenvolver projeções nos intervalos e é aí que o Neal Casal entra na história, pra rechear visões com texturas instrumentais influenciadas pelo próprio Dead.

Gosto de salientar essa questão, pois nesse primeiro disco o Phil Lesh até gravou algumas linhas de baixo, algo que explica por que a cozinha sempre remete àquelas guitarras chorosas do Jerry Garcia, algo que definitivamente sumiu nesse disco - pois como foi dito lá pra cima - agora os caras são uma banda.



Nesse disco fica claro como agora trata-se de um som que tomou vida própria. Esqueça aquela guitarra mais chorosa à la Jerry Garcia, agora o som virou a chave e o Rock é a moeda de troca pra manter o som Funkeado.

Nem é questão de groove, pois groove eles sempre tiveram, desde o primeiro disco, a questão é o Funk. Os timbres de teclas em "On My Mind" são tinhosos. O clima beira o Rock Sulista de vez em quando, mas o Funk veio pra ficar nessa gravação, "One For Chuck" surge novamente com o balanço, dessa vez com a guitarra de Neal aparecendo mais.

No entanto quem rouba a cena é o baixão do Dan Horne e o trampo de teclados e sintetizadores do Adam. Dan tem um som de baixo mais agressivo, no primeiro CD, ainda mais tocando ao lado do Phil Lesh, em outro contexto musical, faz sentido pensar no motivo pelo qual sua abordagem é mais contida.


Aqui não, agora o baixo é plenamente audível durante o disco todo e chama atenção pelo feeling melódico até em temas mais leves, como em "Immovable Objects", por exemplo. Os sintetizadores do Adam estão esparramados pelo disco todo. Uivando como um Hammond em "Immovable Object", o cidadão realmente fez miséria nessa gravação.

Foi até estranho ouvir um disco mais curso dessa vez, mas fique tranquilo que ainda teve espaço pra suítes. A primeira delas, "Helicarnassus" representa o equilíbrio entre Funk, Psicodelia e chapantes camadas de teclas, já a segunda, "Ticket To Helix NGC 7293", surge meio delirante pedindo pra você dançar, até mandar sua mente para o espaço no meio da sessão.

Só de ouvir o disco dá pra sentir o tesão dos caras tocando. Seja ao som de "Tacoma Narrows" ou "Electric Chair (Don't Sit Here)", o que fica é a naturalidade, a liberdade e o caráter orgânico de se fazer música. Aquele lance de improvisar horas a fio só pelo ato de improvisar, saca? 

Discasso. Querem um último conselho? Não se deixem enganar pela bateria do Mark Levy. Parece fácil, mas os acompanhamentos de batera que ele orquestrou pra sustentar o ritmo nos 2 discos são formidáveis. Com um toque bastante leve, mas ainda assim, sincopado, o cidadão mostra quem a bateria pode fazer bonito com um som mais enxuto. Uma aula de psicodelia (praticamente rs) instrumental.

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