Groove no Japão - Pacific Breeze: Japanese City Pop, AOR & Boogie 1976-1986

No universo do groove existe um submundo com praticamente uma realidade virtual de novas possibilidades musicais. Esse cosmos diz respeito à produção fonográfica japonesa dos anos 70 e 80 e o chamada City Pop, gênero que fez a cabeça da galera na terra do sol nascente, mas que virou uma verdadeira obsessão em diferentes partes do mundo.

Uma linha de música amplamente sofisticada, desde o trabalho gráfico dos discos até a magistral qualidade das prensagens e o grande poderio técnico dos músicos, o Japão levou o Smooth Jazz (e outras vertentes em alta na época) para outro patamar. 


Do AOR, passando pelo Yatch Rock, até o Jazz Fusion, pode ter certeza que pesquisar a produção japonesa - especialmente nesse período - é tiro certo se você busca gemas Funkeadas, arranjos épicos arranjos e uma abordagem bastante original para se pensar e fazer som. É claro que o cenário de música Pop japonesa cobre desde o Folk até o Rock Progressivo, mas o groove é algo que se mantém, tudo com um requinte no melhor estilo Steely Dan.

O maior problema pra desfrutar de tudo isso é o acesso. Os discos japoneses continuam caríssimos e na internet está cada vez mais difícil encontrar informações confiáveis sobre as bandas e os músicos, mas é aí que entram as coletâneas.

As coletâneas de fato possuem um papel muito importante quando bem feitas. Oferecem um plano de fundo mais generalista, porém bastante prudente sobre certos movimentos, além de ser uma importante ferramenta de resgate para que nomes como o das cantoras Taeko Ohnuki e Minako Yoshida recebam o devido reconhecimento, também fora do Japão.  


Track List:
Tomoko Soryo – "I Say Who"
Taeko Ohnuki – "Kusuri Wo Takusan"
Minako Yoshida – "Midnight Driver"
Nanako Sato – "Subterranean Futari Bocci "
Haruomi Hosono – "Sports Men"
Izumi Kobayashi – "Coffee Rumba"
F.O.E. – "In My Jungle"
Akira Inoue, Hiroshi Sato, Masataka Matsutoya – "Sun Bathing"
Hiroshi Satoh – "Say Goodbye"
Yukihiro Takahashi – "Drip Dry Eyes"
Masayoshi Takanaka – "Bamboo Vendor"
Shigeru Suzuki – "Lady Pink Panther"
Haruomi Hosono, Takahiko Ishikawa, Masataka Matsutoya – "Bride of Mykonos"
Yasuko Agawa – "L.A. Night"
Hitomi Tohyama – "Exotic Yokogao"
Tazumi Toyoshima– "Machibouke"


E para os ouvidos ansiosos para conhecer esse novo mundo, a compilação "Pacific Breeze: Japanese City Pop, AOR & Boogie 1976-1986", lançada no dia 03 de maio de 2019 - via Light In The Attic Records - é uma bela porta de entrada para começar a entender um pouco mais sobre o assunto.

Lançado como a terceira e última parte da série "Japan Archival Series", vale lembrar que a Light In The Attic conta com outros 2 lançamentos no catálogo, explorando contextos musicais diferentes, como a música ambiente, por exemplo. O primeiro deles, "Even a Tree Can Shed Tears: Japanese Folk & Rock 1969-1973" - foi o que inaugurou a série em 2017 - e ainda tem o segundo volume: "Kankyō Ongaku: Japanese Ambient, Environmental & New Age Music 1980-1990", que saiu em fevereiro desse ano.

Com as maravilhosas artes de Hiroshi Nagai - um dos principais ilustradores japoneses - referência na criação de capas de discos do gênero, esse belo lançamento chega com uma classe avassaladora e consegue cumprir a difícil tarefa de introduzir novos ouvidos ao submundo japonês com um conteúdo de fato de primeira. A qualidade das gravações é muito boa e agora basta apertar play.


Even a Tree Can Shed Tears: Japanese Folk & Rock 1969-1973:


Kankyō Ongaku: Japanese Ambient, Environmental & New Age Music 1980-1990:

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Groove: Kamal Williams ao vivo no Adult Swim

Depois que o Kamaal Williams apareceu em 2018 com um dos discos mais chapantes daquele ano debaixo do braço, muita gente está tentando prever o que sairá do seu cremoso sinth nos próximos meses.

