O baixo da Tal Wilkenfeld



A mocinha aí da foto é a australiana Tal Wilkenfeld. Se você é fã do Jeff Beck com certeza já viu Tal acompanhando as linhas intricadas de Beck, mas se não a conhece, bom, prepare-se para ficar impressionado.


Engana-se quem pensa que a australiana - natural de Sydney - é apenas um rostinho bonito, por que quando ela encosta no baixo você saca na hora que ela tem Groove. Conheci o talento da moça assistindo ao sensacional ''Jeff Beck Live At Ronnie Scott's'', lançado em 2008. Me lembro que na época o que mais me chamou atenção foi o jeito solto como ela tocava... Nem parecia que estava tocando com Jeff Beck ou Vinnie Colaiuta! E fora isso é claro, sua técnica assombrosa nas quatro cordas também me encantou.


Após o fim do DVD, fui pesquisar sobre a baixista e fiquei completamente chocado ao descobrir que ela tinha apenas 22 anos na época (hoje ela tem 32), e já estava tocando com um cara do nível de Jeff Beck.

Depois de constatar tal fato, vi que Tal era conceituadíssima no meio musical e já tinha abrilhantado os palcos com Chick Corea, Prince, Lee Ritenour, The Allman Allman Brothers Band, Herbie Hancock, Eric Clapton, Frank Gambale, ou seja, só a nata da música, que com seu groove nunca vai qualhar.

Descobri também que na época, Tal tinha lançado um disco solo chamado ''Transformation''. Gravado em maio de 2006 e liberado cerca de 1 ano depois - via Eagle - esse disco faz a minha cabeça há mais de 12 anos e o melódico Fusion que sai dos falantes mostra como esse som é especial.

Line Up:
Tal Wilkenfeld (baixo)
Seamus Blake (saxofone)
Keith Carlock (bateria)
Geoffrey Keezer (piano)
Wayne Krantz (guitarra)
Samuel Torres (percussão)
Oteil Burbridge (baixo) 



Track List :
''BC''
''Comic Joke''
''Truth Be Told''
''Serendipity''
''The River Of Life''
''Oatmeal Bandage''
''Table For One''


Na época que a baixista gravou esse disco, sua vida tinha oficialmente mudado. Vale lembrar que Tal é natural da Austrália e que essa gravação marca o período em que ela se fixou nos Estados Unidos de vez, trabalhando na cena de fato... Foi aqui que as coisas decolaram.

Esse frenesi de novas possibilidades do outro lado do mundo é algo latente nesse disco, um lance de fato à parte do brilhante instrumental que forma essa verdadeira transformação. O nome do disco também dá mais pistas sobre o assunto. Vale lembrar que o primeiro instrumento da australiana foi a guitarra e talvez seja essa experiência que a fez criar uma abordagem tão distinta.


O baixo da moça canta e nesse trabalho especificamente ela compôs, arranjou e tocou baixo em todas os takes. Outro ponto que engrandece a dinâmica desse som é a participação do guitarrista Wayne Krantz. Sua guitarra é o contraponto perfeito para as linhas velozes de Tal, sempre com um riff Funkeado pra encorpar o trabalho da cozinha... É possível também que essas sejam as linhas mais swingadas que americano gravou num longo tempo!

Em suma o disco é um Fusion, porém sempre respinga pra outras vias. Em "Table For One", por exemplo o sax de Seamus Blake chega no melhor estilo Bebop. A bateria do Keith Carlock também é um ponto que necessita de destaque. Baterista de turnê do Steely Dan, esse meliante entrega um trabalho muito sólido e que cumpre a difícil tarefa de selar a cozinha com o baixo, sempre priorizando o lirismo de Tal.


É um disco de altíssima complexidade, mas a naturalidade é o que assusta os ouvintes. Quando "BC" sai dos falantes é impossível não imaginar o Wayne Krantz rindo quando a guitarra entra no groove. Parece tudo fácil demais e o CD está repleto de grooves endiabrados, mas é com as baladas que a moça (também) conquista. A leveza e a clareza nas linhas de "Truth Be Told" chegam a inspirar.

Rola até um slap de leve em "Serendipity"... O Marcus Miller mandou lembranças. Essa faixa inclusive talvez seja a síntese desse disco. Uma gravação primorosa só com o fino do Jazz instrumental, "Serendipity" - dessa vez a palavra - significa uma feliz descoberta ao acaso e, esse disco, definitivamente, vai ganhar um lugar especial nos seus ouvidos.

Fiquem de olho que em 2019 a moça vai voltar a gravar com sua carreira solo!

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