O Dead & Company faz muito bem para o John Mayer

Em 2011 o John Mayer se viu imerso na discografia do Grateful Dead. Até meados de 2015, segundo o próprio guitarrista, o grupo de São Francisco era só o que ele se permitia escutar. Em fevereiro do mesmo ano, Mayer foi convidado no The Late Show e aproveitou o ensejo para chamar o Bob Weir para uma gravação de estúdio.

O resultado foi bem melhor do que qualquer single que poderia ter saído. Bob e John ficaram amigos e enquanto Weir planejava a turnê de 50 anos (Fare Thee Well) junto com o baterista Mickey Hart, o baixista Phil Lesh e o também baterista Bill Kreutzmann, o natural de Connecticut ficou em casa tirando todos os sons do longo catálogo de uma das primeiras e maiores jam bands de todos os tempos.


O resultado disso? Ainda em 2015 - só que dessa vez durante o mês de agosto - Kreutzmann, Weir e Hart - criaram o Dead & Company. Para os teclados chamaram Jeff Chimenti e o Oteil Burbridge assumiu o baixo pra fechar a conta.

É válido ressaltar que o Phil Lesh (baixo) declinou o convite de se juntar ao grupo, devido aos seus projetos paralelos. Inicialmente, quem assumiu o baixo foi o Mike Gordon (Phish), mas ele também pediu pra sair quando se viu sem tempo para dedicar ao groove psicodélico.


Pois bem, a primeira vez que o Dead & Company tocou foi num showzaço no dia 31 de outubro de 2015, no Madison Square Garden e logo depois que saíram as primeiras resenhas, a banda já anunciou uma pequena turnê.

Os shows foram todos extremamente elogiados. John Mayer estava vivendo uma de suas melhores fases e como o projeto conta com músicos de idades completamente díspares, muito se especulou sobre a duração do projeto e, principalmente, gravações de estúdio.

Mas o que se viu foram mais shows. Em 2016 o grupo apareceu no line up do Bonaroo Music Festival, anunciou uma Summer Trip e logo depois foi ao The Tonight Show com  Jimmy Fallon para promover a série de eventos.


Só que o mais interessante disso tudo é o John Mayer. Um músico de raro talento e grande capacidade técnica, o guitarrista já tocou ao lado de nomes como Eric Clapton e B.B. King. O grande "problema" é que mesmo sendo um indiscutível sucesso, John nunca gravou um disco que justificasse tanto alarde.

Completamente imerso no mainstream desde que explodiu para o grande público, ainda no começo dos anos 2000, o branquelo foi pra uma veia Pop, apostando em platinadas baladinhas ao violão e até em lances mais sulistas, misturando Country e até mesmo Bluegrass em tempos recentes.


Os discos vendem que nem água, mas ainda assim é um trabalho muito aquém de seu repertório. E a maior prova de como até ele percebeu a grandiosidade do Dead & Company está em seu comprometimento com o futuro.

Em 2016 ele mesmo afirmou numa entrevista que conseguia enxergar o Dead & Company tocando por muitos anos. Em 2017 e 2018, por exemplo, a banda não parou e enquanto a carreira de John rendia esforços criativos numa linha mais trovadoresca, como o "The Search For Everything", ao vivo, ao lado de Bob Weir & cia, ele levava as plateias ao céus.


Mas o único problema desse projeto é que desde 2015 o grupo só promete, mas nunca adentra o estúdio. Se bem que os shows de todas as turnês que foram realizadas até agora estão saindo pelo selo do Grateful Dead (quase sempre em formato digital), com a mesma perícia que caracterizou o incalculável número de gravações ao vivo que eles já liberaram.

Com isso em mente, depois de digerir todo o conteúdo - que vale ressaltar, está 100% disponível no Spotify - o Macrocefalia Musical preparou uma listagem com a relação de lançamentos.


Lista de shows:
"Madison Square Garden" - Nova York
"Madison Square Garden" - Nova York
"Wells Fargo Center" - Philadelphia
"Capital One Arena" - Washington DC
"XL Center" - Hartford
"Little Caesars Arena - Detroit
"Nationwide Arena" - Columbus
"Spectrum Center" - Charlotte
"American Airlines Center" - Dallas
"Frank Erwin Center" - Texas
"Playing In The Sand" - Riviera Maya
"Playing In The Sand" - Riviera Maya
"Playing In The Sand" - Riviera Maya


Com um total de 13 shows disponíveis e uma média de 3 horas por evento, quem gosta de sacar aquela jam infinita vai ter cerca de 40 horas de música para apreciar. Com Bill, Bob e Hart ainda em forma, o grande tempero desse som é a guitarra do John Mayer, o virtuose baixo do Oteil e as teclas ácidas de Jeff Chimenti. 

O Dead & Company é muito mais do que um projeto paralelo e a cósmica musicalidade desse som mostra a força da mística do Grateful Dead. O poder de cura desse repertório é incalculável! Aperte play e mergulhe na história. O cara tira som, isso é muito raro hoje em dia... Ele bem que podia voltar a gravar com o John Mayer Trio também.

5 comentários:

  1. Meu sonho é ver o John metendo o loco num disco com o Pino e o Steve, o trampo ao vivo é muito bom. Quanto ao Deady & company vou seguir a indicação do mestre e ouvir esse em NY, qual disco indicaria pra começar a ouvir Greateful Dead?

    Dito tudo isso, espero que nunca pare com esse trabalho maravilho feito aqui, só senti falta dos melhores do ano passado hein hahaha Forte Abraço!

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  2. Pô cara, do Dead eu sempre indico 3, o live dead, o blues for allah e american beauty, acho que pra começar esses são os melhores e o meu preferido é o Blues for Allah, inclusive.

    Sobre o trampo mano, eu agradeço pelas palavras, tem sido mais fácil escrever, pois estou com tempo, mas espero conseguir manter quando voltar ao batente também.

    E sobre a lista cara, eu desisti dela por que dá um trabalho enorme, esse ano volta, mas vou listar bem menos do que aquela maluquice q eu fiz em 2017 hahaha

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    1. Sim, imaginei que foi por esse motivo, você fez 50 na vez passada, loucura total. Tava esperando um top 10 pelo menos hahaha

      Vou atrás desses do Dead eu tu indicou, Valeu!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Sim, acaba sendo uma discussão muito abrangente, mas enfim, se liga nos discos mesmo, vale a pena.

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