Essa é uma missão dificílima, pois Kamaal está rodeado dos melhores Jazzístas da cena. E pensando num cenário tão prolífico e com imensa liberdade criativa, é praticamente impossível saber como que o groove vai pulsar num eventual sucessor para o excelente "The Return", lançado no dia 25 de maio de 2018.



Enquanto ele não grava nada de novo, o britânico segue em tour, mas desde o lançamento do disco até agora, algumas coisas já mudaram. A primeira foi que ele mudou a banda que o segue nas viagens. Adicionou um saxofone na configuração instrumental (Quinn Mason) e já não conta mais com a galera que gravou os takes no estúdio na época do "The Return".

Surgiram ainda outros rumores com relação ao retorno do épico Yussef Kamaal, projeto que o tecladista criou ao lado do brilhante baterista Yussef Dayes em 2016. O duo deixou a crítica em frangalhos quando anunciou sua separação depois de lançar o primoroso "Black Focus", mas parece que eles de fato estão ensaiando uma reconciliação.


Mas enquanto os discos não pipocam nos serviços de streaming, nos resta apenas acompanhar as redes sociais dessa galera e fisgar os vídeos ao vivo. E se tem uma coisa que o Kamaal está fazendo é gastar o groove em diversas apresentações ao vivo durante os últimos meses. Pra divulgar futuras gigs na europa, Japão e outros giros na América do Norte, o meliante de codinome Henry Wu segue divulgando as maravilhas terapêuticas do Wu-Funk.

Uma das mais recentes e mais interessantes empreitadas foi a participação que ele fez no tradicional Adult Swim, durante o mês de maio. O set foi tão cabuloso que ele soltou o vídeo em duas partes em seu canal oficial do Youtube. São pouco mais de 25 minutos de som e o resultado - com a ainda recente nova formação - deixa claro como, independente do estilo ou do músico que o acompanhe, o groove segue em boas mãos.

Parte I:


Parte II:

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O Tom Misch é cria do J Dilla

A cena de beatmakers dos anos 90 deixou uma marca indelével no cenário do Groove. Os beats do J Dilla romperam barreiras e saíram da East Coast pra se transformar no Lo-Fi Hip-Hop dos anos 2000. Slum Village, Erykah Badu, The Roots, Madlib, Common... A lista é gigante, mas todos esses grupos são e serão ainda mais importantes para explicar a cena moderna que está guiando o futuro da produção musical, desde o underground até o mainstream.

Só que essa vanguarda da música negra - Pós Motown e o auge da Black Music - ficou pequena para os impactos que essa cultura teve na música. O Jazz tem muito a agradecer essa galera toda. Se não fosse por esses caras, provavelmente o Tom Misch não tocaria guitarra. 


Nesse texto, o músico será apenas um instrumento para mostrar como essa linhagem sonora se perpetuará no futuro. Talvez o mais interessante seja perceber o impacto dessa linguagem e como ela ainda perdura na aura de discos como "Geography", a estréia solo do prodigioso guitarrista inglês, lançada - via Beyond The Groove - no dia 6 de abril de 2018. 

Line Up:
Tom Misch (vocal/guitarra)
GoldLink (vocal)
De La Soul (vocal)
Poppy Ajudha (vocal)
Loyle Carner (vocal)
Polly Misch (vocal)
Abbey Smith (vocal)
Jessica Carmody Nathan (vocal)
Jaz Kariz (vocal)
Roy Hargrove (vocal sample)
Jamie Houghton (bateria)
Tobie Tripp (violino)
Johnny Woodham (trompete)
Reuben James (piano)
Paul Castelluzo (guitarra)
Rob Araujo (teclados)



Track List:
"Before Paris"
"Lost In Paris"
"South Of The River"
"Movie"
"Tick Tock"
"It Runs Through Me" - feat. De La Soul
"Isn't She Lovely" - Stevie Wonder
"Disco Yes" - feat. Poppy Ajudha
"Man Like You"
"Water Baby" - feat. Loyle Carner
"You're On My Mind"
"Cos I Love You"
"We've Come So Far"


Amigo do Alfa Mist, FKJ - vulgo French Kiwi Juice - Tom Misch está envolvido apenas com a nata da cena inglesa. Natural de Londres, o guitarrista e produtor está no corre desde 2012 e chama atenção devido ao seu versátil talento e abordagem multidisciplinar.

