Conheça o trampo mirabolante do FKJ

Nos últimos anos tem aparecido uma galera trampando no melhor estilo "banda de um homem só". Pode reparar. Está em todos os lugares, desde o Jazz, até o Pop, R&B e a música eletrônica. Pra vocês sacarem como é uma tendência, em 2010 o guitarrista de Jazz Pat Metheny lançou o "Orchestrion", disco de estúdio que contava apenas com ele nas guitarras, enquanto os outros instrumentos que fazem parte do disco foram programados para tocarem de maneira sincronizada, acompanhando a Ibanez do americano.

Mais recente, a australiana Tash Sultana também explodiu no cenário mainstream, com um show pautado em loops e diversas intervenções instrumentais que ela faz ao vivo, enquanto troca de instrumentos, passando da guitarra para o trompete, como quem vai na cozinha pegar um copo de água pra marinar a dentadura. 


Nem parece que ela se esforça. Autodidata, a moça entrega um espetáculo diferente toda noite - muito em função da proposta do seu show - mas é notável como tem surgido uma galera multitask, com cabeça de multi instrumentista e produtor.

Tanto o projeto do Pat quanto o som da Tash, são de fato muito interessantes. O Metheny lançou até um DVD mostrando como foi o processo. A Tash também tem dezenas de performances ao vivo no internet, mas ainda acho que tem um cara acima dessa galera toda e esse meliante é o FKJ.


Produtor e multi instrumentista francês, French Kiwi Juice é um workaholic natural da cidade de Tours, oeste da França. Amigo da galera mais hypada da cena, o talentoso músico colabora com nomes badalados como Masego, Alfa Mist e Tom Misch, sempre contribuindo de alguma maneira, seja na guitarra, saxofone ou tirando o puro néctar de seu Wurlitzer.

Dono de um set que funde a estética do Jazz, com elementos do R&B, Funk e climas com clara inspiração das trilhas sonoras francesas dos anos 70, o cara ainda consegue misturar instrumentação tocada com House e uma linha de beats açucaradas.

Em estúdio FKJ já conta com um trampo de inéditas, mas é ao vivo que a coisa pega. Seu debutante homônimo lançado em 2017 mostra sua imensa perícia na produção, mas acaba perdendo o lance orgânico que caracteriza suas performances.


E o mais interessante é como ele conseguiu se transformar num viral, principalmente pela forma inovadora e absolutamente original com a qual ele grava suas apresentações. Existem 2 shows que ilustram isso de maneira brilhante.

O primeiro é esse aqui, gravado diretamente do solar de Uyuni, na Bolívia. As imagens são belíssimas e é notável como a música casa com as imagens. A filmagem começa com o dia ainda claro e conforme o tempo passa, é muito massa ver o sol se pondo com o set do francês acompanhando as mudanças meteorológicas.

Imagina gravar uma live no maior e mais alto deserto do mundo? 



A principal mensagens desses trabalhos é muito clara. Não adianta apenas ser um bom instrumentista. É importante contar com propostas frescas para o show, pois esse é o carro chefe da vida de todo músico, ainda mais em tempos de streaming.

Essa piração começou em 20017 quando ele teve a ideia de tocar ao vivo no museu de arte moderna de Paris. Fazendo o set de frente para o quadro La Fée Electricité - do pintor fauvista Raoul Dufy - é impressionante como o ambiente do museu engrandece a proposta. Ele ainda disponibilizou headphones para o seleto grupo que aparece no vídeo e, aparentemente, o groove saia direto da fonte para os ouvidos da galera.


Acompanhar esse cara é garantia de boa música e uma oportunidade bem interessante de ver algumas ideias que comprovam a importância de se pensar fora da caixa. Coisa fina.

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