Nunca fiz uma playlist no Spotify #18 - 39kg de cocaína

Farinha de trigo, farinha de rosca, bicarbonato de sódio, açúcar, sal... Essas são algumas opções cabíveis para justificar 39kg de pó no avião presidencial. É claro que não era do sargento e muito provavelmente trata-se de algum tipo de maracutaia para acabar com o belíssimo governo do Sr. Tá okei.

Contando com mentes brilhantes como a de Alexandre Frota, PSL e sua turma inauguraram a nova era da política brasileira com uma dose extra de glicose na veia. Dos mesmos cheiradores-idealizadores do Helicoca - salve salve Aécio - agora é a vez do Brasil chegar na Espanha com quilos de farofa yoki na bagagem de mão.


É o aerococa, senhoras e senhores! Por isso, para celebrar a nova política, o Macrocefalia Musical preparou mais um set daqueles. Compilando 39 takes que falam única e exclusivamente sobre a arte do ratatá, nós vamos embalar suas narinas com mais de 2 horas e 30 minutos de grooves empoeirados.


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Saiu outro Boiler Room com o Kamaal Williams

O Boiler Room é um projeto lançado em 2010. Inicialmente a ideia começou com foco em sets de DJ's e o conceito era promover um rolê ao vivo e explorar a cultura dos clubes e as diversas linhas estéticas do riscado vinílico. 

Com o passar do tempo, até DJ's brasileiros - como o KL Jay - participaram dessa iniciativa e o interessante é como eles cuidam muito bem desse conteúdo. Os vídeos captados são exibidos ao vivo e depois eles ainda sobem o material completo no YouTube.

São quase 9 anos trabalhando no canal e com isso já pode-se imaginar o tamanho do acervo e como ele contempla linhas que vão desde o groove até o House. 


Como essa é uma iniciativa que se espalhou pelo mundo - tem Boiler Room até no Brasil - o canal se transformou num verdadeiro celeiro de novos sons e artistas. É batata, se você quiser achar algo nessa linha mais eletrônica, o Boiler Room é o canal pra você.

E só para se ter uma dimensão do tamanho e respectivo impacto do projeto, é tanto som rolando que a equipe responsável resolveu expandir, e foi aí que surgiu o "Energy Behind The Track", novo conceito que aponta para o futuro da música eletrônica X a mescla de instrumentos orgânicos.


Feito em parceria com a Apple, o projeto fez sua estreia com o Kamaal Williams e o resultado é  muito interessante, pois além de conseguir englobar desde a visão do artista frente ao Jazz - além de suas influências - discutindo a liberdade do som como se fosse uma linguagem, ainda rola uma live session cabulosa no final.

Cada vídeo vai ter duas saídas. Um "Behind The Track" e outro com o material da sessão ao vivo. Em pauta, os músicos entregam um improviso e mesclam os instrumentos orgânicos com a visão de produtor, graças ao auxílio da tecnologia da Apple.

A ideia é mostrar como a tecnologia está impactando a música de um jeito positivo. É um assunto que divide opiniões, mas depois do play, Nathaniel "Tonez" Fuller (bateria), Ed Cawthorne (flauta) - aka ("Tenderlonious") e Rick Leon James (baixo), lançam um groove que nos faz acreditar piamente, não só nessa belíssima cena Jazz de UK, mas também na tecnologia, que pode maximizar o Funk e levar o swing para um número cada vez maior de pessoas.

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Nunca fiz uma playlist no Spotify #17 - Dr. John

Um dos maiores pilares da cultura do R&B de New Orleans, Dr. John foi um dos grandes pilares do groove. Um Lord quando ao piano, o Night Tripper conseguiu promover fusões primorosas entre a psicodelia e o swing do R&B, dentro de uma carreira com mais de 5 décadas de história.

Seja em carreira solo ou ao lado de nomes como Etta James, Johnny Winter e Mike Bloomfield, por exemplo, a música de Ben Rabenneck esteve nos ouvidos de algumas gerações de meliantes. Por isso, nada mais justo do que promover um epifania sob sua disco discografia e desvendar a essência de seu Vodoo.


Foi um desafio, mas o Macrocefalia Musical selecionou 30 takes que resumem um pouco da grande capacidade deste genial pianista, peculiar vocalista, criativo arranjador e também competente guitarrista.

São muitos discos, incontáveis clássicos - seja em estúdio ou ao vivo - e o resultado final é uma obra que resistiu ao maior teste de todos: o tempo. A contribuição e o impacto da música do Dr. John estão pra sempre eternizadas nos bálsamos da cultura popular mundial.

Uma voz que acalma a alma dos desesperados. Muito obrigado pela música, Doc.
   

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Psicodelia japonesa & Sonic Flower: a arte de ficar surdo

Quando o baixista do Church Of Misery (Tatsu Mikami) formou o Sonic Flower - como apenas um despretensioso projeto paralelo - acho que nem ele tinha noção do Blues-Rock que ele estava prestes a criar.

A única gravação da história do grupo é datada de 2003. O resultado é um EP que entrega uma cozinha poderosíssima e que funde elementos do Kraut-Rock setentão e da Psicodelia para chegar num resultado final avassalador.

Não se engane pelas 6 faixas e os poucos mais de 25 minutos de som. É de fato um trabalho curto, mas que ecoa até hoje nos falantes dos fãs de grupos como o Earthless, por exemplo. Lançado pelo selo japonês, Leaf Hound Records, esse trampo ganhou status de raridade e a prova de como ele transformou numa gravação fundamental no underground é que em 2019, quase 16 anos depois do lançamento, o grupo anunciou que vai voltar a gravar.