Depois do play, Misch promove uma sinuosa mistura entre Jazz, Funk e os climas do A Tribe Called Quest, tudo batido no seu liquidificador com cérebro de beatmaker e charmosos sons de sinth na guitarra.


Quanto ao seu trabalho como beatmaker, vale ressaltar que Tom tem 2 trabalhos nesse front. Todos no formato Mixtape, "Beat Tape 1" e "Beat Tape 2" - lançados em 2014 e 2015 respectivamente - mostram de onde vêm suas referências e servem como um belo plano de fundo para entender sua lírica.

Em disco o clima é o mesmo. Detalhe para o sample do Roy Hargrove na intro de "Before Paris", inaugurando o disco com muita classe. A naturalidade para tirar ácidos licks e riffs de sua Strato chega a impressionar. A melodia de "Lost In Paris" ficará na sua mente por semanas.

Seu talento vocal é outro grande destaque do disco - principalmente em baladas como "Movie" - e a forma como ele entrega todas essas referências com um novo formato é bastante interessante. O violino do Tobie Tripp também é um detalhe que engrandece os arranjos e "South Of The River" é um exemplo disso. Não adianta, podem se passar 50 anos, mas as cordas sempre vão entregar um acabamento majestoso em qualquer gravação. A participação do violinista é muito interessante e vale ressaltar que ele também está presente nos shows.


A bateria com approach dos beats também funciona muito bem para ambientar as batidas e isso fica nítido, principalmente em temas como "Tick Tock", onde Tom trabalha com camadas de sinth. Em alguns momentos parece até Disco em função de certas timbragens.

Disco de audição leve e fácil, o guitarrista ainda convocou uma seleta roda de mestres para participar desse encontro. Tem De La Soul em "It Runs Through Me" - com uma levada ao melhor estilo brasilis - Poppy Ajudha em "Disco Yes" e Loyle Carner em "Water Baby".

É um som de sensibilidade grandiosa e que mostra como essa galera da cena atual pensa, não só como músico, mas com uma mentalidade de produtor/beatmaker na cabeça. É um trabalho muito completo e que circula em diversos estilos  livremente. Passei pelo Funk, Jazz, R&B, Hip-Hop e fala com a galera do underground ao mainstream.

Tem hora que ele chega a irritar pela aparente facilidade que desliza os braços da guitarra. Pode confiar, o inglês vai ganhar seus ouvidos com a majestosa versão de "Isn't She Lovely". Vem tranquilo que esse é tiro certo. O Stevie Wonder deve ter ficado orgulhoso.

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O trompete contemporâneo do Maurice Brown

O Jazz vive um grande momento, tanto no cenário mainstream, quanto no underground. E o interessante é que é possível observar que o som da nova cena caminha para 2 lados nessa nova renascença.

Se por um lado você tem - principalmente a cena de UK - com diversos grupos explorando o que existe de mais moderno no amplo espectro Jazzístico, pra contrapor esse ponto, tem uma série de instrumentistas americanos que apesar de também estarem na linha de frente do movimento, estão groovando com os olhos no futuro, mas com as raízes bem fincadas no Hip-Hop.


É claro que a produção do Jazz não fica à cargo apenas dessa galera. Tem muita gente desafiando a escola de Miles Davis, também na europa. Tem Jazz rolando em diversas partes do globo e o som pulsa até em Israel, terra do baixista Avishai Cohen.

E apesar de parecer até um pouco clichê - em função das diversas novas fórmulas Jazzísticas que vão da música eletrônica até o Rock Progressivo - o Hip-Hop está dando o que falar. Esqueça o Robert Glasper, Karriem Riggins, Thundercat e toda essa galera.

O trabalho dos músicos citados acima é de fato primoroso. Uma espécie de elo perdido entre o Jazz e o Hip-Hop, uma cultura que é muito desrespeitada frente ao academicismo que nomes como Wynton Marsalis pregam. Mas nos últimos anos essa fusão atingiu novos pontos de transgressão e resultou em sonoridades tão ímpares quanto a do Alfa Mist e do Maurice Brown, por exemplo.


Maurice "Mobetta" Brown que o diga. A cozinha que guia o seu trompete é completamente pautada no Jazz, mas a abordagem que consegue agregar tanto frescor ao timbre de seu trompete é o grande segredo por trás de seu sucesso.

Um dos maiores músicos de sua geração, o negrão nem chegou nos 40 ainda e já coleciona colaborações ao lado de nomes como Tedeschi Trucks Band, The Roots, Aretha Franklin e mais recentemente - no Coachella 2019 - Anderson .Paak & The Free Nationals.

Em carreira solo sua discografia é mais compacta. São apenas 3 discos. Primeiro veio o debutante "Hip to Bop" (2004), depois foi a vez do "The Cycle Of Love" (2010), mas foi com "The Mood", lançado em 2017, que o seu inventivo som conquistou os ouvidos do grande público.

Line Up:
Maurice Brown (vocal/trompete)
Kris Bowers (piano/teclados)
Solomon Dorsey (baixo)
Joe Blaxx (bateria)
Josh Connolly (guitarra)
Chelsea Baratz (saxofone/vocal)
Derek Douet (saxofone)
Weedie Braimah (percussão)
Saunders Sermons (trombone)
Talib Kweli (vocal)
Chris Turner (vocal)
J. Ivy (vocal)



Track List:
"The Mood"
"On My Way Home"
"Intimate Transitions (Jardin Le Sonn)"
"Stand Up (feat. Talib Kweli)"
"Moroccan Dancehall"
"Shenanigans"
"Capricorn Rising"
"Journey Exotique"
"Serendipity"
"Destination Hope (feat. Chris Turner & J. Ivy"


"The Mood", terceiro trabalho de estúdio do americano, foi lançado - via Ropeadope Records - no dia 24 de março de 2017 e cumpre a difícil tarefa de sintetizar sua abordagem. Com o Bebop na linha de frente, Maurice une o Jazz a uma visão de timbres que muito se assemelha ao minucioso trabalho de  um beatmaker.

Produtor, compositor e arranjador de mão cheia, o dono de um Grammy conta com um estilo econômico, mas que impressiona pelo rico blend de Blues, Soul e Funk. São linhas de grande eloquência e capacidade melódica que chegam a confundir o ouvinte em função da maneira como ele subverteu o Hip-Hop no meio do Bebop.


Logo na faixa título dá pra sacar isso. Os tempos espaçados na bateria, a guitarra, teclas e sax fazendo as texturas... É um sopro de ar fresco inebriante e o timbre do Maurice é de fato peculiar. Parece oldschool, mas nesse contexto chega até a confundir. "On My Way Home" é uma faixa que mostra o motivo dessas dúvidas.

Parece que o trompete virou um veludo e na hora dos improvisos o Dizzy Gillespie ficaria orgulhoso. É um trabalho muito leve, a sonoridade é muito descolada e os músicos que o acompanham fazem um trabalho primoroso.

As teclas de Kris Bowers são um dos grandes segredos desse disco. Em "Intimate Transitions" o marfim malhado surge com grande sensibilidade, já ambientando o Cool Jazz com um riff sutil, mas mortal. É um trabalho quase todo instrumental, salvo a colaboração de Talib Kweli para as vozes do single "Stand Up" e a não menos importante presença de Chris Turner e Ivy J, fazendo a poesia falada de "Destination Hope".


São temas longos, mas que em nenhum momento se tornam cansativos. Em "Moroccan Dancehall", por exemplo, o músico mostra influências que remetem ao trabalho do Shabaka Hutchings. Aquele sax com pegada de música africana, com fortes marcações. A dupla que ele fez com o sax da Chelsea Baratz merece uma menção honrosa... Em "Shenanigans", o som do naipe é tão forte - como num mantra - que beira o Afrobeat.

É até engraçado como as faixas acabam ficando na cabeça do ouvinte, tudo com a mesma naturalidade com que elas tomam conta dos falantes. Com abafador ou sem abafador, o som vem no seco, sem cuspe e sem massagem, apresentando desde intrincados andamentos - como acontece em "Shenanigans" - mas é com sensibilidade, classe e sutileza de temas como "Capricorn Rising", por exemplo, que esse disco conquista o ouvinte.


O maior trunfo do Maurice Brown nem é a fusão que ele promoveu, mas sim a forma como tudo isso foi feito. A estética leve e de grande lirismo abre espaço para uma instrumentação mais arrojada e que brinca com o tempo como se ele fosse apenas um detalhe. 