Line Up:
Tatsu Mikami (baixo)
Takenori Hoshi (guitarra)
Arisa (guitarra)
Junji J.J Narita (bateria)  



Track List:
"Cosmic Highway"
"Black Sunshine"
"Astroqueen"
"Indian Summer"
"Going Down"


Com uma formação em quarteto e uma dinâmica muito interessante, principalmente entre as duas guitarras, o instrumental é excelente e o jeito que o som foi tratado talvez seja a essência dessa gravação.

Com uma roupagem que transparece as vísceras e o teor orgânico dessa reunião - ainda que num contexto totalmente instrumental - o resultado é um disco homônimo que impressiona pelo peso estarrecedor, mas que também vai muito além disso.

É um blend de psicodelia bem groovado. Os músicos são claramente muito eloquentes tecnicamente falando e o resultado são temas que nunca parecem altos  o suficiente, como "Cosmic Highway", por exemplo.


O que mais impressiona no entanto é como eles conseguiram captar o som em estúdio e entregar essa energia de disco ao vivo. Temas como "Black Sunshine" - e suas chapantes texturas guitarristicas - parecem prover o plano de fundo perfeito para a criação de jams onde a sessão rítmica dá o tom.

A bateria e o baixo criam um verdadeiro refúgio antibombas. A cozinha é muito sólida e os andamentos intrincados fazem o som não ficar monótono, tampouco reto demais. O Funk chega com a acidez certa e contribui para que fritações como "Astroqueen" consigam entregar não só o som do Fuzz, mas também ritmo e variação para que o seu ouvido não seja engolido.

É claro que as influências dessa galera é muito diversificada e faz escala também no Blues. É impossível não escutar "Indian Summer" ou "Going Down" e não se lembrar de bandas como Cactus e Grand Funk Railroad.

Ainda assim, o resultado final está longe de soar datado e funciona melhor que glicose na veia. O único problema desse trampo é que o som nunca parece alto o suficiente. O Japão é foda... O feeling dessa galera é diferenciado até na hora de fazer barulho.

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Conheça o trampo mirabolante do FKJ

Nos últimos anos tem aparecido uma galera trampando no melhor estilo "banda de um homem só". Pode reparar. Está em todos os lugares, desde o Jazz, até o Pop, R&B e a música eletrônica. Pra vocês sacarem como é uma tendência, em 2010 o guitarrista de Jazz Pat Metheny lançou o "Orchestrion", disco de estúdio que contava apenas com ele nas guitarras, enquanto os outros instrumentos que fazem parte do disco foram programados para tocarem de maneira sincronizada, acompanhando a Ibanez do americano.

Mais recente, a australiana Tash Sultana também explodiu no cenário mainstream, com um show pautado em loops e diversas intervenções instrumentais que ela faz ao vivo, enquanto troca de instrumentos, passando da guitarra para o trompete, como quem vai na cozinha pegar um copo de água pra marinar a dentadura. 


Nem parece que ela se esforça. Autodidata, a moça entrega um espetáculo diferente toda noite - muito em função da proposta do seu show - mas é notável como tem surgido uma galera multitask, com cabeça de multi instrumentista e produtor.

Tanto o projeto do Pat quanto o som da Tash, são de fato muito interessantes. O Metheny lançou até um DVD mostrando como foi o processo. A Tash também tem dezenas de performances ao vivo no internet, mas ainda acho que tem um cara acima dessa galera toda e esse meliante é o FKJ.


Produtor e multi instrumentista francês, French Kiwi Juice é um workaholic natural da cidade de Tours, oeste da França. Amigo da galera mais hypada da cena, o talentoso músico colabora com nomes badalados como Masego, Alfa Mist e Tom Misch, sempre contribuindo de alguma maneira, seja na guitarra, saxofone ou tirando o puro néctar de seu Wurlitzer.

Dono de um set que funde a estética do Jazz, com elementos do R&B, Funk e climas com clara inspiração das trilhas sonoras francesas dos anos 70, o cara ainda consegue misturar instrumentação tocada com House e uma linha de beats açucaradas.

Em estúdio FKJ já conta com um trampo de inéditas, mas é ao vivo que a coisa pega. Seu debutante homônimo lançado em 2017 mostra sua imensa perícia na produção, mas acaba perdendo o lance orgânico que caracteriza suas performances.


E o mais interessante é como ele conseguiu se transformar num viral, principalmente pela forma inovadora e absolutamente original com a qual ele grava suas apresentações. Existem 2 shows que ilustram isso de maneira brilhante.

O primeiro é esse aqui, gravado diretamente do solar de Uyuni, na Bolívia. As imagens são belíssimas e é notável como a música casa com as imagens. A filmagem começa com o dia ainda claro e conforme o tempo passa, é muito massa ver o sol se pondo com o set do francês acompanhando as mudanças meteorológicas.

Imagina gravar uma live no maior e mais alto deserto do mundo? 



A principal mensagens desses trabalhos é muito clara. Não adianta apenas ser um bom instrumentista. É importante contar com propostas frescas para o show, pois esse é o carro chefe da vida de todo músico, ainda mais em tempos de streaming.

Essa piração começou em 20017 quando ele teve a ideia de tocar ao vivo no museu de arte moderna de Paris. Fazendo o set de frente para o quadro La Fée Electricité - do pintor fauvista Raoul Dufy - é impressionante como o ambiente do museu engrandece a proposta. Ele ainda disponibilizou headphones para o seleto grupo que aparece no vídeo e, aparentemente, o groove saia direto da fonte para os ouvidos da galera.


Acompanhar esse cara é garantia de boa música e uma oportunidade bem interessante de ver algumas ideias que comprovam a importância de se pensar fora da caixa. Coisa fina.

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