Dessa forma, Maurice consegue um instrumental sólido e que ganha vida própria graças a improvisação... Daí pra frente o seu trompete fica brincando de esconde-esconde e no fim do disco - mesmo após temas belíssimos como "Journey Exotique" e "Serendipity" - parece ainda fica uma dúvida no ar... É Hip-Bop? Hip-Hop? É essa dúvida cruel que chamamos de Jazz contemporâneo ou Jazz moderno. É esse apreço pelo novo que a crítica chama de Maurice Brown.

Um dos melhores sons de trompete da cena. É cremoso demais pra deixar passar batido. Fiquem atentos com os novos expoentes da música negra.

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Groove: aprenda com o The Fearless Flyers

Um dos supergrupos mais interessantes que surgiram nos últimos tempos. Essa seria apenas uma maneira de classificar o trabalho do The Fearless Flyers. Um quarteto que surgiu à partir do Funk do Vulfpeck, o grupo formado pelo Joe Dart (baixo), Cory Wong (guitarra), Mark Lettieri (guitarra) e por nada mais nada menos que Nate Smith (bateria), já está de disco novo.

Após lançar o debutante autointitulado em março de 2018, o grupo grupo se tornou um enorme viral em homenagem ao groove. Com um formato no mínimo inusitado em termos de configuração, a dinâmica do som dos caras parece simples, mas quem já fritou nesse Funk sabe que o buraco é muito mais embaixo.


Com um trabalho soberbo de guitarra base, Wong-Lettieri fazem a cama perfeita para que Joe Dart e Nate Smith - numa bateria minúscula - tira leite de pedra, promovendo acompanhamentos ridículos num kit reduzido e que na mão do baterista (parece) de brinquedo.

Essa foi a receita do primeiro trabalho (que resenhamos aqui). 6 grooves que foram desenvolvidos e musicados para mostrar a importância de subverter a linguagem do Funk, R&B e do Groove para uma nova geração. É um complemento do trabalho realizado pelo Vulfpeck e com o segundo disco - The Fearless Flyers II - as experimentações continuam.

Line Up:
Joe Dart (baixo)
Nate Smith (bateria)
Cory Wong (guitarra)
Mark Lettieri (guitarra)
Joey Dosik (saxofone)
Chris Tile (guitarrinha)



Track List:
"Flyers Direct"
"The Baal Shem Tov (feat. Joey Dosik)"
"Simon F15"
"Daddy, He Got a Cessna (feat. Chris Tile)"
"Swampers (feat.Chris Tile)"
"Hero Town"


A receita segue a mesma. Novamente, o quarteto aparece com 6 grooves e a cada take as propostas impressionam pelos dinâmicos desdobramentos do som. Lançado no dia 3 de maio de 2019, esse trabalho no entanto surge com um som mais elaborado.

Os temas seguem compactos, mas já ganharam mais corpo e as participações são o mais puro veneno. "Flyers Direct" é mais um riff que você sonharia ter composto. "The Baal Shem Tov" chega como quem não quer nada, mas ai aparece o Joey Dosik com um saxofone plugado no Wah-Wah e as linhas que o Nate Smith executa com apenas uma das mãos, deixam qualquer ambidestro no chinelo.


Aliás, é importante ressaltar essa questão dos instrumentos de sopro, pois essa é a principal influência para a criação dos boogies que envolvem esse projeto. Em temas como "Simon F15", o grupo mostra todo seu lirismo, enquanto o ouvinte se pergunta como o Nate Smith tira tanto som de um kit que mais parece a bateria da Hello Kit.

Mas é ao som das participações de Chris Thile que esse trabalho atinge o auge. Primeiro com "Daddy, He Got a Cessna" - trocadilho com "Daddy, He Got a Tesla", música do Vulfpeck - Chris mostra que não existem limites para o Funk.  A prova viva disso é sua mini guitarra. Ele chega a desafiar a soberania de Cory Wong e Mark Lettieri, mas enquanto a sessão rítmica segura o chumbo, Nate Smith bota ordem na casa. 


Temas como "Swampers" - com participação de Chris Thile mais uma vez - mostram um senso de urgência notável. Ver esses caras ao vivo deve ser uma experiência primorosa. "Hero Town" é um tema do Vulfpeck que foi remodelado para os intrincados solos do quarteto. A leveza e a sensibilidade são notórias e é impressionante perceber como o som atinge um grande QI rebolativo sem (aparentemente) precisar fazer muito - ou nenhum esforço - para tal.


Papa fina. Pra variar ficou irresistível.

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